Esta época, Queta apenas não venceu um dos quatro embates contra os Pacers

Neemias: «O jogo está a abrandar e a tornar-se muito mais fácil para mim»

Depois da vitória sobre o Pacers e de ter ficado à beira de alcançar mais um duplo-duplo e igualar o máximo pessoal de pontos e deasarmes de lançamentos na NBA, o poste português dos Celtics, que terminou com 5(!) 'abafanços', falou sobre a sua evolução e crescente contributo para o sucesso da equipa, o que esta tem de fazer para se manter no topo e que no balneário ninguém pensa noutra coisa senão chegar ao título

«Sinto que, com a repetição e ao ver consistentemente diferentes situações, já não há muita coisa que seja nova. Portanto, trata-se apenas de ser capaz de perceber como posso ter impacto, dependendo de quem está a atacar o cesto e de qual é o jogador que estou a marcar como segundo defesa. Está tudo a tornar-se mais claro e, ao fim do dia, estou a melhorar — que é o mais importante», declarou Neemias Queta após a vitória do Celtics sobre os Pacers, no TD Garden, por 119-104 (30-20, 36-26, 25-32, 28-26).

Triunfo, o terceiro nos últimos quatro jogos e após o desaire ante os Pistons (104-103), que mantém a equipa na 2.ª posição de Este (27 v-16 d), à frente dos Knicks (26 v-18 d), e com o conjunto de Detroit a manter-se tranquilo na liderança (32 v-10 d) da Conferência.

Mas foi também a partida em que o poste internacional luso, uma vez mais integrando o cinco inicial, ficou à beira de igualar de alcançar o seu nono duplo-duplo na carreira – seis conseguidos nos Celtics - e igualar dois máximos pessoais: pontos (19) e desarmes.

Com Boston a apenas ceder a liderança em duas ocasiões (13-14, 15-16), nos 29m que esteve em campo Neemias registou 17 pts (6/10 L2, 5/5 LL), 9 res (4 of.), 1 rbl e… 5(!) desarmes. Só um dos 6 abafanços da equipa não teve a assinatura de Queta. Por isso não estranhou que tenha sido escolhido para falar.

«O timing, o posicionamento, saber quando ir e quando não ir, sem conceder ressaltos ofensivos. Sinto que o jogo está a abrandar e a tornar-se muito mais fácil para mim perceber essas coisas. Por isso, estou apenas a tentar manter-me assim e continuar a melhorar dia após dia». Note-se que a sua presença e intimidação também ajudou a que os Pacers só marcassem 40 pontos na área restritiva, contra 60 dos anfitriões. E foi sobre essa proteção do aro que está a ser capaz para ajudar a defesa dos Celtics que também comentou.

«Acho que é enorme. O facto de ser um dissuasor sempre que os jogadores penetram e me veem lá, faz com que hesitem na sua capacidade de finalizar. Muitas vezes nem se trata de fazer o abafanço, mas de conseguir com que falhem o lançamento. Ao estar presente cedo e ao comunicar aos meus colegas que estou lá para os cobrir, torna tudo muito mais fácil para a nossa defesa. Acho que as minhas funções se tornam mais claras».

Neemy foi ainda interrogado, entre outros temas, quanto à derrota da passada semana em Indianápolis, em que o conjunto liderado por Joe Mazzulla teve confortável vantagem e acabou batido por 98-96. Desfecho que impede que no confronto entre os dois emblemas nesta regular season não tenha havido uma varridela (3 v- 1 d).

«Temos de melhorar. Se queremos ser uma das equipas de topo que luta pelo campeonato, temos de ser capazes de competir noite após noite. Não importa se é um adversário de topo ou do fundo da tabela, tens de encontrar maneiras para ganhar — quer sejam vitórias folgadas como a de Atlanta [106-132] ou feias como a de Miami [114-119]. Tens de encontrar uma forma de vencer, não importa o quê. Acho que essa é a chave. Assim que entramos em campo, jogarmos o máximo que pudermos e perceber como igualar a fisicalidade da outra equipa, penso que ficamos numa boa posição», analisou.

E será que no balneário se fala sobre a ambição de chegar ao título, mesmo sem se saber se Jayson Tatum irá conseguir recuperar a tempo de ajudar no final da fase regular e no play-off? «Sim, obviamente. Quando se joga nos Celtics, qualquer coisa que não seja o campeonato não serve... não ficamos satisfeitos com isso. Portanto, o grande objetivo é mantermo-nos focados nisso até que o momento chegue, mas vivendo o presente e pensando no panorama geral, com certeza.»