Zalazar não é (nem nunca será) um Trincão. A BOLA explica...
Rodrigo Zalazar não chega a Alvalade para ser o novo Francisco Trincão. A saída do internacional português para o Al Ahli, num negócio de €40 milhões, deixa naturalmente um vazio na estrutura ofensiva da equipa, mas Rui Borges, sublinhe-se, nunca pensou preenchê-lo com uma… cópia do português. Pelo contrário. O treinador desenhou um plano específico para potenciar as características do uruguaio, a contratação mais cara da história do clube, que custou €30 milhões ao SC Braga. Um plano que A BOLA revela agora…
Primeiro ponto: o de contacto entre ambos. Sem bola, Zalazar terá praticamente as mesmas responsabilidades que Trincão. Será um dos primeiros homens da pressão, funcionando como o segundo elemento a condicionar a saída de bola adversária, função que Rui Borges sempre considerou determinante no momento defensivo. Até aqui nada de novo. É quando o Sporting tiver a posse que tudo muda.
Se Trincão era um jogador que aparecia muitas vezes no espaço interior do corredor direito para depois decidir a partir dessa zona, Zalazar terá um raio de ação muito mais alargado. Rui Borges pretende retirar-lhe essas referências posicionais e transformá-lo num autêntico ‘vagabundo’ ofensivo. A ideia passa por dar-lhe liberdade para aparecer onde o jogo pedir. Seja à esquerda, direita, por dentro ou entre linhas. O médio uruguaio terá autonomia para se aproximar dos alas, criar superioridade numérica, combinar em tabelas curtas, acelerar a circulação e assumir a batuta ofensiva sempre que encontrar espaço.
Pois bem, é precisamente aí que o trabalho de Rui Borges tem incidido nas últimas semanas: de retirar maior rendimento das características do uruguaio. Mais explosivo do que Trincão, mais forte na condução e na aceleração, Zalazar oferece capacidade diferente para transportar o jogo e atacar espaços, tornando-se um elemento menos previsível para as defesas adversárias. Mais do que ocupar uma posição fixa, será uma peça em constante movimento, procurando ligar setores e aparecer sucessivamente em diferentes zonas do último terço. Até por se trata de um jogador difícil de referenciar, capaz de criar dúvidas permanentes aos adversários e de potenciar as movimentações dos restantes colegas do ataque.
MARCADOR DE BOLAS PARADAS
Outra mudança, também significativa, prende-se com as bolas paradas. A saída já confirmada de Trincão e a de Pedro Gonçalves, em processo negocial, retiraram ao Sporting dois dos seus principais marcadores e Zalazar assumirá uma fatia importante dessa responsabilidade. A qualidade na cobrança de livres diretos, livres laterais e cantos foi, aliás, um dos aspetos valorizados pela estrutura leonina no momento da contratação e algo que, de resto, já se fez sentir na pré-época, com o uruguaio a confirmar essa qualidade extra.
Zalazar com um passe extraordinário para o excelente trabalho individual de Doumbia, o golo que permitiu ao Sporting passar para a frente do marcador diante do Nottingham Forest foi assim. 🦁
— Setor Desportivo (@SetorDesportivo) July 31, 2026
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A responsabilidade será grande. O que também ajuda a perceber a dimensão da aposta. Aos 26 anos, Zalazar foi a primeira cara nova assegurada para 2026/2027 e chegou com a missão de ser um dos grandes dinamizadores da nova ideia de Rui Borges. Fazer esquecer Trincão, nos números, dificilmente será uma tarefa imediata. O português despediu-se de Alvalade com 208 jogos oficiais, 47 golos e 45 assistências, deixando marca profunda no clube. Mas a intenção, sabe A BOLA, passou por procurar um sucessor diferente.