Sabe quem é Oleg Salenko?
Tenho a certeza de que a maior parte das pessoas que estão a ler esta crónica não fazem a mais pálida ideia de quem seja Oleg Salenko, nascido em Leningrado, na União Soviética (atualmente São Petersburgo, Rússia), a 25 de outubro de 1969.
Salenko ostenta um recorde dos Campeonatos do Mundo de Futebol: foi o único jogador, em 96 anos, a apontar cinco golos num só jogo (URSS 6-1 Camarões, disputado a 28 de junho de 1994 em Stanford, Estados Unidos). Como a essa ‘manita’ juntou, na competição, mais um golo, à Suécia, acabou, apesar de ter realizado apenas quatro jogos, como co-melhor marcador (juntamente com o búlgaro Stoichkov, que fez sete jogos) do Mundial de 1994.
Durante esse Mundial, Salenko estava a transferir-se do Logroñés para o Valência, mas a partir daí a sua carreira desvaneceu-se. Até pendurar as botas, em 2001, representou cinco clubes em quatro países diferentes, assinando 25 golos. Porém, ficou na história dos Mundiais, como Eusébio, ao assinar um ‘poker’ quando Portugal perdia (0-3, aos 25 minutos) com a Coreia do Norte em 1966, Just Fontaine ao faturar 13 golos em seis jogos na Suécia, em 1958, ou Andrés Iniesta e Mario Götze que, com golos aos 117 e 113 minutos de jogo, selaram títulos mundiais de Espanha e Alemanha.
Ora, o Mundial de 2026 já consagrou um herói, pela improbabilidade do que conseguiu. Mikel Merino, basco de Pamplona, 30 anos, jogador do Arsenal, está nos Estados Unidos a revelar um toque de Midas que faz com que a bola por ele tocada se transforme em golo (e em ouro, já que aqueles que marcou a Portugal e à Bélgica renderam a ‘nuestros hermanos’ 27 milhões de dólares).
O novo campeão de Inglaterra (1028 minutos jogados em 22 jogos da Premier League, com quatro golos e três assistências) entrou contra Portugal, com 0-0, aos 84 minutos, e marcou aos 90+1; e contra Bélgica, com 1-1, foi a jogo aos 85 minutos, e deu a vitória a Espanha aos 88. Suceda o que suceder no França-Espanha de 14 de julho, em Dallas, Merino já encontrou o seu lugar na história do Mundial da América do Norte.
PS - Haverá, na FIFA, quem se envergonhe, constatando a diferença abismal entre os trabalhos dos árbitros reconhecidamente competentes, e os outros, que entram em campo apenas por razões políticas, para captar votos às suas Confederações?
* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minutemen, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…