Mundial
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Afinal, Marrocos não tinha mesmo qualquer hipótese! (crónica)
Favorita, a França não demorou muito tempo a querer confirmar este estatuto, que se estendia bem para lá dos quartos de final. À sua frente, tinha uma equipa marroquina que deixara rasto bem positivo desde o arranque do Campeonato do Mundo, três anos e meio depois do embate entre as duas seleções nas meias-finais no Qatar, com triunfo dos europeus, futuros vice-campeões. Cheios de moral pela campanha que estão a realizar, os Bleus entraram a todo o gás. E foi valendo Bono, sempre muito atento. Sempre eficaz. Até já nada poder realmente fazer.
Aos 4', Mbappé obrigou o guarda-redes à primeira intervenção apertada. Na sequência do pontapé de canto que tinha concedido, voltou a ser posto à prova, agora num cabeceamento quase à queima-roupa de Upamecano. Os africanos ainda tentaram estancar o fluxo ofensivo dos franceses e controlar o jogo com a bola, algo que costumam fazer muito bem, só que tal só lhes era permitido no seu meio-campo, com a pressão a acentuar-se logo após passarem da linha divisória e a levar a que a bola mudasse de dono.
O conjunto de Didier Deschamps, a cargo do 25.º encontro em Mundiais, não demorou muito a voltar a ficar por cima, mas Dembélé e Rabiot não acertaram nos respetivos cabecemantos. Até que surgiu o penálti. Hakimi perdeu a bola perto da grande área rival e os Bleus saíram de imediato na transição. Ounahi não fez falta e permitiu que Olise desmarcasse Mbappé, o que obrigou Mazraoui a um carrinho de emergência. Penálti. Aos 28', Mbappé correu para a bola e atirou fraco para o lado esquerdo de Bono, que adivinhou. Mantinha-se o 0-0. Não sem mais trabalho do guardião. Aos 35', após erro de Bouaddi, defendeu também o remate de Doué, mais uma vez com muito perigo. E ainda veria um tiro de Digne à trave.
Só tinha dado França. E apenas aos 40' os marroquinos entraram pela primeira na área gaulesa com a bola controlada. Talbi não conseguiu finalizar. A primeira parte acabaria com apenas mais um esforço. De Hakimi, num livre que passou ao lado.
UMA QUESTÃO DE TEMPO
Marrocos voltaria ao campo sem substituições. Apesar da pouca força ofensiva mostrada, as linhas juntas tinham bloqueado a esperada avalanche. E Deschamps também não mudaria, já que as oportunidades também tinham aparecido, falhara apenas a definição. Era, talvez a seu ver, uma questão de tempo. E foi!
Os Leões do Atlas entraram mais ativos para a segunda parte, só que não conseguiram ligar duas transições ofensivas prometedoras. Ainda assim, sempre com um pouco mais de França, a partida parecia mais equilibrada, pelo menos até Doué voltar a testar Bono (55').
Não seria preciso esperar muito tempo até à primeira explosão de festa. Sem conseguir empurrar a França para trás, os marroquinos caíram na armadilha. Aos 60', uma bola perdida quando tentavam sair da sua zona defensiva, caiu onde não podia. Aos pés de Mbappé, à entrada da área. O que se seguiu foi um momento de enorme classe. Uma primeira simulação garantiu espaço suficiente para que Diop não pudesse intervir e o remate saiu na sequência, a fazer mira ao poste e a entrar à justa, sem qualquer hipótese para o melhor em campo até esse momento.
Seis minutos depois, o KO chegaria para os marroquinos com mais um golaço. Mbappé foi acionado num ataque rápido, a bola chegou a Dembélé, que deu mais um ou dois passos antes de atirar rasteiro, contornando Diop (outra vez). Bono mais uma vez se atirou e nada conseguiu fazer.
ORGULHO MARROQUINO ATÉ FINAL
O KO estava feito. Havia apenas uma questão de orgulho por parte dos africanos, com os europeus, por sua vez, a baixar linhas para aproveitar o espaço libertado pelos rivais mais perto da baliza de Bono. Já sem Mbappé em campo, que saíria com algumas queixas físicasque não parecem muito preocupantes, Maignan ainda sentiu as ameaças de Ounahi (84') e El Anayoui (85'). Por outro lado, tanto Mateta (81 e 90+3') e Barcola (88') também andaram perto do terceiro golo.