FIFA abre processo disciplinar a Espanha por cânticos racistas
A FIFA confirmou a abertura de «um procedimento disciplinar contra a Federação Espanhola de Futebol pelos incidentes ocorridos no jogo amigável contra o Egito». A federação espanhola já foi notificada do processo.
Em causa estão os cânticos racistas entoados por parte dos adeptos no Estádio RCDE, em Cornellà-El Prat, durante o particular entre as seleções de Espanha e do Egito. Cerca de dez minutos após o início do jogo, ouviu-se nas bancadas o cântico «Quem não salta é muçulmano», que se repetiu minutos depois.
Além dos cânticos islamofóbicos, foram também dirigidos insultos a Vinícius, com gritos de «Vinícius, bola de praia», e assobios durante o hino nacional do Egito. Um pequeno grupo de adeptos proferiu ainda insultos contra o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez.
Face aos acontecimentos, foram tomadas medidas durante o próprio encontro. Ao intervalo, foi exibida uma mensagem nos ecrãs do estádio a recordar que «a legislação para a prevenção da violência no desporto proíbe e sanciona a participação ativa em atos violentos, xenófobos, homofóbicos ou racistas». Adicionalmente, através da megafonia, foi feito um apelo para que o público se abstivesse de cânticos desrespeitosos.
No entanto, os cânticos voltaram a ouvir-se no início da segunda parte, sendo desta vez vaiados por uma grande parte do público presente. A advertência foi novamente emitida pela instalação sonora. A Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) também reagiu nas suas redes sociais, publicando uma mensagem em que «se junta à mensagem do nosso futebol contra o racismo e condena qualquer ato de violência nos estádios».
Os incidentes geraram uma onda de repulsa generalizada. O Governo espanhol e a maioria dos partidos políticos condenaram os atos, que já estão a ser investigados pelos Mossos d'Esquadra e foram reportados à Procuradoria. A comunidade islâmica e figuras do futebol também manifestaram o seu repúdio.
O jogador espanhol e muçulmano Lamine Yamal reagiu através de um comunicado nas suas redes sociais, mostrando o seu desagrado com a situação. «Eu sou muçulmano, alhamdulillah [louvado seja Deus]. Ontem no estádio ouviu-se o cântico 'quem não salta é muçulmano'. Sei que era dirigido à equipa adversária e não era algo pessoal contra mim, mas como pessoa muçulmana não deixa de ser uma falta de respeito e algo intolerável. Entendo que nem todos os adeptos são assim, mas para aqueles que entoam estas coisas: usar uma religião como troça num campo de futebol revela-vos como pessoas ignorantes e racistas. O futebol é para ser desfrutado e para apoiar, não para faltar ao respeito às pessoas por aquilo que são ou naquilo em que acreditam», disse.
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