Jeremy Doku criticado - Foto: IMAGO

Apresentadora critica Doku por querer assistir ao parto da mulher durante o Mundial

«O pai não serve para nada, só para segurar a mão e tirar fotos», disse France Pierron, do canal La Chaîne L'Équipe

France Pierron, jornalista do canal La Chaîne L'Équipe, gerou controvérsia ao defender que participar num Mundial de futebol é mais importante do que assistir ao nascimento de um filho, descrevendo o momento como «nojento».

A polémica surgiu durante o programa L’Équipe de choc, transmitido na sexta-feira, 19 de junho, quando a apresentadora France Pierron lançou o debate: «Pode-se abandonar o Mundial para assistir ao nascimento de um filho? Um Campeonato do Mundo é mais importante que um parto?».

A questão foi motivada pela recente declaração de Jérémy Doku, internacional pela Bélgica, que afirmou a sua intenção de regressar a Inglaterra para estar presente no parto da sua mulher Shireen, mesmo que isso significasse abandonar a competição durante os quartos de final do Mundial.

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«Dependerá do momento em que acontecer, mas é o meu primeiro filho, por isso gostaria mesmo de estar lá», explicou Doku aos jornalistas, acrescentando: «Ninguém quer perder o nascimento do seu primeiro filho. Mas também sei que o futebol implica muitas outras considerações. Sei que a federação apoia os seus jogadores e compreende as suas situações. Veremos o que se pode fazer».

A decisão do jogador dividiu opiniões, tanto na Bélgica como no estúdio do programa. Antes de passar a palavra aos seus convidados, o campeão olímpico de boxe Brahim Asloum e o comentador desportivo Yoann Riou, a própria France Pierron expressou a sua indignação.

«Vou começar porque isto me escandaliza particularmente. Não sei se é por ser mulher ou por ser um pouco retorcida e não ter coração. Mas não compreendo», afirmou. «Quando se tem a sorte de participar num Campeonato do Mundo, que é uma felicidade inaudita e um sonho de criança, vais deixar tudo para assistir ao nascimento do teu filho, que é um momento nojento, desculpem-me, onde o pai não serve para nada, tem um papel de figurante?...».

A sua declaração foi imediatamente interrompida por Brahim Asloum: «Como assim, não servimos para nada?». A jornalista insistiu: «Não serves para nada. Seguras na mão ou tiras uma fotografia». O ex-pugilista questionou quem dá apoio, ao que Pierron retorquiu: «Ótimo, a parteira não o pode fazer?».

A apresentadora argumentou ainda que o jogador não conseguiria regressar à competição em condições após «perder 10 horas» num voo, sentir-se «cansado» e sofrer um «choque emocional». Asloum, chocado, contrapôs: «France, não te posso deixar dizer isso. Em termos de emoção pura, isso dar-me-ia uma força incrível. Estás a brincar ou quê?».

No entanto, Pierron manteve a sua posição: «O teu bebé estará sempre lá. Vais fazer 20 horas de viagem. Vais sair completamente do teu Mundial. Ficarás exausto com a emoção e não podes falhar um Mundial. Há pessoas que talvez tenham pedido um empréstimo, sacrificaram tudo para vir ver o jogo. E tu não vais para cortar um cordão umbilical».

Brahim Asloum defendeu que um evento como este pode, pelo contrário, potenciar o desempenho de um atleta. «Eu correria três vezes mais rápido. Estaria menos cansado. A imaginar a chegada do meu bebé, a alegria, a estimulação, as hormonas. Já estaria no avião a fazer flexões», declarou, lembrando que «um bebé é para toda a vida».

A jornalista repetiu que «ele estará sempre lá», mas o ex-atleta sublinhou a diferença: «Um Campeonato do Mundo, podes ganhá-lo ou perdê-lo. Assim que passa, passou. Mas o teu filho, tê-lo-ás para a vida». Sem se deixar convencer, Pierron questionou: «Mas ele estará sempre lá. Vai guardar-te rancor por não teres cortado o cordão?».

Asloum tentou uma última abordagem, focando-se na parceira do jogador: «Há algo que é importante para mim: é o momento mais importante da vida da tua mulher. E é, sem dúvida, o momento mais difícil e emotivo da vida dela». A resposta de Pierron foi taxativa: «Estás sob o efeito de drogas, não percebes nada». O ex-pugilista concluiu: «A única pessoa que ela quer é ter o seu homem ao seu lado. Eu compreendo tudo, o desporto, para mim, é a minha vida. Mas este momento é único. E, na verdade, se o perderes, nunca mais o poderás recuperar».

A discussão culminou com a jornalista a lamentar a sua posição isolada no painel. «Estou sozinha no mundo», afirmou, depois de Asloum ter sugerido que «eventualmente, podes ter outro filho», mas que a emoção do momento do nascimento é única.

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