Benfica refém do Real Madrid ou como Klopp e Haaland podem tramar Mourinho
O Benfica vive um paradoxo geográfico e temporal que ameaça o planeamento da próxima época. E, enquanto os adeptos desesperam por fumo branco, rezam as crónicas que o futuro do comando técnico das águias não se decide... na Luz, nem sequer em Lisboa, mas sim nos bastidores de Madrid. O que levanta a questão: está o Benfica congelado por um braço de ferro eleitoral no Bernabéu?
A figura central deste tabuleiro é José Mourinho. O Special One não se decide nem permite que o Benfica decida enquanto não houver a certeza absoluta sobre o destino de Florentino Pérez.
Este sábado é o dia D: a junta eleitoral do Real decidirá se aceita a candidatura de Enrique Riquelme. Aos 38 anos, o jovem empresário surge como uma reedição madrilena do fenómeno André Villas-Boas, personificando a mudança e o vento de futuro contra o legado histórico e o statu quo do atual presidente.
Riquelme não vem de mãos a abanar: apresenta como trunfos Jurgen Klopp para o banco e a potência Erling Haaland para o ataque.
Se a candidatura for aceite, como se antecipa em Espanha, o Benfica entra em modo de suspensão profunda. As eleições merengues seriam a 7 de junho e Mourinho, que espera pacientemente para perceber se Florentino mantém o trono, não deverá assinar nada antes disso.
Ou seja, estamos perante cenário surreal: serão os sócios do Real Madrid a definir, indiretamente, quem treinará o Benfica. Se Florentino cair como caiu Pinto da Costa no FC Porto, o castelo de cartas da Luz desmorona-se.
Entretanto, o plano B (na realidade, o A) também joga noutro tabuleiro. Marco Silva, o alvo escolhido para dar uma nova alma ao futebol encarnado, cumpre este domingo a última jornada da Premier League com o seu Fulham. E só a partir de segunda-feira se sentará com a administração londrina para ouvir a proposta de renovação.
Já o Benfica está no meio deste fogo cruzado entre Londres e Madrid, refém de um treinador que espera por um convite Real e de outro que espera por uma clarificação contratual em Inglaterra.
O risco para Rui Costa é imenso. Esperar por Mourinho até 7 de junho pode significar perder Marco Silva para o Fulham e ficar com o mercado de treinadores reduzido a cinzas se o Special One optar por Madrid ou pela Arábia.
Certo é que a Luz não deveria ser sala de espera para sonhos alheios. Entre Klopp poder tramar Mourinho e o Real Madrid ditar o destino das águias, o Benfica arrisca-se a ficar no gelo enquanto os rivais já se preparam afincadamente para o calor do verão...