Ricardo Horta voltou a decidir e ofereceu o triunfo ao SC Braga no reduto do Rio Ave — Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA
Ricardo Horta voltou a decidir e ofereceu o triunfo ao SC Braga no reduto do Rio Ave — Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA

Crise dos combustíveis? Para Ricardo Horta é 'pé na chapa' (crónica)

Capitão fez o mesmo de sempre e decidiu: chamado à conversão de um pontapé de penálti — intervenção decisiva do VAR —, deu um pontapé na monotonia e selou o triunfo. Vila-condenses demasiado curtos

A crise dos combustíveis é um problema à escala global e que tem tido, naturalmente, um forte impacto na sociedade portuguesa, pelo que (também por esta razão) é prudente circular a velocidades mais moderadas. Dessa forma, o ponteiro demora um pouco (mas mesmo pouco) mais a descer.

Mas momentos também há que, por esta ou aquela razão, a tendência de colocar o pé no acelerador ultrapassa a esfera do racional e faz disparar todos os ponteiros. Dois deles sobem (o da velocidade e o do conta-rotações) outro desce drasticamente: o do... combustível.

E quem tem mais experiência ao volante pode sempre arriscar um pouco mais. Porque os milhares de quilómetros em estrada dão algum conforto na hora da tomada da decisão. Ora, com 32 anos e toda uma vida dedicada aos sprints nos relvados, Ricardo Horta tem, neste particular, um autêntico Doutoramento. O dos golos. Da decisão.

O capitão dos arsenalistas já tinha tido nos pés a melhor ocasião de golo da primeira parte, mas o desvio, após belo cruzamento de Gorby, saiu perto do poste esquerdo da baliza contrária (35'). Antes disso, refira-se, apenas Pau Víctor tinha conseguido rematar de forma enquadrada, logo aos 4 minutos e após livre estudado em que o sumário foi escrito por João Moutinho, mas Ennio van der Gouw respondeu à altura e colocou gelo nas intenções do espanhol.

Os vila-condenses conseguiram encaixar nas referências dos bracarenses, encurtaram espaços e tiveram o condão de tapar os caminhos para a sua baliza, mas o processo ofensivo esteve muito aquém do que costuma ser a imagem de marca de Vasco Seabra. Nem em posse, nem em transição. O Rio Ave foi (muito) pouco audaz no ataque ao último terço. Tudo junto, fez com que a primeira parte não tenha deixado saudades...

A etapa complementar não foi muito melhor e o computador de bordo não dava mostras de acender a luz do golo. Até que apareceu... o suspeito do costume: Ricardo Horta, chamado à transformação de um pontapé de penálti — após intervenção do VAR, que convidou Cláudio Pereira a ir ver as imagens de um lance entre Diogo Bezerra e Gustaf Lagerbielke, com o árbitro a aceitar (e bem) a opinião do seu colega de equipa —, atirou a contar e colocou o veículo bracarense a acelerar rumo ao 8.º lugar.

A Caravela está melhor, mas ainda navega em águas perigosas...

O melhor em campo: Ricardo Horta (SC Braga)

São (muitos) anos disto. Porque o camisola 21 não vacila na hora da decisão. Seja de bola corrida ou de bola parada, o avançado assume, sem rodeios, e consigo em campo a equipa está sempre mais capacitada para chegar ao sucesso. A noite não foi, de todo, de inspiração, pelo que Horta também não rubricou das suas melhores exibições, mas no detalhe mais importante... golo e três pontos!

A figura: Miguel Patrício (Rio Ave)

Mesmo numa partida em que o coletivo não conseguiu estar tanto tempo no meio-campo ofensivo quanto desejaria, o jovem criativo, de apenas 19 anos, percebeu a dificuldade em ter bola em zonas de definição e nunca se coibiu de recuar metros para tentar pegar na batuta. E ainda foi obrigado a dar uma ajuda à retaguarda, o que cumpriu. Belo remate, aos 52', a aquecer as luvas a Bernardo Fontes.

As notas dos jogadores do Rio Ave:

As notas dos jogadores do SC Braga:

Vasco Seabra (treinador do Rio Ave):

Creio que foi injusto. Quando estamos nestas situações as coisinhas acabam sempre por nos prejudicar. Estamos a dar sinais positivos, a equipa compete a um nível mais alto. O VAR hoje atuou, como não atuou a semana passada em Viseu.

Franclim Carvalho (treinador do SC Braga):

Foi um jogo encaixado e confuso. Vou realçar os três pontos. Claro que isto é exigência de clube grande, mas em 18 dias fizemos três jogos. Os jogadores têm dado uma resposta excelente. Obrigado aos meus assistentes e aos nossos adeptos.

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