Paulo Fonseca no Sporting-Moreirense (foto: Miguel Nunes)
Paulo Fonseca no Sporting-Moreirense (foto: Miguel Nunes)

Pontes para Paulo Fonseca construir

Sporting justificou plenamente a estreia vitoriosa do novo treinador, mas a exibição frente ao Moreirense voltou a mostrar que Luis Suárez é, muitas vezes, nome de uma ilha

Que golaço de Luis Suárez, a garantir estreia vitoriosa de Paulo Fonseca como treinador do Sporting. A equipa leonina justificou o triunfo frente ao Moreirense — o quarto consecutivo — mas o sucessor de Rui Borges terá identificado, agora com os próprios olhos, problemas persistentes.

A análise posterior de Paulo Fonseca foi bastante lúcida, de resto, ao destacar a agressividade e a intensidade, assumindo, por outro lado, que «há muito a melhorar com bola». É pertinente salientar, de resto, que o golo decisivo surgiu na sequência de um lance de transição da equipa leonina, talvez o único momento de empatia entre Doumbia, o médio mais ofensivo, e o ponta de lança Luis Suárez.

Apesar dos 68% de posse de bola e dos 18 remates (cinco dos quais à baliza), o colombiano voltou a ser uma ilha na frente de ataque do Sporting, tal a dificuldade coletiva para estabelecer ligações no meio-campo ofensivo, sobretudo em ataque posicional. O jogo interior continua bastante reduzido, como se ali estivesse um lago que só dá mesmo para contornar por fora.

E Trincão a ver do camarote...

É justo destacar também a pressão que o Sporting fez em zonas adiantadas — muito por influência de Silas Andersen, a aparecer mais subido no terreno —, e também a reação à perda, mas a equipa verde e branca tem mesmo muito a melhorar com bola.

É compreensível que Paulo Fonseca não tenha sido muito radical na forma como olhou para as opções, mas continua a ser difícil ver futuro num meio-campo com Altimira, Silas e Doumbia. Não pela qualidade dos três jogadores referidos, mas pela forma como (não) combinam as suas características, ainda para mais se tivermos em conta o perfil de jogadores como Luís Guilherme, Nestory Irankunda, Geny Catamo ou Jesse Derry, extremos vocacionados para jogo exterior, que raramente criam desequilíbrios com movimentos para o corredor central.

Paulo Fonseca tem mesmo de meter mãos à obra, há pontes para construir.

A iniciar sessão com Google...