Evolução silenciosa de Neemias nos Celtics
Com os Celtics a realizarem uma época acima de todas as expectativas que, a cerca de metade da regular season os coloca como a segunda melhor equipa da Conferência Este (29 v-17 d), apenas atrás dos Pistons (33 v-11 d) e quinta de toda a Liga, o jornalista da Azad Rosay, do site SB Nation, fez uma análise à prestação da formação de Boston tendo como foco o poste português Neemias Queta, intitulando o artigo «Same jersey, diferente job: Neemias Queta (A mesma camisola, trabalho diferente: Neemias Queta)».
Nesse artigo Rosay analisa as maiores diferenças estatísticas entre a época passada e a atual para perceber como os jogadores dos Celtics têm evoluído mantendo a mesma camisola.
Nem todas as mudanças de função implicam uma transformação de identidade. Por vezes, trata‑se apenas de preencher uma necessidade e diz que a temporada de Neemias, a terceira em Boston em cinco anos de NBA, é um exemplo disso.
No arranque da época, esperava‑se que o papel do poste luso evoluísse, mas havia quem duvidasse quanto. Para Azad Rosay a resposta surgiu rapidamente. Os minutos por jogo aumentaram mais de 10, um dos maiores saltos no plantel. A utilização ofensiva praticamente não se alterou (+1,3%) e a eficiência de lançamento manteve‑se estável. Isto sem que os Celtics lhe tenham pedido para ser alguém diferente, apenas para que ocupasse o espaço deixado pela saída de Luke Kornet para os Spurs. O poste que estava à sua frente na rotação atrás de Kristaps Porzingis (Hawks) e Al Horford (Warriors), que também deixaram a equipa.
Para o jornalista, a responsabilidade nota‑se primeiro nos detalhes. A taxa de turnovers caiu de forma acentuada (-5,1%), enquanto a taxa de assistências se manteve. Queta passou a tocar mais vezes na bola sem perturbar o ataque dos Celtics, que se mantém muito focado no lançamento exterior, faz leituras rápidas e integra‑se naturalmente na sequência das jogadas. Isto ainda que o seu papel não seja o de ser um criador ofensivo, mas ligar ações e abrir espaço através de bloqueios.
Azad Rosay salienta que Neemias finaliza um pouco menos perto do cesto e arrisca ligeiramente mais lançamentos de média distância, mas nada indica maior liberdade ofensiva.
A pequena quebra no número de lançamentos assistidos reforça essa ideia: Queta continua a ser um finalizador — apenas mais fiável, com maior volume e muitas vezes frente a cinco iniciais adversários.
No entanto, é na defesa que o impacto se torna mais evidente. As taxas de desarmes (+0,3%) e roubos de bola (+0,6%) subiram, sinal de maior atividade. Mais relevante ainda: os Celtics sofrem menos 10 pontos por 100 posses com ele em campo. «Esse diferencial não se explica por jogadas vistosas, mas por posicionamento, dissuasão no aro e solidez estrutural».
Outro indicador discreto, mas relevante, são as assistências através de bloqueios. Queta regista uma média de 1,7 dessas assistências por partida, reflexo da frequência com que influencia a jogada antes de lançamento ser realizado.
Cria espaço sem precisar da bola, algo essencial no ataque de Boston, sobretudo num ano com menos espaçamento do que o anterior.
Azad Rosay conclui que a época de Neemias Queta não é sobre mudar quem é. É sobre afinar o que já fazia bem e ampliar o impacto. Menos erros, mais repetições, presença defensiva estabilizadora. A mesma camisola, um trabalho diferente — e cada vez mais valioso.