Arthur Cabral, avançado do Botafogo
Arthur Cabral, avançado do Botafogo

Ex-Benfica aborda saúde mental e confessa: «Gostávamos de Anselmi, mas...»

Arthur Cabral atravessa bom momento no Botafogo sob o comando de Franclim Carvalho

Arthur Cabral, avançado do Botafogo, superou um início de ano difícil, marcado por uma seca de golos que durou quase dois meses, e vive agora um grande momento de forma, somando já nove golos em 2026. Numa entrevista ao Globoesporte, o ex-Benfica abordou a importância do fator psicológico para ultrapassar a fase negativa, que culminou com um hat trick frente ao Corinthians.

O ponta de lança esteve sem marcar entre 4 de fevereiro e 1 de abril, um período que o levou a refletir sobre a saúde mental e a necessidade de manter a confiança em alta.

«É complicado. A principal função do ponta de lança é fazer golos. Quando passamos um, dois, três, quatro jogos sem fazer golo é complicado. Parece que a bola está a fugir de nós. É tentar manter a positividade. Isso entra até na conversa psicológica, de tentar manter a confiança em alta», afirmou Arthur Cabral.

O jogador admitiu a complexidade da mente de um atleta, sublinhando como a falta de confiança pode afetar o rendimento: «A nossa mente é muito complicada. Às vezes pensamos que desaprendemos a jogar, mas são pensamentos que vêm e vão. O nosso psicológico é complicado, subestimamos muito. A falta de confiança no dia a dia faz diferença, até no treino as coisas não saem.»

A superação e o regresso aos golos

O fim do jejum aconteceu na vitória por 3-2 sobre o Mirassol, para o Brasileirão, com um golo de belo efeito. Desde então, em menos de dois meses, Arthur Cabral marcou oito golos, transformando as críticas em elogios no Estádio Nilton Santos. Quatro desses golos foram decisivos, ajudando o Botafogo a recuperar de desvantagens contra equipas como o Caracas, Coritiba, Racing e Atlético Mineiro.

«No futebol aprendemos a lidar com muitas coisas e somos forçados a isso. Temos de saber lidar com críticas e elogios», explicou, acrescentando que a sequência de jogos pode ser benéfica para dar a volta a um mau resultado: «Fizemos uma partida desastrosa [contra a Chapecoense], uma das piores do ano, e depois ganhámos a um rival.»

Apesar de reconhecer a importância do acompanhamento psicológico, citando o exemplo de Richarlison, Arthur Cabral revelou que ainda não deu esse passo: «Já pensei em ter, mas não me senti confiante e confortável para me abrir com outra pessoa e detalhar tudo. Mas acho que para quem consegue é muito importante. Quem está dentro do futebol sabe a pressão e a dificuldade que passamos, é muito subestimada.»

O 'hat trick' e a adaptação tática

O ponto alto desta reviravolta foi o hat trick na vitória por 3-1 sobre o Corinthians. «Foi fantástico, um dia ímpar. Foram três golos numa partida importante, contra uma equipa gigante, no domingo, em horário nobre. A minha família estava a assistir, a minha esposa estava no estádio», recordou.

O avançado elogiou também o trabalho do treinador Franclim Carvalho e a sua adaptação a um sistema com dois avançados, que prefere em detrimento de jogar isolado na frente, como acontecia com o técnico anterior, Anselmi (ex-FC Porto).

«Tenho gostado do trabalho dele [Franclim]. Taticamente é um estilo de jogo que ajuda muito, ele dá instruções para ter mais jogadores perto de mim. Jogamos com dois avançados, o que divide a responsabilidade e dificulta para os defesas. Gosto muito de jogar assim», concluiu.

Depois de marcar um hat trick contra o Corinthians, o avançado Arthur Cabral está motivado para manter a veia goleadora no próximo jogo do Botafogo.

O jogador atravessa um bom momento, tendo recuperado a titularidade sob o comando de Franclim Carvalho, depois de um período em que perdeu espaço para Matheus Martins. A sua ascensão começou com o técnico interino Rodrigo Bellão, que o promoveu a titular absoluto.

Sobre a mudança de treinador, Arthur Cabral esclareceu que a equipa gostava do anterior técnico, Anselmi, mas os resultados não estavam a aparecer.

«É muito complicado falar de treinador e mudança. Dá a impressão de que estava tudo errado, mas não era. Nós gostávamos do Anselmi, mas infelizmente não funcionou. Tivemos uma sequência de resultados muito má», afirmou o avançado.

O jogador destacou ainda as semelhanças entre as ideias de Bellão e do atual treinador, Franclim Carvalho, focadas num estilo de jogo mais ofensivo. «Veio o Franclim, já faz as coisas bem parecidas... de pedir mais ofensividade, um jogo mais rápido, mais objetivo, de rematar mais à baliza, de pisar mais na área, de ter mais cruzamentos. Acho que encaixou bem. A nossa equipa respondeu bem às instruções do Bellão e agora com o Franclim. O coletivo impulsiona o individual», concluiu.

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