Gestão de elite: SAD do Famalicão é uma máquina de faturar
Os números não mentem. E na gestão, já se sabe, esses mesmos números têm um peso absolutamente decisivo para o sucesso dos projetos. É o caso do Famalicão. Que até pode ser considerado de estudo, tão elogiado tem sido o trabalho levado a cabo pela atual administração da SAD, que é presidida por Miguel Ribeiro. Mas o dirigente, com todos os méritos que tem, naturalmente, é, apenas e só, o rosto mais visível de uma equipa que tem projetado o clube para um patamar de excelência. Não só no plano nacional, mas também no internacional. Em bom português, pode dizer-se que há Fama... mas também proveito.
A história recente dos azuis e brancos do Minho contou com a entrada em cena, em 2018, do Quantum Pacific Group, liderado pelo israelita Idan Ofer, sendo que, nessa altura, Miguel Ribeiro assumiu o cargo de CEO, passando, depois, para a presidência do Conselho de Administração da SAD. Logo nessa época, em 2018/2019, os famalicenses lograram a subida ao principal escalão do futebol português e a história começou a ser escrita. 25 anos depois, o emblema de Vila Nova estava de volta ao convívio dos grandes. À elite nacional. Onde está... até hoje.
O modelo de gestão, assente na profissionalização de todos os departamentos — com destaque para o da comunicação, que pede meças aos emblemas de topo internacionais, bem como na captação e desenvolvimento de jovens talentos que pudessem garantir retorno desportivo e, mais tarde, financeiro foi sendo aplicado de forma sustentada e os resultados não tardaram a aparecer.
A primeira caminhada desta era no mais alto patamar do futebol português foi imediatamente de relevo: 6.º lugar no campeonato da época 2019/2020. Daí para a frente, o clube estabilizou-se e tornou-se uma referência dentro de portas. O Famalicão foi obtendo sempre classificações de elevados méritos e na temporada transata conseguiu mesmo ficar na 5.ª posição, naquele que foi o melhor registo de sempre dos azuis e brancos do Minho. E que não só não deu direito a participação nas provas da UEFA porque o Torreense conquistou a Taça de Portugal, entrando, por isso, diretamente na fase de grupos e relegando o SC Braga (que tinha ficado em 4.º lugar no campeonato) para a Liga Conferência. O Famalicão ficou de fora.
Mas os méritos desportivos são inatacáveis e, se mantiver esta linha de gestão, como tudo indica, então o Vila Nova vai ter, num futuro próximo, mais motivos para sorrir.
DO RELVADO... À CONTA BANCÁRIA
Se dentro das quatro linhas vai existindo um azul e branco cada vez mais intenso, com vitórias e resultados que catapultam o clube para o leque das referências em Portugal, nos gabinetes também tem sido realizado um trabalho de excelência e cujos números (lá está a importância dos números...) são absolutamente elucidativos: em cerca de oito anos de gestão, a SAD já conseguiu gerar mais de 130 milhões de euros (!) em vendas de jogadores.
Quando, no início da época 2021/2022, Manuel Ugarte rumou ao Sporting, era o início de uma operação que acabaria por ser a mais elevada de sempre da história do Famalicão. Porque o clube continuou a lucrar com outras transferências do médio uruguaio (para PSG e Manchester United) e o negócio valeu aos cofres da SAD famalicense um total de €24,5 M.
Mais recentemente, outra venda de grande monta: Ibrahima Ba rumou (também) ao Sporting, que por ele pagou €21,25 M. Mas os minhotos ainda poderão lucrar mais com esta transferência, uma vez que salvaguardaram uma parte dos direitos económicos do defesa-central senegalês de 21 anos.
Na história da administração liderada por Miguel Ribeiro ficam ainda outras operações que refletem bem a gestão de elite que está em curso em Vila Nova: Pedro Gonçalves (Sporting, €13,5 M), Otávio (FC Porto, €12 M), Luiz Júnior (Villarreal/Espanha, €12 M), Iván Jaime (FC Porto, €10 M).
E há ainda que acrescentar as vendas de Zaydou Youssouf (Al Fateh/Arábia Saudita, €6 M), Francisco Moura (FC Porto, €5 M), Alexandre Penetra (AZ Alkmaar/Países Baixos, €4,5 M), Anderson Silva (Beijing Guoan/China, €3,8 M), Charles Pickel (Cremonese/Itália, €3,8 M), Toni Martínez (FC Porto, €3,5 M), Jhonder Cádiz (Club Léon/México, €2,7 M), Puma Rodríguez (Estrela Vermelha/Sérvia, €2,2 M).
ESTRANGEIRO SEMPRE DE OLHO
A lista poderia não ficar por aqui e ser ainda mais alargada. Porque o Famalicão tem feito exportação de mais jogadores por verbas também consideradas interessantes, mas que, dados os factos acima transcritos, acabaram por ter menos expressão quando feita a comparação.
Nos registos contabilísticos dos minhotos, no entanto, constam também as vendas de Dylan Batubinsika (primeiro emprestado ao Maccabi Haifa/Israel), e depois vendido ao Saint-Etiènne/França), Mirko Topic (Norwich/Inglaterra) e Simon Elisor (Universitatea Craiova/Roménia), entre outros.
TREINADOR TAMBÉM DÁ MILHÕES
Com uma presença implacável na mesa das negociações, tal como, de resto, está devidamente explicado neste trabalho, Miguel Ribeiro conseguiu, recentemente, mais um feito digno de registo e voltou a deixar o Famalicão nas bocas do mundo: vendeu Hugo Oliveira por quatro milhões de euros.
O Estrasburgo decidiu avançar para a contratação do treinador e só conseguiu lograr os intentos batendo a cláusula de rescisão que constava do contrato de Hugo Oliveira com o conjunto famalicense, que culminou com o já referido inédito 5.º lugar na época passada.
Mas os horizontes dos adeptos podem continuar devidamente alargados: a SAD foi lesta a encontrar solução e contratou Carlos Carvalhal. O nome dispensa apresentações, tal é o currículo que ostenta, pelo que o projeto promete continuar a rolar.
SAÚDE FINANCEIRA
É certo que a gestão de uma SAD não se faz apenas e só com (grandes) vendas. Como tal, a administração tem apostado na compra de jogadores jovens com imenso talento, mas também já vai avançado para contratações de atletas que comportam um peso significativo do orçamento. Como foi o caso, neste defeso, do avançado grego Georgios Koutsias, recrutado ao Lugano (Suíça) por €2,5 M. Verba que, de resto, ficou em paralelo com aquela que fora paga por... Manuel Ugarte.
Apostar, comprar, potenciar e... vender. É o preço do sucesso.
CENTRO DE TREINOS DE EXCELÊNCIA
O investimento feito pela SAD não se resume ao plantel profissional de futebol. De todo. Há uma aposta clara e bastante forte nas infraestruturas e um dos melhores exemplos disso mesmo é o Centro de Treinos do clube.
O espaço, que comporta uma área superior a 59 mil metros quadrados, é tido como sendo uma autêntica referência e um dos melhores do país, mas continua em constante evolução.
Os responsáveis famalicenses têm a preocupação diária de trabalharem a evolução e oferecerem, dessa forma, as melhores condições aos atletas. E sempre com novidades tecnológicas a emergir.
O ETERNO SONHO DO NOVO ESTÁDIO
«O novo estádio é fundamental para o Famalicão.» A frase, que pertence a Miguel Ribeiro, não é nova, mas continua atual.
Por muito que a história não se apaga, não deixa de ser factual que o anfiteatro dos azuis e brancos do Minho já não se compadece com a dimensão do clube, pelo que a SAD deseja uma solução.
«O Famalicão tem esta pedra no sapato, continuo a acreditar no presidente e na Câmara, porque quer clube, SAD e município tem o entendimento de que a solução será tripartida», afirmou, recentemente, Miguel Ribeiro, em nova mensagem de esperança. Falta o passo decisivo da autarquia...
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