Falta de vitamina D e os escaldões
Enquanto neste retângulo na ponta da Europa o pessoal que corre para a praia assim que há raios de sol quentinho em abril discute os momentos de praia de alguns jogadores da Seleção Nacional antes da estreia no Mundial 2026, noutras paragens há quebras de rotina encaradas com naturalidade: Haaland vai a um jogo de hóquei no gelo, Harry Kane a um concerto de música country, e Lamine Yamal faz um coisa mais mundana - ir a um supermercado sem ser reconhecido.
Um estágio tão intenso como aquele requerido para um Mundial é psicologicamente desgastante para todos os envolvidos e com tantas seleções envolvidas, houve decisões para todos os gostos: precisamente Noruega e Inglaterra chegaram bem cedo para se adaptarem ao sol americano, era vê-los com os calções arregaçados e t-shirts mínimas, para deixar a Vitamina D atuar; já os ingleses abusaram da benesse, que o diga Declan Rice, que não escapou a um escaldão. Por acaso estes ganharam os seus jogos. Portugal foi mais em cima da hora e escolheu assim aclimatizar-se. Não custava nada ter falado disso na altura, antes de Rúben Dias ter sido tão altivo nas explicações que antes não foram dadas pela FPF, que permitiu a toma de imagens desses momentos. Se o jogo com a RD Congo tivesse dado em vitória, isto seria ainda assunto? Acabou por haver escaldão, mas de outro calibre.
Neste espaço já várias vezes das desigualdades entre homens e mulheres atletas no contexto de parentalidade. A polémica em volta da escolha que o belga Doku em acompanhar de perto o nascimento do primeiro filho espanta-me, mais ainda por ter sido uma mulher a questionar o que ia o pai lá fazer. Ao mesmo tempo, o norueguês Ostigard assistiu, através de videochamada, ao nascimento do seu filho, acompanhando a mulher como pôde. Tudo se reduz a uma escolha que jogador, o pai, deve poder fazer. Se calhar umas horas na praia ajudavam a espairecer.
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