Anísio e Banjaqui festejam triunfo do Benfica - Foto: IMAGO
Anísio e Banjaqui festejam triunfo do Benfica - Foto: IMAGO

Benfica: (já era tempo do) elixir da inevitável juventude

Num Benfica em transição silenciosa, a juventude já é solução. Entre concessões, escolhas inesperadas e a resposta do Seixal, Mourinho terá percebido que o futuro não se adia — joga-se

Leandro Barreiro já não é o 10. O onze apresenta agora dois extremos, pelo menos mais extremos do que os que aí andavam. Sudakov aparece finalmente pelo corredor interior, o que, na verdade, lhe permite andar um pouco por todo o lado. Há jovens na equipa inicial, outros a entrar mais tarde, finalmente sem receios. Não sei se é reflexo da perda de objetivos ou não por parte do Benfica, mas José Mourinho, aos poucos, vai encontrando o seu equilíbrio no desequilíbrio e isso é sempre de saudar. Afinal, como muitos diziam, «um outro futebol é possível» — que me desculpe o St. Pauli pela apropriação do lema — como bem sabe o técnico, que, não me canso de repetir, já foi feliz a jogar dessa forma. De uma maneira ou de outra, Mourinho tem ido ao encontro das críticas e fazendo concessões, mesmo que não as considere como tal. Um grande treinador também é isso. A capacidade de se adaptar aos jogadores sim, mas ainda mais à cultura do clube. Vamos ver se é para continuar. Ou se um mau resultado ou o elevar da exigência não o fará dar um ou dois passos atrás. Sinceramente, espero que não. No Benfica, não pode.

É claro que mesmo num 4-0 nem tudo está perfeito. O futebol não é só momento, é contexto. Os dois primeiros golos nascem de bolas paradas — valem o mesmo, sem dúvida — que, porém, surgiram em momentos de pouca fluidez do ataque. Com o resultado garantido, e sobretudo com muito mais espaço, a metade do campo do Estrela tornou-se fértil para a velocidade dos homens de encarnado, que plantaram então a goleada. No entanto, é um Benfica mais arrumado e, como tal, mais próximo da solidez e de um futebol mais coerente.

No meio disto tudo, a academia. Anísio e Prioste mostraram que o Benfica não precisa de ir a Itália ou aos Países Baixos contratar mais um avançado ou um médio. Ou laterais e centrais, quando há Banjaqui e ainda Neto e em Mauro Furtado um central de perfil moderno e se fala que Dahl ainda não está no ponto e Otamendi pode ou não continuar. Por sua vez, Gonçalo Moreira mostrou que tem rotação para ser aproveitado como médio ofensivo e mais continuarão a bater à porta. Nem todos se afirmarão, mas chegam todos com muito maior maturidade da que nós tínhamos com a idade deles. É altura de matar o preconceito.

Será que é Mourinho a dizer-nos para contarmos com ele para 2026/27, que está disposto a mudar? Com o génio dos mind games nunca se sabe. Se não for, que estabeleça o rumo. Rui Costa bem precisa.