Foto: Rogério Ferreira/Kapta+
Foto: Rogério Ferreira/Kapta+

Farioli juntou a ‘famiglia’ e eis o bingo do campeão (crónica)

Vitória foi magra, mas saborosa. Bednarek marcou o único golo de uma partida em que o visitante nunca desistiu de estragar a festa. Ainda se ouviram assobios, mas a maioria decidiu celebrar antes do fim

Quando o FC Porto divulgou o vídeo de Natal, já lá vão uns bons meses, Francesco Farioli apareceu como o anfitrião que juntou à mesa a famiglia portista, termo cunhado pelo próprio. Entre as brincadeiras mais criativas desse vídeo, houve um pormenor que hoje vale a pena recordar: no bingo, o número que saiu foi o 31 e todos os jogadores o reclamaram para si. Mas «é nosso», sublinhou Pepê, um dos sobreviventes de 2024/25, que sabe bem o que passou até voltar a sorrir daquela forma.

E assim foi. O 31 (número de Ligas conquistadas) é mesmo do FC Porto e o bingo foi alcançado esta noite, com a vitória sobre o Alverca, ainda que o empate em Famalicão (tão festejado no Dragão!) dispensasse a necessidade dos três pontos.

Farioli, o treinador que em poucos meses deu andamento ao agora campeão nacional, bem foi travando festejos antecipados desde esse vídeo natalício (e sim, houve momentos em que a equipa quebrou e até tremeu), mas a queda abrupta que muitos aguardavam, à Ajax, nunca aconteceu, e o título foi para quem, não por acaso, esteve sempre na liderança.

COMO DIZER CAMPEÃO EM POLACO

Entraram sem euforia os dragões e com personalidade os de Alverca e talvez por isso os primeiros 20 minutos só tiveram um remate enquadrado à baliza - e sem perigo. Ao som de «Eu quero o Porto campeão», as bancadas pediam mais, já que os golos dificilmente caem do céu como a chuva que entretanto carregava forte na Invicta.

O golo ia mesmo chegando, aos 24 minutos, mas depois da bola na barra de Froholdt, a recarga de Kiwior para o fundo das redes não valeu. O lance nem galvanizou o FC Porto nem abanou o Alverca, que se mantinha unido a defender e ainda conseguia aproximar-se algumas vezes da baliza de Diogo Costa - o maior susto foi quando Chiquinho se viu frente à muralha polaca e o corte de Bednarek foi fundamental para travar a investida.

O capitão sem braçadeira dava o exemplo atrás e mostrava como se faz à frente: foi dele o primeiro e único golo da noite, aos 41’, após um daqueles cantos cobrados na perfeição por Gabri Veiga. Foi à mistrz, campeão em polaco, diz-me o Google.

Começou finalmente a correr bem ao FC Porto e começou Oskar Pietuszewski a correr até à área. Mas o resultado manteve-se até ao intervalo e os azuis e brancos recolheram ao balneário com os adeptos já a fazer a festa.

DOS ASSOBIOS AOS «CAMPEÕES»!

Mudou Farioli para a 2.ª parte, com a entrada de Alan Varela e Martim Fernandes para os lugares de Kiwior e Zaidu, passando Pablo Rosario, o faz-tudo, a central. Não entrou bem o lateral adaptado à esquerda, pois um mau passe deixou Sandro Lima tentar o chapéu - o brasileiro falhou, para descanso dos dragões, mas a impaciência dos adeptos foi crescendo e, depois de uma defesa de Diogo Costa e de uns cantos perigosos do Alverca, houve mesmo assobios no estádio do campeão (rapidamente calados pelo restante público, diga-se).

Foram mexendo os treinadores mas nada se alterou: a vitória foi magra, mas saborosa. Ouviu-se «o campeão voltou» e ainda antes do apito final o título era celebrado. Nem um ano passou desde o 3.º lugar e o vergonhoso Mundial de Clubes. Pode dizer-se que Villas-Boas também fez bingo ao escolher Farioli!

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