Fernando Gomes - foto: COP
Fernando Gomes - foto: COP

Fernando Gomes insiste em mudanças nas distribuição das receitas das apostas

A mensagem de ano novo do presidente do COP

O presidente do Comité Olímpico de Portugal aproveitou a mensagem de ano novo, publicada no site do organismo, para insistir na ideia de mudanças na distribuição das receitas das apostas desportivas.

Fernando Gomes começa por dizer que o ano de 2025 «confirmou, com resultados sem precedentes, a trajetória de crescimento e afirmação do desporto português», e antecipa que 2026 será «de exigência e celebração para Portugal».

Nesse sentido, o presidente do COP defende a ideia de que «o desporto é um investimento coletivo», pelo que são necessárias «parcerias fortes entre o Estado, as autarquias, as universidades, as empresas, as federações, os clubes e, claro, a sociedade em geral».

«Mantemos a defesa firme na importância de reforçar o apoio às atividades regulares das federações, alterando a forma como é feita a distribuição dos valores provenientes das apostas desportivas. E iremos continuar a insistir na criação do Fundo de Desenvolvimento Desportivo para apoiar as modalidades que não são alvo de apostas, na reforma do Estatuto do Dirigente Desportivo em regime de voluntariado e na alteração da Lei do Mecenato, no sentido de aumentar os benefícios fiscais a empresas que queiram apoiar os atletas portugueses, sem esquecer o aumento das bolsas, em número e valor, para que estes possam preparar melhor o pós-carreira», acrescenta Fernando Gomes.

A mensagem de ano novo de Fernando Gomes, na íntegra:

No Comité Olímpico de Portugal (COP) acreditamos, de forma inabalável, no poder transformador do desporto, como instrumento de educação, inclusão e coesão social. Porque quando uma criança calça pela primeira vez um par de sapatilhas, quando pega numa pagaia, quando uma vila se reúne em torno do seu clube ou quando uma escola abre as portas à atividade física, estamos a semear bem-estar, saúde e futuro. O desporto molda o carácter, promove a disciplina, alimenta a solidariedade e cria oportunidades de futuro – e essas são as verdadeiras conquistas que devemos perseguir.

O balanço final de 2025 confirmou, com resultados sem precedentes, a trajetória de crescimento e afirmação do desporto português: nos Campeonatos do Mundo organizados pelas Federações Internacionais filiadas no Comité Olímpico Internacional, Portugal conquistou pódios em provas de carácter olímpico: três ouros, duas pratas e três bronzes, distribuídos por cinco modalidades (Atletismo, Canoagem, Judo, Surf e Triatlo).

Estes feitos representam o resultado de anos de trabalho de atletas, treinadores, clubes, federações, famílias e dos muitos profissionais que os acompanham diariamente. Não se trata apenas de medalhas, trata-se de reafirmar que a base formativa, a preparação, o trabalho dos técnicos e o apoio multidisciplinar que temos vindo a estruturar podem produzir resultados consistentes para o futuro.

O ano de 2026 que agora se inicia será de exigência e de celebração para Portugal. Marcaremos presença em palcos decisivos – dos desportos de neve, em Milão-Cortina, aos Jogos Olímpicos da Juventude, em Dakar, e aos Jogos do Mediterrâneo, em Taranto. Cada missão internacional é uma oportunidade para mostrar o trabalho dos nossos atletas e afirmar a capacidade do nosso país. Mas não são resultados pontuais que procuramos, são percursos sustentados que formam campeões e cidadãos. Porque a nossa prioridade é a construção de trajetórias duradouras – rumo a Los Angeles 2028, rumo a Brisbane 2032.

O desporto é um investimento coletivo. E para transformar ambição em impacto precisamos de parcerias fortes entre o Estado, as autarquias, as universidades, as empresas, as federações, os clubes e, claro, a sociedade em geral. Parcerias produtivas como a que temos desenvolvido com o Comité Paralímpico de Portugal, da qual já nasceram iniciativas concretas e mais soluções inclusivas e inovadoras irão, certamente, surgir.

O COP defende, por isso, políticas que vejam além do pódio, que permitam dar estabilidade através de contratos plurianuais com as federações, que promovam a saúde, que previnam doenças e ofereçam alternativas profissionais a quem dedica a juventude à superação desportiva.

Mantemos a defesa firme na importância de reforçar o apoio às atividades regulares das federações, alterando a forma como é feita a distribuição dos valores provenientes das apostas desportivas. E iremos continuar a insistir na criação do Fundo de Desenvolvimento Desportivo para apoiar as modalidades que não são alvo de apostas, na reforma do Estatuto do Dirigente Desportivo em regime de voluntariado e na alteração da Lei do Mecenato, no sentido de aumentar os benefícios fiscais a empresas que queiram apoiar os atletas portugueses, sem esquecer o aumento das bolsas, em número e valor, para que estes possam preparar melhor o pós-carreira.

Enquanto estas mudanças não se concretizam, no terreno, temos já transformado teoria em ação. E os progressos são concretos: no início de 2025 tínhamos 83 atletas no Projeto Olímpico, hoje temos 133. Nas Esperanças Olímpicas, contamos agora com 114 atletas, dos quais 40 já estão integrados no novo modelo de apoio. Com os Centros de Alto Rendimento já contratualizámos a transferência de 10 milhões de euros para a sua requalificação, de forma a proporcionar instalações adequadas para que os nossos atletas possam maximizar todo seu potencial. O financiamento da preparação olímpica aumentou 30%, uma medida que permitirá reforçar as equipas multidisciplinares (medicina desportiva, psicologia, nutrição, fisioterapia e preparação física) e que, como sempre defendemos, coloca o atleta no centro.

Estes números não são presunção nem vaidade, são sinónimo de compromisso e responsabilidade. Porque este é o tempo da ação. Defender o olimpismo exige uma ação coletiva, de governantes, federações, clubes, autarquias, universidades, empresas, treinadores, atletas e famílias.

Vamos transformar este novo ano numa demonstração de trabalho coletivo, de execução competente e de orgulho nacional. Vamos multiplicar oportunidades, cuidar dos nossos atletas com dignidade e dar ao desporto português a projeção que merece.

Com amizade, confiança e ambição, desejamos um 2026 com saúde, conquistas e realizações, para os atletas que sonham alto, para as famílias, treinadores e federações que os acompanham e para o país que todos amamos.