Spurs vão em peso a Paris renovar com Wemby e sindicato dos jogadores protesta
Após Victor Wembanyama ter escrito nas redes sociais «Família Spurs, vim para ficar. Aconteça o que acontecer», para revelar aos fãs dos Spurs que iria renovar num momento em que entra na última época do contrato que vem quando ainda era rookie, o francês aceitou a prorrogação por cinco épocas, a última de sua opção, por 252 milhões de dólares (220,44 milhões de euros).
O poste dos campeões de Oeste, de 22 anos, que irá cumprir a quarta época em San Antonio depois de ter sido o n.º 1 do draft de 2023, terá assim abdicado de 50 milhões (43,74 milhões) para dar maior espaço no tecto salarial dos texanos para manterem uma equipa capaz de lutar pelo título, deixando de fora as cláusulas de supermax, que fazem elevar os montantes por objetivos a atingir, que poderiam elevar o valor total para 303 milhões (265 milhões) que tornariam o contrato no mais elevado de sempre após ter terminado o acordo de rookie.
Este novo contrato fica apenas atrás dos de Cade Cunningham (Pistons) e Evan Mobley (Cavaliers), que assinaram extensões de 269 milhões (235,31 milhões) por cinco anos.
Apesar de os Spurs terem oferecido o contrato supermax completo e outras variações, Wembanyama preferiu um sacrifício financeiro com o objetivo de aumentar a capacidade da organização para lutar por um título de forma sustentada. Para selar o acordo, a cúpula diretiva dos Spurs, incluindo o presidente Peter J. Holt, o CEO R.C. Buford, o general manager Brian Wright e o treinador Mitch Johnson, deslocou-se a Paris para se encontrar com o jogador e a família deste.
Com três temporadas na liga, Victor Wembanyama regista médias de 23,4 pontos, 11 ressaltos, 3,5 assistências e 3,5 desarmes. No currículo figuram já o prémio de Rookie do Ano, dois All-Star Game, o título unânime de Melhor Defensor do Ano, um Cinco Ideal e duas nomeações para os Cinco Defensivos ideais.
Terceiro jogador dos Spurs a integrar um cinco inicial do All-Star, tal como acontecera com George Gervin, David Robinson e Tim Duncan, em 2025/26, ´poca que conduziu os texanos aos Finals contra os campeões Knicks, Em 64 jogos, o francês alcançou as melhores médias da carreira em pontos (25,0) e ressaltos (11,5), somando ainda 3,1 assistências. Com uma média de 3,08 desarmes de lançamento e 1,03 roubos de bola, tornou-se o sétimo jogador na história da liga a registar médias de pelo menos 25 pontos, 10 ressaltos e três desarmes numa temporada.
NBPA protesta e avisa
Mas, um dia após Victor Wembanyama ter resolvido o seu futuro com os Spurs o sindicato dos jogadores (NBPA) veio a público mostrar a sua preocupação e até mesmo protesto de como muitos dos seus associados estão a ser prejudicados quando querem renovar contrato pelas multas que existe da NBA aos clubes quando estes vão ultrapassado os vários níveis de limites salariais das equipas.
O diretor executivo da NBPA, David Kelly, criticou duramente o sistema de teto salarial e de taxas de luxo da liga, defendendo que o recém-implementado «second apron» (segundo patamar) deve ser «suavizado» ou totalmente removido. «Não somos fãs do second apron», afirmou Kelly em Las Vegas, onde decorre a principal Liga de Verão. «Estamos a ver este sistema a dizimar equipas e a forçar decisões que não são decisões de basquetebol».
Kelly, que, em fevereiro, sucedeu ao antigo All-Star e MVP dos Finals de 2014/15 Andre Iguodala na liderança do sindicato, rejeitou o argumento do commissioner Adam Silver, de que o sistema foi criado para promover o equilíbrio competitivo. Em vez disso, o antigo executivo dos Warriors argumentou que a medida, instituída em 2023, serve apenas para «fins de controlo de custos» relacionados com os salários dos jogadores.
O sistema financeiro atual da NBA opera com um teto salarial de 165 milhões de dólares (144,37 milhões de euros) e uma linha de taxa de luxo de 200,4 milhões (175,3 milhões). As equipas que ultrapassam o first apron (primeiro patamar) de 209 milhões (182,8 milhões) enfrentam penalizações mais severas e restrições na aquisição de talento. Já as que excedem o second apron de 221,7 milhões (193,9 milhões) sofrem as penalizações mais duras e veem a sua capacidade de contratar jogadores através do mercado de free agents, tranferências e do draft severamente limitada.
Devido a estas restrições, os clubes têm mostrado relutância em ultrapassar o segundo patamar, sendo que apenas os Cavaliers o fizeram na temporada 2025/26. O impacto é visível em decisões recentes: os Celtics justificaram a troca de Jaylen Brown, MVP das Finais de 2024, para os 76'ers com esta regra, e os Knicks, campeões em 2025/26, viram o poste suplente Mitchell Robinson sair como free agent para os Celtics a fim de evitar as duras penalizações que facilmente podem atingir as centenas de milhões.
Os Thunder, campeões em 2024/25, que conseguiram construir uma equipa jovem através de transferências acertadas e várias escolha no draft que foram efectuando após andarem nos anos anteriores a colecionar essas posições, também já sabem que dentro de poucas épocas, quando os seus rookies começarem a ter direito a contratos de outros montantes, dificilmente irão conseguir manter o plantel devido às penalizações financeiras que poderão ter.
Daí que exista igualmente quem defenda que os contratos de jogadores que desde sempre estiveram naquele clube deveriam ter um peso menor quando contabilizados a nível das taxas de luxo da NBA, para premiar as equipas que souberam fazer boas escolhas e manter essas figuras nas formações em que passaram a ser uma referência para os fãs locais e da NBA.
«Não sei se os adeptos em Boston ou em Nova Iorque diriam que todos estão a sair a ganhar», comentou Kelly. «Temos uma equipa [os Celtics] que acabou de ser campeã [em 2023/24] e que não terá aqueles jogadores juntos. Vemos isso como um problema para os nossos membros, mas também para os adeptos e para o jogo».
Fred VanVleet, base dos Rockets e presidente da NBPA, acrescentou que os jogadores não estão sozinhos nas suas preocupações. «Temos visto mais equipas, diretores-gerais, administrações, proprietários e agentes com problemas e preocupações com o apron. É quase um consenso que é algo que precisa de ser abordado».
O sindicato, que assinou o último contrato colectivo de trabalho com a NBA se protestar e depois de mais de dois anos de tranquilas negociações, também lamentou a pressão que o sistema coloca sobre as estrelas para aceitarem contratos com desconto. O caso de Victor Wembanyama, que aceitou uma extensão de 252 milhões de dólares (220,44 milhões de euros) em vez dos 303 milhões (265 milhões) a que era elegível, foi um exemplo disso. «O sistema não deveria exigir que um jogador carregue todo esse fardo», defendeu David Kelly.
Apesar de o sistema ser creditado por uma era de paridade sem precedentes, com oito campeões diferentes em oito anos, Kelly contesta a sua necessidade. «O apron está em vigor há três anos. Nos cinco anos anteriores, já tínhamos paridade. Não creio que o apron fosse necessário para a criar», concluiu, expressando o desejo de que a NBA e a NBPA possam acordar «alguns ajustes» durante a vigência do atual acordo coletivo de trabalho.
A questão em aberto não será resolvida até à próxima ronda de negociações laborais. Estas poderão ter início após a temporada de 2028/29, caso os proprietários ou os jogadores decidam exercer a sua opção de rescindir o acordo atualmente em vigor.