Guerra Benfica-Sporting? Confirmada desqualificação que tira Arialis dos Mundiais (vídeo e foto)
O Júri de apelo reunido para avaliar o recurso apresentado pelo Benfica após a desqualificação de Arialis Martínez da prova de 60 metros no Velociti Jamor, disputada no dia 11 de fevereiro, indeferiu o protesto.
O documento assinado por Michele Correia, do Conselho de Arbitragem, e pelos juízes nacionais Anabela Gordo e Sérgio Graça, não dá razão ao Benfica, que protestou a exclusão da velocista por esta ter acontecido já após a publicação do resultado nos ecrãs, não tendo existido recall - segundo tiro a acusar a irregularidade -, além de que as marcas das restantes atletas foram mantidas, sem que se repetisse a prova.
«Está previsto regulamentarmente que, mesmo havendo uma falha no recall da partida, e tendo decorrido a mesma, um atleta pode ser desclassificado no final», refere o documento.
O tempo de 7,18 segundos conseguidos pela atleta, além de representar uma das melhores marcas nacionais de sempre – o recorde nacional é de 7,17 segundos, de Lorene Bazolo –, valeria a Arialis o apuramento direto para os Mundiais de pista coberta, agendados para Torun, em março, uma vez que a marca de apuramento é 7,20 segundos.
O nosso jornal sabe já há vários dias que independentemente da decisão da Associação de Atletismo de Lisboa (AAL), a atleta já tinha decidido que não iria ao Mundial com a marca realizada na prova, pelos danos emocionais que a decisão lhe provocou.
Agora, no relatório a que A BOLA teve acesso, é referido que os juízes presentes na competição reuniram logo após a conclusão da prova e determinaram unanimemente ter havido falsa partida da atleta das águias.
«Assim que a corrida terminou, a equipa das partidas reuniu-se de imediato e foram unânimes a confirmar a falsa partida. De seguida dirigiram-se à Juíza que estava nas chegadas, para conferenciar sobre o sucedido. A Juíza que estava nas chegadas (que tem a categoria de WAR Silver), afirmou igualmente ser sua opinião, que foi falsa partida de forma visível, dado que foi percetível que a atleta se impulsiona antes de se ver a luz da pistola».
Guerra Benfica-Sporting?
O mesmo documento refere que, apesar de o regulamento determinar que a falsa partida seria sinónimo de desqualificação e afastamento de Arialis da final, após consulta do Técnico Nacional, Rui Norte, foi proposto à atleta voltar a correr.
«Dado que estas provas foram solicitadas pelo mesmo [Rui Norte] para permitir aos atletas a possibilidade de obter marcas mínimas para os campeonatos do mundo […], o secretariado demonstrou ao Sr. Técnico Nacional que poderia ponderar dar à atleta a oportunidade de fazer uma nova corrida, para a mesma ficar com uma marca registada naquele evento, isto numa ótica de colaboração e não de regra efetiva.»
A decisão comunicada, porém, não terá sido bem aceite, como também é referido no relatório, que diz que Ana Oliveira, coordenadora do atletismo das águias, proferiu «protestos verbais muito expressivos, demonstrando um comportamento desrespeitoso para o grupo de juízes e para com o Técnico Nacional com palavras impróprias», defendendo um alegado benefício ao Sporting.
«A senhora coordenadora do Benfica e treinadora Ana Oliveira, que estava próximo não deu hipótese da Juíza Clarisse Duarte, de explicar as alternativas que estavam a ponderar. A mesma dirigiu-se à juíza Clarisse de forma exaltada, dizendo que não queria ouvir nada, e que estavam a prejudicar o seu clube e a favorecer o Sporting.»
Isto porque com a confirmação da ilegalidade da marca de Arialis Martínez, neste momento são Tatjana Pinto e Lorène Bazolo, atletas do Sporting, as velocistas apuradas para representar Portugal na Polónia na categoria dos 60 metros femininos, numa 'corrida' que fecha a 8 de março.