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— Em termos pessoais, foi uma estreia no Estádio da Luz com uma goleada por 5-0 e o apuramento para a próxima fase. Qual é o sentimento?

— Tinha dito que o mais importante para nós era ganhar o jogo e dar a volta à eliminatória, sendo a nossa estreia em termos oficiais no Estádio da Luz este ano. Foi a minha estreia também, mas isto não é sobre mim ou sobre ser o meu primeiro jogo. Vínhamos de um resultado negativo de que não gostámos, não nos sentimos bem no final do último jogo e tínhamos de retificar isso. Ganhámos. É sempre positivo ganhar em nossa casa, com os nossos adeptos. Fizeram a parte deles: ter o estádio como estava, com muito apoio a empurrar a equipa para a frente, é fundamental. Queriam que déssemos a volta à eliminatória e foi isso que conseguimos. Houve muito apoio da parte deles e agradeço-lhes por isso.

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— O que mudou numa semana para haver esta diferença entre o Benfica que vimos na Suíça e o Benfica de hoje?

— Como disse no final do último jogo, tínhamos de melhorar em vários aspetos e fomos capazes de o fazer. Percebemos melhor e fomos mais fortes na forma de ultrapassar a marcação homem a homem. O adversário não alterou absolutamente nada: veio pressionar no campo todo com muito espaço nas costas. Tínhamos de arranjar soluções para bater essa pressão, conseguimos em muitos momentos e fomos pacientes para as encontrar. Melhorámos muito e o Pavlidis fez um grande jogo no apoio frontal. Não apenas pelos golos que marcou — o que torna a exibição muito completa —, mas pelo que fez no momento de ligação. Sabíamos que tính tínhamos de usar essa solução perante a marcação individual aos nossos três médios. Melhorámos na forma como ligámos o jogo e conseguimos chegar às zonas mais adiantadas do terreno para criar oportunidades. Defensivamente, a postura junto à nossa baliza foi diferente. Durante 80 minutos fomos muito competentes sem bola, tirando um remate perigoso do adversário na primeira parte. Depois dos 80 minutos já não fomos a equipa que temos de ser e vamos ser. Em superioridade no marcador e em número de jogadores, não podemos permitir transições ao adversário. O rigor tem de ser o mesmo do princípio ao fim. Não sofrer golos era fundamental, tínhamos de marcar no mínimo dois e conseguimo-lo. Fomos melhores, ganhámos com justiça e retificámos coisas da semana passada, mas foi apenas mais um jogo. Temos de nos preparar para o próximo porque há um caminho muito longo a percorrer.

— Pode confirmar se foi o último jogo do António Silva pelo Benfica e se houve da sua parte alguma tentativa para o manter?

— Sendo claro em relação ao António: fui-vos dizendo qual era o meu sentimento desde o primeiro dia em que cheguei ao Benfica. É uma decisão que estava na cabeça dele. Entre a direção do Benfica e os seus representantes aconteceram as conversas que tinham de acontecer pouco tempo depois de eu chegar. A decisão de o jogador possivelmente não ficar connosco já estava mais ou menos definida. A mim compete-me tirar o rendimento máximo dos jogadores enquanto estiverem no Benfica. O António foi profissional desde o primeiro dia em que comecei a trabalhar no clube. Independentemente do que pudesse estar a acontecer em relação ao futuro dele, nunca me pediu absolutamente nada fora do normal nem fugiu às suas obrigações enquanto profissional. Garanto-vos isso. Quer na pré-temporada, quer nos dois jogos oficiais, esteve sempre totalmente presente. Por isso mesmo jogou hoje. Possivelmente o Benfica irá informar-vos muito em breve, mas posso dizer que foi possivelmente o último jogo do António. Digo possivelmente porque há questões burocráticas entre clubes que não controlamos, mas sim, é provável que tenha sido o último jogo dele.

— A entrada do Leandro Barreiro no onze inicial foi a grande chave?

— Não foi só o Leandro. Estaríamos a ser injustos com o Miguel se colocássemos o Leandro como o único jogador-chave para o que mudou. O Miguel esteve a um nível aceitável. Portanto, não teve a ver apenas com o Leandro. O Leandro trouxe-nos coisas boas, vinha a fazer uma boa pré-temporada e conhecemos a intensidade que coloca no jogo e a sua capacidade de trabalho. Mas a mudança não se deveu apenas a essa alteração. A equipa percebeu muito melhor os momentos do jogo, como abrir espaços para a bola entrar nos homens da frente e fomos mais sólidos. A melhoria do Pavlidis nesse apoio frontal foi uma das chaves do jogo. O Leandro fez uma exibição positiva, tal como a equipa. É sempre importante ter todos os jogadores disponíveis e a ausência dele na semana passada, depois de ter feito quase a pré-época toda a jogar, tinha sido uma baixa para nós.

— Quando é que pode confirmar a chegada de um central novo para o lugar do António Silva? Vai pedir rapidez ao presidente no reforço do plantel?

— Já perceberam que recebo as notícias um bocado lentamente, portanto vão ter de esperar um pouco mais. Não há grandes novidades aqui, muito menos em relação ao mercado de saídas ou entradas. Com a saída de um central, a estrutura do Benfica está a fazer o possível para que entre outro o mais rapidamente possível. Nos últimos 15 a 20 dias andámos praticamente apenas com o António e com o Lenglet, além de alguns jovens. O Tomás Araújo já jogou 45 minutos na semana passada e agora a situação vai inverter-se. Vamos continuar a preparar o Tomás nos treinos. Quanto mais depressa chegar um reforço, melhor será para nós — não só pelo número de opções, mas porque um jogador precisa de tempo de adaptação. Não é só chegar e estar pronto. Alguns jogadores que hoje entraram vindos do banco tinham apenas quatro sessões de treino e notou-se essa dificuldade. Quem chega tem de conhecer a dimensão do Benfica e adaptar-se à nossa ideia de jogo, e isso demora o seu tempo. A direção está a fazer tudo o que é possível para que os reforços cheguem o mais rápido possível.

— Pavlidis fez uma grande exibição. Tem a garantia interna de que o jogador não vai sair?

— Temos alguns jogadores que são fundamentais para nós. A equipa e o clube estão sempre acima de tudo, mas há peças que não queremos perder de maneira nenhuma. O Pavlidis é um jogador muito importante para mim. Não apenas pela capacidade de marcar golos, mas pelo trabalho sem bola e por tudo o que dá à equipa na nossa forma de jogar. É um jogador fundamental. Neste momento estou muito feliz pelo Pavlidis e nada preocupado.

— Em que momentos do jogo é que já se nota o seu cunho na equipa?

— Ainda temos de melhorar muito. De um jogo para o outro tínhamos de evoluir em praticamente todos os aspetos. Este foi o nosso segundo jogo oficial, perante um adversário com uma forma de jogar muito específica que nos obrigou a seguir caminhos que talvez não sigamos contra outros adversários. Já se viram algumas ligações que pretendemos, mas não quero estar a particularizar. Ganhámos o jogo, estamos na próxima eliminatória e estamos satisfeitos por isso, mas há muito a melhorar. Estamos a competir em jogos decisivos enquanto fazemos a pré-temporada com uma equipa técnica nova. Isso leva o seu tempo, mas entretanto temos de ir ganhando. Estar na fase de grupos é importantíssimo, mas temos de ir ultrapassando eliminatória a eliminatória. Fizemos o que nos competia e para a semana há mais.

— Qual é o impacto que uma vitória por 5-0 pode ter no grupo?

— Espero que tenha um impacto positivo nos jogadores e que transmita a confiança de que os nossos adeptos precisam. É um bom sentimento da minha parte neste primeiro jogo em casa, mas o mais importante foi a resposta do Benfica após um resultado negativo. Os adeptos apoiaram a equipa do início ao fim e os jogadores sentiram isso. Espero que este resultado dê a confiança necessária. Jogar com o apoio dos nossos adeptos tem de ser a alma desta equipa. Eu já esperava este ambiente. Mesmo depois do resultado negativo na Suíça, colocámos mais de 20 mil pessoas num jogo de treino no dia seguinte, o que demonstra a grandeza deste clube. Agradeço o apoio e para a semana esperamos o mesmo ambiente no Estádio da Luz. Com eles seremos sempre mais fortes.

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