Reforço dos Blazers promete nova etapa na Liga e na vida       - Foto: IMAGO
Reforço dos Blazers promete nova etapa na Liga e na vida - Foto: IMAGO

«Eu sou o Ja Morant, não sou um tipo mau»

Base está em Las Vegas a acompanhar a equipa de dos Blazers na Liga de Verão e conviver com os novos companheiros nos Blazers e diz que o passado é passado e não percebe porque continuam a falar dele

A transferência de Ja Morant dos Grizzlies para os Blazers representa uma das principais trocas deste defeso, ainda que não inesperada, mas também aposta de alto risco para a formação de Portland. A equipa do estado do Oregon adquiriu um base All-Star a um custo mínimo, dando em troca Jerami Grant e Kris Murphy. Se a aposta resultar, será um sucesso retumbante; caso contrário, o prejuízo é limitado. Para os Blazers, a lógica assemelha-se à do seu proprietário, Tom Dundon: adquirir um ativo desvalorizado com o objetivo de o recuperar, só que com tácticas pouco convencionais e que ainda terão de ter êxito na NBA.

Para Ja Morant, esta é uma oportunidade única de mudar a sua imagem pública, também fora dos courts, e provar que não só continua a ser um jogador de calibre All-Star, como também amadureceu como homem. Em declarações aos jornalistas durante a NBA Summer League que decorre até dia 19 em Las Vegas, o base foi bastante sincero sobre a sua situação.

«O que gostaria de esclarecer? Acho que sabem a resposta. A minha imagem. [Que] sou um tipo mau. Eu sou o Ja. Fiz o que fiz no passado, mas isso já foi abordado e resolvido. Não percebo por que razão, anos mais tarde, isso continua a ser tema quando nada aconteceu desde então. Se eu fosse esse tipo, vocês não estariam a falar comigo agora. Eu não estaria aqui...»

Morant encara esta nova etapa como um recomeço total, ansioso por mostrar uma nova versão de si mesmo aos adeptos dos Blazers. «Casa nova. Equipa nova. Organização nova. Tenho a oportunidade de mostrar aos adeptos em Portland um Ja diferente. É como começar tudo de novo. Ao longo dos anos, cresci e aprendi muito. A minha mentalidade mudou. Abordo as coisas de forma diferente agora. Sinto-me mais maduro e estou pronto para trabalhar,», garantiu.

A oportunidade para Morant brilhar está criada. Em Portland, irá partilhar o jogo exterior com veteranos de confiança como Damian Lillard e Jrue Holiday, este antigo colega de Neemias Queta nos Celtics. Terá também em redor volta extremos atléticos e um poste como Donovan Clingan, conhecido pela capacidade de criar bloqueios eficazes. Além disso, trabalhará sob a orientação de Micah Nori, um treinador com uma mentalidade ofensiva, mas que se irá estrear como técnico principal.

Durante a presença em Las Vegas, Morant demonstrou uma atitude positiva, passando tempo com os seus novos colegas de equipa à margem dos jogos da Summer League dos Trail Blazers. Início que alimenta o otimismode uma temporada intrigante para a equipa. Resta saber se o jogador conseguirá aproveitar esta oportunidade, qual o seu nível atlético e físico atual e o quanto o seu jogo evoluiu.

Histórico de problemas de Ja Morant na NBA

A ascensão de Ja Morant na NBA foi meteórica, mas o seu percurso fora das quatro linhas acabou por se transformar num dos maiores pesadelos de relações públicas da história recente da liga. Entre exibições de armas de fogo nas redes sociais, agressões e investigações policiais, o base então dos Grizzlies, viu a sua conduta ser punida de forma exemplar pela mão de Adam Silver, resultando num prejuízo financeiro e reputacional.

O primeiro grande alerta vermelho acendeu-se em março de 2023. Após uma partida em Denver, Morant realizou uma transmissão em direto no seu Instagram, visivelmente embriagado, onde empunhou uma pistola numa discoteca. A reação da NBA foi imediata, considerando o comportamento «prejudicial para a liga» e aplicando uma suspensão de oito jogos sem vencimento, o que custou ao base cerca de 669 mil dólares (585 mil euros) em perda de salário.

Contudo, o aviso não foi suficiente. Apenas dois meses mais tarde, em maio de 2023 — e após promessas públicas de reabilitação —, voltou a reincidir no mesmo erro, aparecendo novamente com uma arma de fogo num direto de Instagram, desta vez no interior do carro de um amigo. Perante a reincidência, a NBA aplicou uma pesada punição de 25 jogos de suspensão no arranque da temporada subsequente, obrigando o atleta a cumprir um rigoroso programa de aconselhamentos antes de poder voltar aos courts, até pera treinar.

Esta segunda paragem forçada teve novo impacto devastador nas finanças: 7,6 milhões de dólares (6,648 milhões de euros) do salário. Mais grave ainda: o tempo em que esteve ausente impediu-o legalmente de atingir o número mínimo de jogos para concorrer aos prémios de final da época (All-NBA), o que deitou por terra um bónus contratual que poderia ascender aos 40 milhões (34,99 milhões).

A par destes incidentes mediáticos na internet, o nome de Morant esteve envolvido em vários processos paralelos que voltaram a danificar-lhe a reputação. No verão de 2022, foi acusado de agredir repetidamente um jovem de 17 anos durante um jogo informal no quintal da sua residência e de o ameaçar com uma arma à cintura — caso que acabou por avançar para tribunal.

Meses depois, em janeiro de 2023, a comitiva dos Pacers queixou-se de ter sido apontado um laser vermelho (associado à mira de uma arma) a partir de um veículo onde seguia o jogador, motivando uma profunda investigação interna por parte da NBA.

Entre ordenados diretamente retidos pela liga e os bónus que a superestrela viu esfumarem-se, estima-se que a conduta de Ja Morant lhe terá custado perto dos 50 milhões (43,74 milhões). A isto somou-se o congelamento temporário de campanhas publicitárias de gigantes como a Nike e a Powerade (bebida isotónica).

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