Miguel Mendes, jornalista de A BOLA, sublinhou os perfis das equipas no clássico
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FC Porto: uma 'masterclass' no clássico para furar a lei da rotatividade

Pablo Rosario junta preponderância na manobra ofensiva aos já conhecidos atributos na polivalência. Leva duas assistências em nove jogos, obriga Alan Varela a esperar e, no clássico, assinou exibição de gala

O homem da confiança de Francesco Farioli transformou-se num baluarte do FC Porto. Depois de ter arrancado a presente temporada na frente da corrida pelo lugar de médio-defensivo — foi titular logo na Supertaça, ante o Torreense —, Pablo Rosario elevou a bitola e fixou-se como opção principal do treinador dos dragões para a posição. Isto perante a concorrência de Alan Varela, um dos jogadores com mais anos de casa e, até há bem pouco tempo, o primeiro trinco dos azuis e brancos.

Uma inversão na hierarquia que o bombeiro de serviço dos campeões nacionais tem justificado em campo, jogo após jogo. Além da grande (e já conhecida) maleabilidade posicional, o internacional dominicano, que está, por estes dias, ao serviço da seleção, tem mostrado uma acutilância cada vez mais significativa na manobra ofensiva portista. Nos 2945 minutos que somou em 2025/26, distribuídos por 40 desafios, Pablo marcou dois golos e fez uma assistência. Na época em curso, conta nove partidas disputadas (752 minutos), oito das quais como titular e, apesar de ainda não ter inaugurado a conta goleadora, já superou o registo anterior de ofertas: vai em duas, ambas com o mesmo destinatário — André Silva, contra o Académico de Viseu e frente ao Casa Pia.

No clássico do último domingo, diante do Benfica, Rosario deu nova demonstração da influência que tem na manobra do FC Porto de Farioli. Além de ter negado um tento a Bah ainda com o marcador em 0-0 (o festejo do corte, com Bednarek, ficou na retina), o camisola 13 dos dragões foi peça fundamental no 2-1, ao romper a defesa do rival encarnado com um passe vertical que encontrou... André Silva. Logo depois, o ponta de lança serviu Froholdt para o disparo certeiro.

Mas Pablo Rosario registou outros dados de relevo no clássico. O polivalente jogador acertou 35 dos 36 passes que fez, 16 deles para o último terço e com uma taxa de acerto de 94%. Números que revelam assertividade nesse capítulo e que demonstram bem o peso do dominicano na fluidez de jogo dos azuis e brancos.

Concluído o primeiro ciclo competitivo de 2026/27, Pablo é o quarto jogador mais utilizado por Farioli, sendo apenas superado pelos totalistas, Kiwior e Diogo Costa, e por Pepê. A partir de outubro, o calendário vai começar a apertar, com a Champions League a entrar em força na agenda portista, sendo de esperar que o técnico italiano promova uma maior rotação das peças que tem à disposição. Por agora, porém, Rosario vai furando a lei da rotatividade que se verificou na temporada transata, relegando Alan Varela para um papel... secundário.

O argentino, aliás, jogou apenas 199 minutos até ao momento na temporada, uma quebra considerável em relação às campanhas anteriores. Por outro lado, o facto de se manter no CTFD Jorge Costa durante as datas FIFA, algo que não sucede com Pablo Rosario, pode dar fôlego renovado a Varela para o que se avizinha. Além disso, já ficou provado que os dois médios-defensivos podem jogar em simultâneo, como se viu contra o Manchester City, na 1.ª jornada da Champions. Alan assumiu um papel mais posicional, Rosario subiu ligeiramente no terreno. Certo é que o faz-tudo do FC Porto tem valor cada vez mais inestimável...

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