Nós acreditamos
1
Aconteceu o resultado que não podia ter acontecido. Mas que é o melhor possível para a conclusão que já tinha tirado mas que precisava de um período de baixa para a poder tirar. O Vitória venceu a Taça da Liga, com todo o brilho e merecimento, antes do reinício do campeonato, leia-se início da segunda volta.
As expectativas não eram, mas ficaram, as mais altas possíveis. Porque vencemos sem sortes nem ajudas, tombando gigantes. Estávamos, nessa altura, em 7.º lugar a dois pontos do 5.º lugar — objetivo para este campeonato. Entraríamos, por isso, na segunda volta do campeonato com confiança máxima naquilo que os nossos rapazes seriam capazes de fazer.
2
Mas a verdade é que, entrados agora na segunda volta, saímos derrotados nos dois primeiros jogos, em casa contra o FC Porto e agora fora, em casa do Estoril. Surpresa? Desânimo? Talvez ambos, talvez nenhum. Mas esta história não termina aqui, nem estes jogos passam uma esponja sobre o elevado mérito com que conquistámos a Taça da Liga.
O Vitória bateu-se galhardamente contra o FC Porto, saindo derrotado mas de modo completamente injusto. Todos viram um grande jogo do Vitória, olhos nos olhos com o 1.º classificado, sem qualquer receio, a dominar o jogo e a ter as principais oportunidades. Não tivemos a sorte do jogo mas fizemos tudo para a ter.
Contra o Estoril — jogo que não pude acompanhar com a atenção devida por me encontrar fora do País — vi um jogo mexido, de incerteza no resultado, com o Vitória duas vezes na frente do marcador, que tanto podia ter caído para um lado, como para o outro. Infelizmente caiu para o lado que menos nos interessava, o que creio não deslustrar a exibição e a postura da equipa. É claro que vitórias morais não nos levarão ao nosso objetivo, mas não é esse o meu ponto.
3
O meu ponto é um paralelismo com o Manchester United. Com toda a admiração que tenho por Ruben Amorim como treinador de futebol, não há como reconhecer que a sua saída — justa ou injustamente — teve um efeito psicológico nos seus jogadores que passaram de exibições e resultados medíocres para vencerem duma assentada os dois primeiros classificados da Premier League. Os mesmíssimos jogadores.
Sejamos justos, não é trabalho de Michael Carrick, que não teve tempo para isso. É um conjunto de fatores, de natureza psicológica, que contribuem para esse choque elétrico em todo um plantel.
O paralelismo com o nosso Vitória é simples: nós já descremos neste plantel e passámos depois a crer imenso nele. No mesmo plantel. A nossa inconstância não pode ser tanta que já tenhamos passado a descrer novamente. Ou seja, já vimos do que estes rapazes são capazes, já vimos que apesar deles terem muito maior valia potencial que atual, têm a valia atual bastante para atingir os objetivos que todos fixámos para esta época.
A segunda volta não começou da melhor forma mas, gratos pelo que já nos conquistaram e já mais conhecedores do que eles são capazes, temos de ser nós a mostrar-lhe que confiamos neles, que sabemos que eles são capazes, que conhecemos a sua capacidade e o seu potencial e que , por isso mesmo, acreditamos neles.
Confiamos que aquela equipa de jovens tenha a capacidade suficiente para conseguir atingir os objetivos que todos pretendemos. E essa confiança é um aditivo fundamental para o que temos pela frente. Se não formos os maiores inimigos de nós próprios vamos crer, vamos ajudar, vamos empurrar. Numa palavra, vamos confiar. No fim, fazemos as contas.