Dragões foram intensos frente ao Estugarda - Foto: FC Porto
Dragões foram intensos frente ao Estugarda - Foto: FC Porto

FC Porto: dragão de pulmões cheios para atacar final de época

Equipa de Farioli tem apresentado dimensão física nos últimos jogos. Estugarda foi um bom teste e na Luz o FC Porto bateu recorde de quilómetros percorridos num jogo em 2025/2026

Empenhado em reconquistar o campeonato nacional, mas também piscando o olho à dobradinha e sonhando com uma presença na final de Istambul da Liga Europa, o FC Porto apresta-se para entrar na fase decisiva da presente temporada e há um dado insofismável que salta à vista desarmada nos últimos encontros da equipa treinada por Francesco Farioli.

A dimensão física que patenteou na primeira fase da época, em que era uma espécie de rolo compressor diante de todos os adversários — tal a intensidade que os portistas exerciam em todo o terreno —, parece estar de volta nesta fase decisiva para as aspirações do FC Porto conquistar a Liga portuguesa e, quiçá, algo mais. A amostra dessa teoria deu-se na primeira parte do clássico com o Sporting, da Taça de Portugal, em Alvalade, onde os azuis e brancos aniquilaram por completo as intenções ofensivas dos leões com uma postura dinâmica em toda a largura do terreno, não deixando o opositor explanar dentro das quatro linhas uma das suas maiores virtudes: um futebol ofensivo, rendilhado e que começa a fazer mossa.

Mas a grande demonstração de força do FC Porto ocorreu na primeira parte da deslocação ao Estádio da Luz, onde a intensidade azul e branca fez a diferença no jogo e no marcador, vulgarizando por completo o conjunto treinado por José Mourinho, que não se conseguiu libertar da pressão exercida pelos 10 jogadores de campo do antagonista, uma postura que valeu os golos de Froholdt, primeiro, e pouco depois, de Oskar Pietuszewski.

A ganhar por 2-0, os dragões, porém, baixaram a intensidade no segundo tempo e sofreram na pele a ira da águia, que acabou por chegar à igualdade na reta final do encontro, graças a erros de posicionamento de toda a equipa. A entrada em jogo de Francisco Moura também não ajudou — teve uma atitude passiva ao substituir Martim Fernandes —, pois os dois golos do Benfica surgiram do seu flanco.

Muro de Estugarda derrubado

Depois da Luz, surgiu um enorme desafio para a formação da cidade Invicta ao deparar-se com um Estugarda cuja imagem de marca é em tudo similar à do FC Porto: um jogo muito intenso, de duelos individuais, com um ritmo de jogo sempre a obrigar as pulsações ao máximo. E a verdade é que os azuis e brancos superaram com distinção a prova a que foram sujeitos na primeira mão dos oitavos de final da Liga Europa, com uma exibição bastante personalizada, fortes dinâmicas e também com a lição aprendida na Luz, já que o FC Porto esteve a ganhar por 2-0 ainda na primeira parte e não entrou em desespero quando os alemães reduziram e ameaçaram marcar o segundo — que o fizeram, mas em posição irregular do português Tiago Tomás.

Os reforços de inverno vieram acrescentar qualidade e intensidade ao plantel portista, daí que não seja descabido dizer-se que, neste momento, o FC Porto consegue fazer duas equipas titulares. A gestão rigorosa feita na Alemanha possibilita a Francesco Farioli ter alguns jogadores fundamentais, como Kiwior, Martim Fernandes e Oskar Pietuszewski, frescos que nem uma alface para atacar com força o Moreirense neste fim de semana.

A época foi projetada em termos físicos já com a certeza de que seria normal haver uma quebra física da equipa e de alguns futebolistas nucleares, sobretudo Froholdt, mas, pelas últimas amostras, o FC Porto respira saúde e pretende atacar com força as intensas batalhas que se avizinham. A primeira dá pelo nome de Moreirense, que vive numa posição tranquila na tabela e irá dificultar a vida aos dragões. Se o pulmão evidenciado pelo FC Porto nos últimos jogos estiver presente em campo, a vitória fica mais perto de surgir...