Chelsea bateu o PSG na final e sagrou-se campeão do mundo de clubes (FOTO IMAGO)
Chelsea venceu o Mundial de Clubes, disputado no verão, nos EUA

FC Porto escapou à 'maldição' do Mundial de Clubes, Benfica entre os afetados

Meses depois da competição, várias equipas europeias atravessam períodos difíceis nos respetivos campeonatos, num padrão que começa a parecer tudo menos coincidência

O que parecia, à partida, uma montra global para os maiores clubes do mundo começa agora a revelar o outro lado da moeda. Meses depois da primeira edição Mundial de Clubes, disputado nos Estados Unidos, há um padrão difícil de ignorar: várias equipas europeias que marcaram presença na competição estão a ter dificuldades evidentes nas respetivas temporadas domésticas. Uma espécie de maldição que se começa a instalar no futebol europeu.

Basta olhar para alguns dos principais campeonatos para perceber o impacto. Em Itália, o Inter - que até lidera a Serie A - perdeu fulgor recentemente, estando a passar a pior fase da época, com quatro jogos sem vencer, para além de já ter caído na UEFA Champions League, após ser claramente superado fisicamente pelo Bodo/Glimt. A Juventus vive um cenário ainda mais delicado. Atualmente na quinta posição, a vecchia signora encontra-se fora dos lugares de Champions e já foi afastada das principais competições internas e europeias.

Em Espanha, o cenário também levanta dúvidas. Se é verdade que o Real Madrid continua na Champions, também é verdade que, no campeonato, segue atrás do Barcelona - a quatro pontos de distância - e já passou por um período conturbado, que incluiu uma mudança de treinador - saiu Xabi Alonso e entrou Arbeloa. O Atlético, por sua vez, está completamente fora da luta pelo título, a 16 pontos da liderança, agarrando-se à Champions e à Taça do Rei, onde está na final.

Na Alemanha, o Borussia Dortmund também ficou aquém das expectativas, somando um atraso considerável na Bundesliga - nove pontos de distância para o Bayern -, estando, ainda, afastado da Taça e da Liga dos Campeões. Os efeitos da maldição chegaram até à Áustria, onde o Salzburgo ocupa apenas a quarta posição na fase de apuramento do campeão, depois de ter ficado em segundo na fase regular.

Em Inglaterra, o cenário é ainda mais ruidoso. O Manchester City perdeu terreno na luta pelo título - estando a nove pontos do Arsenal - e caiu cedo na Champions, enquanto o Chelsea - campeão do Mundial de Clubes - atravessa uma época caótica, longe dos lugares europeus - sexto lugar - e já com uma troca de treinador pelo meio, quando Liam Rosenior rendeu Enzo Maresca.

Enzo Maresca conquistou o Mundial de Clubes pelo Chelsea no último verão
Enzo Maresca conquistou o Mundial de Clubes pelo Chelsea no último verão

Benfica entre os afetados, FC Porto foge à regra

Em Portugal, o Benfica também não escapa a este padrão. Apesar de ainda não terem perdido esta época para o campeonato, os encarnados seguem distantes da liderança - a sete pontos do FC Porto -, num percurso que tem ficado aquém das expectativas internas. As águias caíram nas meias-finais da Taça da Liga, nos quartos da Taça de Portugal e no play-off da Champions, sendo que a conquista da Supertaça, em julho, acaba por ser a única campanha positiva numa competição. Não esquecer, ainda, que, tal como vários dos afetados por esta maldição, também o clube da Luz trocou de técnico no decorrer da época, com Bruno Lage a sair, em setembro, para dar lugar a Mourinho.

Por outro lado, o FC Porto surge como uma das raras exceções a este fenómeno. Os dragões têm realizado uma época sólida, com a liderança do campeonato, os quartos da Liga Europa e a presença nas meias-finais da Taça de Portugal, claudicando, apenas, na Taça da Liga, onde não passaram dos quartos de final. Há, contudo, um contexto importante a salientar: o emblema azul e branco sofreu uma profunda remodelação após o torneio. No verão, chegaram nomes como Jakub Kiwior, Jan Bednarek, Borja Sainz, Victor Froholdt, Pablo Rosario e Alberto Costa, com Oskar Pietuszewski, Seko Fofana, Thiago Silva e Terem Moffi a juntarem-se a estes no último mercado de inverno.

A eliminação precoce ainda na fase de grupos do Mundial de Clubes ditou, também, a saída de Martín Anselmi, com Francesco Farioli a assumir o comando técnico e a dar nova vida à equipa. Estes fatores transformaram o clube, o que parece que permitiu aos dragões ficarem imunes à maldição.

Além do FC Porto, apenas Bayern e PSG parecem resistir melhor ao impacto, muito por força da profundidade dos seus plantéis e da menor competitividade interna.

Calendário no limite

A explicação parece cada vez mais evidente: o calendário. O Mundial de Clubes terminou a meio de julho, deixando pouquíssimo tempo para recuperação antes do arranque de uma nova época. Entre viagens, desgaste físico e ausência de férias reais, os efeitos começam agora a fazer-se sentir.

Treinadores e jogadores têm alertado para o excesso de jogos, mas a realidade mantém-se. O futebol continua a acelerar e, pelo caminho, algumas das maiores equipas da Europa parecem estar a pagar o preço...