Evenepoel vence no Québec mas diz: «Ainda tenho de melhorar para o Mundial»
Remco Evenepoel (Red Bull) confirmou o estatuto de principal favorito e venceu (4.40,21h) o 15.º Grande Prémio do Québec, num teste que, se encarado como uma preparação para o Campeonato do Mundo, foi superado com distinção. O belga, no entanto, admitiu alguma surpresa com o triunfo, revelando que teve de crescer ao longo da prova em que acabou por bater o italiano Giulio Ciccone (Lidl) ao sprint num duelo a dois já que o dinamarquês Anthon Charmig (Uno-X) ficou a 15s e o britânico Tom Pidcock (Pinarello) a 28s.
O português Afonso Eulálio (Bahrain-Victorius) foi 33.º, a 2.57ms do campeão mundial de contrarrelógio, enquanto Nelson Oliveira (Movistar), concluiu no 44.º posto, a 3.18m.
«Sabe bem, mas esta é uma corrida peculiar», afirmou Evenepoel logo após cruzar a meta, acrescentando que «é uma prova difícil de ler». O regresso à ação não foi fácil. «Tive de crescer durante a corrida. Regressar à competição é sempre complicado, especialmente aqui. Não tive as melhores sensações, mas felizmente encontrei as minhas boas pernas no final e consegui vencer», explicou.
A jogada decisiva de Evenepoel aconteceu a 28 km do fim, quando se juntou a um grupo de cinco fugitivos. «Tive de assumir a maior parte do trabalho. Foi difícil gerir os esforços», confessou. Volta após volta, na zona de subida, três dos companheiros de fuga cederam, restando apenas Giulio Ciccone na sua roda.
Apesar da resistência do italiano, Evenepoel manteve a calma. «Não consegui largá-los com a minha explosividade, mas continuei a forçar e confiei no meu sprint», disse. A aposta revelou-se acertada. «Foi uma boa escolha. O Giulio parecia forte e podia jogar com os seus colegas de equipa que vinham atrás, mas apostei no meu sprint. Arrisquei um pouco ao começar na frente com este vento contrário, mas quando ele tentou passar, também sentiu a dificuldade causada pelo vento», analisou.
Mais tarde, em declarações à imprensa belga, o ciclista detalhou a sua estratégia. «Foi a tática certa adotar uma postura um pouco mais expectante. A três voltas do fim, comecei a dar tudo. E correu bem», comentou, admitindo que nem sempre se sentiu no seu melhor. «Nas primeiras cinco ou seis voltas senti-me muito bem, mas a meio da corrida tornou-se mais difícil, penso que devido à acumulação das subidas curtas e íngremes».
Apesar da vitória, Evenepoel mantém os pés no chão, já com os olhos postos nos próximos desafios. «Estou muito feliz, mas tenho de manter a calma e encarar as coisas dia a dia. A partir de agora, todos os domingos são importantes», sublinhou, concluindo: «Ganho e não me posso queixar, mas ainda tenho de melhorar um pouco para o Mundial».
No final, houve ainda tempo para explicar o novo e misterioso festejo. «Queria algo novo. Já tinha copiado o gesto do telefone e queria fazer algo que ninguém tivesse feito antes. Tive um mês para pensar nisso com a Oumi. Foi decidido esta manhã, mas não sei se ficou bem», revelou, entre risos. «O que significa? Ainda tenho de pensar nisso. Consegui fazê-lo e isso é o mais divertido».
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