FC Porto: mercado como desafio à 'antiguidade' de dois jogadores
A precisamente uma semana do arranque da pré-temporada do FC Porto, marcado para a próxima quarta-feira, Francesco Farioli sabe que, para lá das caras novas — André Silva, João Afonso e Eirik Granaas —, vai encontrar intacto o núcleo duro do plantel que conduziu ao título nacional na época transata. Como A BOLA adiantou em tempo oportuno, a SAD liderada por André Villas-Boas não está forçada a vender ativos até 30 de junho, uma vez que as contas estão equilibradas. Como tal, não é de esperar que jogadores importantes deixem o Dragão até ao tiro de partida de 2026/27, a menos, claro, que surjam nos próximos dias propostas consideradas irrecusáveis ou que algum clube bata a cláusula de rescisão de um dos principais elementos do elenco azul e branco. Um cenário considerado improvável, nesta altura.
Por outro lado, ninguém está imune à inexorável lei do mercado e é certo que, entre julho e o fecho da janela de transferências de verão, haverá movimentações nos campeões nacionais tanto a nível de entradas como de saídas. Não faltam clubes atentos a jogadores dos dragões e, em dois casos específicos, a colocação da hipótese de saída surge como ameaça à... longevidade. Falamos de Zaidu e de Pepê, os dois jogadores de campo — Diogo Costa, capitão de equipa, é caso à parte — com mais anos no plantel principal do FC Porto de forma ininterrupta.
Comecemos pelo lateral-esquerdo. A segunda metade da época transata mostrou uma versão revitalizada do internacional nigeriano. Num momento competitivo mais frágil de Francisco Moura, Zaidu aproveitou para reclamar a titularidade e, à boleia de boas exibições, ganhou peso nas opções de Farioli, precisamente numa altura em que se vislumbrava o fim de ciclo do camisola 12 no Dragão. O contrato do canhoto, de 29 anos, termina em junho do próximo ano e há clubes atentos à situação do jogador, nomeadamente em Inglaterra e Espanha. Contudo, nos escritórios da SAD portista ainda não deram entrada propostas pelo defesa, embora haja abertura para perceber o que é que o mercado pode proporcionar. Se continuar de azul e branco em 2026/27, Zaidu deverá renovar contrato, até para salvaguardar a posição do FC Porto, partindo para a sétima temporada consecutiva no clube. Os dragões pretendem contratar um lateral-esquerdo este verão, mas Moura também conta com interessados e o futuro do português pode influenciar o de Zaidu.
Pepê surge inserido num contexto diferente. Desde logo porque, ao contrário do camisola 12, o internacional brasileiro não entra no último ano de contrato — renovou até 2028 no verão passado, com mais uma época de opção. Ainda assim, como A BOLA deu conta no final de maio, a Roma tem o extremo referenciado, mas não está sozinha: emblemas de outras latitudes (novamente Inglaterra, mas também noutros continentes) seguem o número 11 do FC Porto.
Pepê é peça importante no modelo de jogo de Farioli, que valoriza sobremaneira o compromisso defensivo dos extremos. Como tal, o estatuto que cultivou ao longo da época transata mantém-se válido na temporada que vai arrancar em breve, pelo que não está nos planos da SAD abrir mão do jogador. No entanto, uma vez que o polivalente atacante tem 29 anos, uma eventual oferta que possa superar as expectativas da estrutura do futebol portista será sempre motivo de ponderação, até numa perspetiva de rentabilização do ativo. Por agora, no entanto, Pepê está firme nos planos para 2026/27.
Certo é que, se ambos continuarem às ordens de Farioli, o técnico campeão nacional terá à disposição dois elementos com muitos anos de casa... e rodagem na Champions, o que não pode ser descurado no regresso à prova milionária.