Vitinha salientou, no entanto, a qualidade da Seleção Nacional

Favoritismo, pressão... e pulseiras: tudo o que disse Vitinha

Médio prestou declarações aos jornalistas, em conferência de imprensa, e abordou vários temas da atualidade da Seleção Nacional: do tema do favoritismo, ao talento português, passando pela mentalidade a ter na competição

— Como estão a ser os primeiros momentos nos EUA?

Temo-nos sentido muito bem. Tivemos o Mundial de Clubes o ano passado aqui nos Estados Unidos, já sabemos o que esperar até em termos de condições. Miami também é um sítio inacreditável e estamos desfrutar e a adaptar-nos bem. 

— Imaginava com 26 anos ser bicampeão da Europa e estar no segundo Mundial?

Posso deduzir que sim, foi sempre o que mais quis fazer, nunca quis fazer outra coisa. Talvez por influência do meu pai, não de forma direta, mas pelo facto de ele ser jogador e eu acompanhá-lo, mas foi sempre o que quis fazer. De certeza que já sonhava com isso, mas não adivinhava que o fosse conseguir. Como costumo dizer, ainda é um processo. Ganhei muitas coisas, mas quero ganhar mais, incluindo o Mundial.

— Como chega ao Mundial? Que nota dá à época que fez?

Sinto-me muito bem fisicamente e mentalmente. Nota? Não gosto de me avaliar, mas foi uma época muito boa da minha parte e do clube. Quero fechar com chave de ouro.

Portugal é favorito?

Nós não somos ingénuos e sabemos que temos uma seleção de grande qualidade, com muito talento e com jogadores que estão em grandes clubes pelo mundo. Diria até que, por isso mesmo, que nunca tivemos uma seleção assim. Contudo, isso não vale nada no papel, por isso, diria que somos candidatos pela seleção forte que temos. Favoritos? Não diria, não usaria essas palavras dessa forma. Por isso, há que ter isso bem presente. Somos uma seleção com uma grande capacidade e qualidade e há que pôr isso em prática, fazendo o melhor pela Seleção.

— O que faz com que este grupo possa conseguir algo inédito?

Se todos soubéssemos já teríamos feito. Sabemos que o que dá sempre certo é ser humildes, jogar jogo a jogo, pensar num futuro próximo e não longe demais. Depois, o talento nós temos, mas também é preciso ter muita dedicação e compromisso. É o que tentamos fazer e são os ingredientes perfeitos para que possamos sair daqui com bons resultados. É o que vamos tentar fazer. Recebemos de bom agrado a posição em que nos colocam, mas depois isso não vale de nada se não o aplicarmos dentro de campo. Estamos preparados e ansiosos, porque é o sonho de cada um, para jogar o Mundial e tudo vamos fazer para que tudo corra bem.

— Se Portugal vencer o Mundial, pensa que será Bola de Ouro?

Falta-me conquistar muito mais, não apenas o Mundial. Ainda está longe e é muito prematuro estar a falar disso. O que posso dizer é que podemos garantir dedicação e compromisso de trabalho, havendo isso estaremos muito mais perto de conquistar o que queremos. 

— O que significam as pulseiras? O Mundial será mais importante que as Champions?

Quando reunimos com o primeiro-ministro, ele ofereceu-nos esta pulseira, certificou-se que a podíamos usar dentro de campo, tem todas as especificidades para a podermos usar, com o nome de todos os jogadores, mais o nome especial do Diogo Jota. Deixou à nossa escolha se a queríamos usar e de que forma. Nós recebemo-la com bastante carinho e escolhemos usá-la todos. Mundial mais especial do que Champions? Diferente. Certamente, será muito especial ganhar um enormíssimo troféu com a seleção.

— Pensa que a RD Congo vai tentar congelar o meio-campo de Portugal? Marcar um golo pela Seleção é uma obsessão?

Tática da RD Congo? Para já não posso prever. Ainda vamos falar sobre eles, perceber o que podem fazer ou não. Mas se nos concentrarmos em nós próprios será melhor e as coisas terão tudo para correr bem.

Primeiro golo? Obrigado por referir que não tenho nenhum golo pela Seleção [risos]. Sim, sem dúvida, era algo que gostava muito de fazer, mas nunca pondo à frente do que é melhor para a equipa. Obviamente se marcar é o melhor e bom para a equipa, mas muitas vezes não surge oportunidade ou não é o melhor forçar. Se surgir, claramente vou ficar muito feliz por ajudar e ser o primeiro golo e seria o melhor momento para o conseguir.

— Sente que será preciso rodar a equipa nesta fase de grupos?

Será sempre super importante, provavelmente pelas condições meteorológicas será ainda mais, sobretudo depois de uma longa época, mais uma. Mas é para todos, a verdade é essa. Já experienciámos no Mundial de Clubes com estas temperaturas, os mesmos estádios. Sabemos que é difícil, mas é um Mundial. Não há desculpas nem condições que nos possam impedir de dar tudo pela seleção e é isso que vamos fazer.

— O facto de ser uma antiestrela pode prejudicá-lo na carreira?

Sinto-me muito bem nesse papel, mais natural, é o perfil que sou. Nunca iria mudar ou ser de outra forma para ter mais benefícios, privilégios ou o que fosse. Prefiro ser assim e tudo o que vem com isso eu gosto e prefiro que seja dessa forma. Não penso que me prejudica.

— Elogios ao meio-campo de Portugal causam mais pressão?

Em vez de pressão podemos falar de responsabilidade, faz diferença a escolha das palavras. Da minha parte, dos outros médios e dos outros jogadores, só podemos garantir muito trabalho e dedicação. Vamos deixar tudo em campo pelo que representa jogar o Mundial e também por toda a nação. É sempre especial quando representamos a nossa nação, os nossos amigos, a nossa família. Podemos prometer isso. 

— Tema do favoritismo é conversa entre jogadores?

Não falamos disso diretamente, a dizer que devemos ou não pôr a fasquia alta. Já todos temos muita experiência de clubes e de Seleção para saber que as competições se ganham pensando no futuro próximo. No presente, no momento, no jogo que vem a seguir. Se fizermos isso estamos muito mais perto de ganhar. Pensar jogo a jogo, é cliché mas funciona. Pensar na RD Congo, o que fazer, estudar bem o jogo, dar tudo e, esperemos, ganhar. Depois fazer o mesmo no segundo, terceiro, se passarmos, e espero que sim, nos 16 avos e nos outros todos.

— Como são as condições do hotel? Que mensagem quer deixar aos emigrantes portugueses nos EUA?

São ótimas. É o segundo dia, estamos a habituar-nos ao horário, ao descanso, ao calor, mas a habituar bem e a gostar. Deixo mensagem de agradecimento, principalmente, Fomos muito bem recebidos no aeroporto, no hotel, aqui no centro de treinos. O que lhes posso garantir é o que disse antes: muito trabalho, dedicação e que saibam que temos muito orgulho em representar Portugal. Não é novidade para mim e outros da seleção saber o quão os emigrantes têm Portugal no coração, o quão difícil é estar longe do seu país. Passo por isso em França e sei de muito perto a quantidade de pessoas que têm muito amor por Portugal estando longe do país. Isso podemos garantir. 

A iniciar sessão com Google...