John Carew apontou 199 golos na carreira - Foto: IMAGO

Foi figura carismática na Premier League, esteve preso e agora quer ser... vilão de James Bond

John Carew passou por clubes como Valência, Aston Villa, Roma, Lyon e Besiktas e, desde que pendurou as chuteiras, tem-se dedicado a outro amor: a representação

Longe dos relvados, onde muitos ex-futebolistas optam por uma reforma tranquila nos campos de golfe ou por carreiras como treinadores e comentadores, John Carew escolheu um caminho radicalmente diferente. O antigo avançado norueguês dedica-se agora à representação, contracenando com estrelas como Angelina Jolie, protagonizando comédias românticas na Netflix e ambicionando um dia interpretar... um vilão de James Bond.

Aos 46 anos, o ex-jogador, que brilhou em campeonatos como a Premier League, a Serie A e a LaLiga, está a construir uma segunda carreira em Hollywood que poderá tornar-se tão notável como a sua trajetória no futebol. Numa rara entrevista, Carew falou sobre a transição dos balneários para os bastidores do cinema, revelando que o seu interesse pela arte da representação começou ainda enquanto jogador.

John Carew somou 131 jogos pelo Aston Villa. Foto: IMAGO

«Quero construir personagens do zero e criar algo bonito com esta bela arte de representar», afirmou o norueguês, que recentemente participou numa série de Natal da Netflix. «É bom poder trabalhar com pessoas interessantes e divertir-me.»

Recorde-se que Carew, um imponente avançado de 1,95m, foi uma figura popular entre os adeptos de clubes como o Aston Villa, a Roma e o Valência. Foi durante a sua passagem pelos villans, onde marcou 48 golos em 131 jogos, que começou a explorar secretamente a sua paixão pela representação.

«Comecei a ter aulas de representação em 2009», revelou. «Um professor vinha a um apartamento que eu tinha em Londres e trabalhávamos textos e a forma de entrar numa personagem. Já tinha interesse nisto há algum tempo durante a minha carreira no futebol.»

John Carew

Após pendurar as chuteiras em 2012, depois de uma última época no West Ham, a sua incursão no cinema não tardou. O primeiro papel de destaque surgiu num filme de terror canadiano de baixo orçamento, Dead of Winter. A experiência, filmada em condições gélidas perto de Toronto, foi decisiva. «Foram seis semanas de filmagens, a trabalhar 12 horas por dia. Foi como estar num campo de treino de representação. Adorei», explicou. «Aquele filme deu-me o apetite para continuar a representar.»

O antigo internacional norueguês, autor de 24 golos em 91 jogos pela sua seleção, encontra paralelos entre as duas profissões. «Como jogador, estás habituado a estar sob pressão, por isso há semelhanças», disse. «Trabalhar com outros atores é um trabalho de equipa. Estão todos a tentar criar algo em conjunto, da mesma forma que uma equipa tenta ganhar um jogo. Cada um tem de fazer bem o seu trabalho e todos dependem uns dos outros.»

O céu depois do inferno

A carreira de John Carew como ator está em ascensão, mas o antigo futebolista norueguês não esquece um capítulo conturbado do seu passado recente: uma condenação de 14 meses por não ter declarado rendimentos e ativos no valor de cerca de 30 milhões de euros, entre 2014 e 2019. Na altura, Carew alegou ter sido aconselhado de que não precisaria de pagar impostos, uma vez que residia no estrangeiro.

Durante parte da pena, foi-lhe permitido trabalhar com a Federação Norueguesa de Futebol, treinando jovens jogadores com uma pulseira eletrónica no tornozelo. A experiência foi tão bem-sucedida que continua até hoje, mas a condenação é um assunto que prefere deixar para trás.

«Nunca me tinham perguntado sobre isso. Acho que não vou falar muito sobre o assunto. Foi um capítulo rápido que já quase esqueci, e é melhor que fique no passado. É algo que já ultrapassámos», afirma Carew.

Focado na representação, o antigo jogador sente-se mais atraído por papéis naturalistas e admira profundamente a sua compatriota Renate Reinsve, nomeada para um Óscar. «Acho que a Noruega tem a melhor atriz do mundo neste momento, a Renate. Ela é muito humilde e estamos muito orgulhosos dela na Noruega», elogia, acrescentando que a admiração vai além da nacionalidade partilhada. «Ela tem algo que poucos atores têm: faz-me lembrar a Meryl Streep. A Renate pode estar numa cena com qualquer pessoa e quase os faz desaparecer. É um dom que não se aprende.»

Entre os seus heróis na representação, o britânico Tom Hardy ocupa um lugar de destaque. «Claro que adoro o Anthony Hopkins, o Denzel Washington e o Al Pacino, os clássicos. Mas se pensar em como quero abordar uma personagem, então olho para o Tom Hardy. Ele é o modelo para mim», explica. «Se o virmos em Peaky Blinders, há cenas em que ele é tão bom que mal se pode acreditar. Usando novamente a analogia do futebol, ele é do nível do Real Madrid.»

Tom Hardy é uma das inspirações para John Carew. Foto: IMAGO

Com Hardy a ser apontado como um possível sucessor de Daniel Craig no papel de James Bond, Carew já tem um desejo bem definido: «Quero ser um vilão num filme do James Bond. Não o vilão principal, mas um assassino a soldo. Quero ser o braço direito do mau da fita, como um assassino silencioso que perde uma luta com o Bond a meio do filme.»

Apesar de sonhar com Hollywood, o principal objetivo de Carew é aprofundar a sua nova arte. «Quero apenas fazer coisas pelas quais sou apaixonado», confessou. «Continuar a aprender e, para ser honesto, ter sobretudo paz e sossego».