Pavlidis marcou, dos onze metros, o golo do Benfica
Pavlidis marcou, dos onze metros, o golo do Benfica

Estreia com muito ‘picante’ do Benfica entre promessas e dúvidas (crónica)

O Flamengo, mais entrosado no modelo de Jardim e a meio da época brasileira, foi um adversário ‘rude’ para um Benfica ainda a absorver as ideias de Marco Silva, e que está muito longe daquilo que será o seu desenho final

O Estádio Algarve vestiu-se de Maracanã para um Benfica-Flamengo que de ‘amigável’ não teve nada, a não ser a arbitragem ‘meiga’ de Fábio Veríssimo que pactuou com demasiados lances violentos dos cariocas.

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Embora os encarnados ainda estejam privados de seis das suas principais unidades (a disputar o Mundial, ou de férias na sequência da presença na América do Norte), percebeu-se o que Marco Silva pretende, frente a um ‘Mengo’ (privado de nove jogadores por razões ‘mundialistas’) de matriz europeia, à imagem de Leonardo jardim, a fazer pressão alta e a revelar um futebol rigoroso que colocou imensas dificuldades à turma da Luz.

Para já, a ideia de Marco Silva passa por um Benfica em 4x2x3x1, que experimentou o irlandês Umeh na esquerda (saiu lesionado aos 30 minutos, vítima da violência de Emerson Royal, que passou 90 minutos sem ver qualquer cartão…) e Rafa na direita - não é a sua vocação nem a posição onde pode ser útil aos encarnados - com Sudakov nas costas de Pavlidis.

E se do grego há que dizer que se deu ao jogo e ganhou uma nova função, ao ser o distribuidor das bolas que saem, em passes verticais, dos centrais, do ucraniano o que se viu neste jogo foi mais do mesmo, bons pormenores técnicos, pouca velocidade e escassa presença quando a equipa não tem bola. A procissão ainda não chegou ao adro, estes jogos servem precisamente para ganhar entrosamento e rotinas, mas a primeira imagem da época do internacional ucraniano não foi entusiasmante.

Da mesma forma, quando o Benfica anda ativamente no mercado à procura de um ‘seis’, Enzo Barrenechea primou pela discrição, nada arriscando e sem presença na cabeça da área. Nesse particular, embora tenha começado nervoso, Manu esteve bem melhor, arrancando 15 minutos finais de boa qualidade.

Nas alas, Bah e Dahl não comprometeram, melhor o dinamarquês do que o sueco, mas a grande figura acabou por ser Banjaqui, que não perde nada (antes pelo contrário) para Bah ou Dedic.

Quem deixou boa impressão foi Lenglet, que chegou à Luz para ser o patrão da defesa, sem a exuberância e o carisma de Nico Otamendi, mas bom de bola e a saber exatamente o que faz em cada lance. 

No jogo do Algarve, como é normal nestas situações, houve dois jogos distintos, um antes e o outro depois das (dez) substituições operadas por Marco Silva. Na fase competitiva mais próxima da realidade, o Flamengo pressionou alto e mostrou um meio-campo forte - Jorginho continua craque - e o Benfica teve várias boas saídas de bola a partir de Trubin, que realizou um jogo sólido.

Mas, nesta fase tão madrugadora da época (a 12 dias do primeiro jogo oficial, contudo), os encarnados deixaram algumas promessas (além de uma movimentação coletiva com os setores juntos, o caso particular de Banjaqui) e muitas dúvidas, umas de ordem posicional (Rafa), outras mais profundas (Sudakov). Kaminsksi não teve oportunidade para grande destaque, ficando a sua observação para o próximo jogo.

Quanto ao resultado, provavelmente o empate seria mais adequado (três perdidas encarnadas de bradar aos céus nos últimos minutos), mas esse é apenas um detalhe. Jogo de preparação é, fundamentalmente, para dar rotinas, e o Flamengo obrigou o Benfica a crescer mais do que Marco Silva estaria à espera. O que, olhando o calendário, foi bastante positivo.   

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