Que chatice, o Benfica goleou
José Mourinho tem evitado algumas conferências de imprensa, sobretudo em semanas europeias, evitando falar na terça-feira (antes do jogo), quarta (a seguir ao jogo), sábado (antes do jogo da Liga), domingo (depois do jogo da Liga), terça outra vez (antes de novo jogo europeu) e outra vez na quarta (a seguir ao jogo europeu).
Considerando que as quatro conferências de imprensa europeias são obrigatórias e a conversa com os jornalistas a seguir ao jogo nacional também, a vítima é sempre a antecipação do duelo do campeonato. Anteontem, coincidiu com a entrada de adeptos no Seixal, para falarem da situação do clube com o próprio treinador, com os capitães, com os dirigentes presentes — Mário Branco e Simão Sabrosa. Como não houve conferência, Mourinho não pôde falar sobre o que aconteceu.
Mas depois duma noite em que tanta coisa correu tão bem — de Pavlidis a marcar de cabeça, uma raridade, à exibição magnífica de Sidny, com estreia a marcar, até à participação feliz de dois miúdos campeões do mundo de sub-17 no último golo ao Estrela, Banjaqui (que foi titular) e Anísio Cabral (um minuto depois de entrar...) —, adivinhava-se um Mourinho mais solto, mais conversador.
Em vez disso, tivemos um treinador com ar de frete. Quem o viu, facilmente pensará que estava aborrecido com a goleada — se calhar, ganhar por um ou dois golos teria dado mais jeito, que chatice ter uma exibição que prova que o Benfica pode mesmo jogar bem, que não é uma ambição só atingível com mais três ou quatro reforços...
Não gostou dos «adjetivos» com que se falou da entrada de adeptos no Seixal? Use os dele. Remeter apenas para o comunicado, e recusar-se a falar sobre o efeito que isso teve, sobre o que se passou, é manter o assunto vivo, e duvido que seja isso o que pretende.
Acha que as pessoas «acreditam nas histórias que se vendem» sobre Rafa, sobre a saída do jogador da Luz, sobre o regresso, sobre o salário? Tem de aguentar — infelizmente vivemos numa sociedade em que tanta gente mente que por muito que se tente convencer alguém de alguma coisa haverá sempre céticos... E o futebol, e o Benfica (se não o atual, basta recuar uns anos), não podem lamentavelmente achar que não tiveram responsabilidade nisso.
E com isto tudo Mourinho perdeu uma ótima ocasião de falar de bola, que é o que realmente importa. Nem que fosse para admitir que o 4-0 foi mesmo uma chatice, ou um acaso...