Vertonghen recorda saída do Benfica: «Correu muito mal!»
Jan Vertonghen revelou que a sua saída do Benfica, no verão de 2022, foi um processo conturbado e que os primeiros meses no Anderlecht foram os mais difíceis da sua carreira devido às circunstâncias da transferência.
Numa entrevista ao jornal belga Het Laatste Nieuws, o internacional belga recordou a forma como foi informado de que já não fazia parte dos planos do clube da Luz. «A minha saída do Benfica correu muito mal», confessou. «Compreendo o lado empresarial, mas, como dirigente de um clube, nunca teria agido dessa forma. Só no último dia do mercado de transferências é que me disseram que não iria jogar mais.»
Esta comunicação tardia forçou Vertonghen e a sua família a tomar uma decisão drástica em pouco tempo. «A minha mulher trabalhava em Portugal e presumíamos que íamos ficar em Lisboa. No final, escolhi o Anderlecht em função da minha carreira», explicou o defesa.
O impacto da mudança abrupta no agregado familiar pesou bastante no jogador. «Senti que estava a arrancar a minha mulher e os meus filhos de um ambiente onde eram felizes», lamentou. O ex-jogador do Ajax revelou mesmo ter adiado a sua viagem para os exames médicos na Bélgica para poder comunicar pessoalmente a notícia aos filhos. «Devia voar para a Bélgica na manhã seguinte ao acordo para os meus exames médicos, mas recusei. Os meus filhos ainda estavam num campo de surf e queria ser o primeiro a dizer-lhes que nos íamos mudar.»
As circunstâncias da transferência tornaram a adaptação ao clube de Bruxelas particularmente penosa. «Para mim, aquelas primeiras semanas no Anderlecht foram as mais difíceis da minha carreira como futebolista», admitiu. O sentimento só mudou após o Mundial de 2022, quando percebeu que a sua família se tinha adaptado bem à vida na Bélgica. «Vi que os meus filhos e a minha mulher, que rapidamente encontrou trabalho em Antuérpia, também estavam felizes na Bélgica. A partir desse momento, um peso saiu-me dos ombros.»
Apesar do início complicado, Vertonghen expressa gratidão pelo tempo que passou no Anderlecht. «Senti uma grande responsabilidade para com o clube, os meus colegas de equipa e os adeptos, porque o Anderlecht deu-me muito. Foi por isso que também achei tão difícil não poder retribuir sempre o que queria, devido às minhas lesões», concluiu.