Três empates a dois e o campeão já a sorrir na frente. Foto Miguel Nunes
Três empates a dois e o campeão já a sorrir na frente. Foto Miguel Nunes

A 'rentrée' afinal foi 'reprise'

Quem esperava grandes novidades (adeptos de Sporting, Benfica e SC Braga) tem, pelo menos por agora, de contentar-se com um filme igualzinho ao que todos vimos em 2026/2027

A utilização do Francês, juro, não é fruto de exibicionismo barato. Já tinha uma ideia, mas perguntei a um LLM de IA generativa que palavras corresponderiam às do título no Português de Camões e Pessoa. O resultado comprovou os meus receios de que não caberiam numa linha, como manda o estilo gráfico do jornal de papel para estas rubricas de opinião: rentrée é uma expressão, nem sequer uma palavra — início de temporada ou abertura de época; reprise é reposição (menos mal) ou reentrada em cartaz. Fica portanto em Francês, com a devida explicação. E a justificação de que expressões como estas, utilizadas no campo das artes, são-no porque a alternativa nacional é menos eficaz. Como aquelas palavras inglesas que nos inundam e afogam todos os dias.

Bom, na verdade a explicação não era muito necessária para quem tenha acompanhado minimamente o desenrolar da primeira jornada (a rentrée) da Liga 2026/2027, porque ela foi, sem tirar nem pôr quase nada, uma repetição (reprise, num sentido mais lato) das tendências da época anterior no que aos quatro candidatos ao título diz respeito: primeiro o Sporting, com a sua propensão para querer controlar jogos quando está a ganhá-los, à espera de uma de duas coisas — o apito final ou o(s) golo(s) do (s) adversário (s), neste caso (pela 16.ª vez com Rui Borges) chegaram os golos do adversário e lá se foram dois pontos; depois o Benfica, a jogar bem ou benzinho, a criar muito, a falhar quase tudo e a distrair-se muito mais vezes do que é normal e aconselhável; vem então o SC Braga, habitualmente superior a quase todos os adversários que defronta em Portugal mas capaz, também ele e ainda um pouco mais que os outros, de perder pontos onde e quando menos se espera (desta vez no período de compensação); finalmente o FC Porto, que joga com mais intensidade que brilho, mais segurança que nota artística e... ganha.

Claro que é cedo, muito cedo, mas não deixa de ser assinalável a coincidência de a 1.ª jornada ter três resultados iguais de quem quer recuperar o título ou ganhá-lo pela primeira vez (2-2) e um resultado eficaz e pragmático, construído uma vez mais sobre coesão própria e erros alheios, de quem quer defender esse mesmo título. Para já leva dois pontos de vantagem. É pouco, a procissão vai no adro, tantos jogos que ainda faltam, o primeiro milho, candeia que vai à frente, etc. etc. (agora em Português). Tudo possíveis verdades: mas os argumentos não vão colher durante muito tempo se os rivais do campeão não arrepiarem caminho.

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