Fabio Verissimo, Leonardo Jardim e Marco Silva após a confusão entre os bancos do Benfica e do Flamengo - Foto: IMAGO

Jardim e a confusão nos bancos: «Agarra-me só a minha mulher e o meu filho…»

Treinador do Flamengo e a confusão com o banco do Benfica, na primeira parte do jogo, que os brasileiros venceram no Algarve. Satisfação por ver Jorge Jesus na seleção

O Flamengo conquistou o Troféu do Algarve ao vencer (2-1) o Benfica no Estádio Algarve, num jogo com muitas incidências, principalmente na primeira metade depois da entrada de Prestianni, provocando muitas quezílias entre os jogadores e o banco das duas equipas. Na sala de imprensa, Leonardo jardim, treinador dos brasileiros, afirmou que foi provocado por um elemento dos encarnados e que a sua equipa venceu com justiça. Falou ainda de Jorge Jesus na seleção e do interesse do FC Porto em Daniel Sales.

- Satisfeito com o triunfo e a exibição da sua equipa?

«O Flamengo está habituado a jogar para ganhar, é importante aliarmos aquilo que pretendíamos ao resultado desportivo. O primeiro objetivo era treinar os nossos conceitos, as nossas ideias, não ganhar... vocês conhecem o Flamengo. Hoje se nós tivéssemos ganho o jogo e tivéssemos todos atrás da linha da bola e dessemos um pontapé na frente e acontecesse por acontecer, não. Não é assim que queremos ganhar, mas dentro daquilo que são as nossas ideias de jogo. O Rossi teve duas intervenções, o guarda-rede adversário teve muito mais, acho que o resultado é extremamente justificado por aquilo que as equipas praticaram. E já aproveitar também para desejar sorte ao Benfica para o próximo jogo da Liga Europa

- Alguma vez viu, a não ser em Alvalade ou no Dragão, o Benfica jogar fora de casa em Portugal sem ter a maioria de adeptos, como aconteceu hoje?

«Eu estava a falar com o presidente Rui Costa antes do jogo e ele estava a salientar isso. A capacidade que o Flamengo tem de aglutinar pessoas, principalmente imigrantes que estão em Portugal a trabalhar, alguns de férias com certeza, mas a maioria a trabalhar. Por isso é uma satisfação muito grande. Não é só pela vitória, mas para eles, dar-lhes a vitória, ganhar o título, estar a apoiar a equipa e acabar com um final feliz. Com certeza que ficamos satisfeitos e muito agradecidos por estas pessoas virem cá, comprarem os bilhetes, e alguns não eram baratos, somente para ver os seus ídolos e para ver o seu clube dentro do campo.»

- O que se passou para se gerar a confusão na 1.ª parte com o banco do Benfica?

«Eu sou uma pessoa muito calma, muito respeitosa. Normalmente no futebol muitas vezes criticam-me por a minha atitude calma, respeitosa, mas não admito que ninguém me falte ao respeito ou que me assalte o banco adversário para me faltar o respeito, quando nem eu falei. Estava ali a observar o jogo, que é esse o meu trabalho, para tomar as melhores decisões. Queria-me aproximar da pessoa para responder, só que os cobardes fogem. Ele fez e depois fugi e outras pessoas intervieram e eu disse não me agarrem porque eu não gosto que ninguém me agarre. Agarra-me só a minha mulher e o meu filho. E a malta ficou ali um bocadinho assim, não foi nada de especial. Tenho uma grande relação ali com algumas pessoas, mas esse desconhecido, eu nem sei bem quem ele é. Tenho ali pessoas amigas, o Marco [Silva] é uma pessoa de muitos anos de amizade, o Ricardo [Rocha], são pessoas do futebol e perceberam.»

- Como antevê a luta pelo título na Liga Portuguesa?

«Será uma luta a três, com o meu SC Braga sempre a espreitar. Espero que seja um bom campeonato. Mudou de campeão este ano, com o FC Porto a ganhar o campeonato. Espero que essa competitividade entre os três mais o SC Braga, proporcione um bom campeonato para os adeptos, mas com emoção e sem casos, porque o futebol não precisa de casos.»

- Jorge Jesus é uma boa aposta para a seleção?

«Fico feliz por ele assumir a seleção. A seleção voltar a ter um treinador português, era uma coisa que me batia sempre. Nós, como portugueses, temos treinadores por todo o lado do mundo, treinadores extremamente competentes e acho que uma aposta num selecionador português era fundamental e importante para dar confiança àquilo que temos feito em Portugal na formação de treinadores e àqueles jovens que estão a começar e a acreditarem que realmente o país acredita nos seus treinadores.»

- O jogo mudou um bocadinho com a entrada do Prestianni, um jogador que tem estado nas bocas do mundo e acabou por agitar um bocadinho todo o ambiente…

«Aumentou a parte emocional da minha equipa, devido ao caso que aconteceu num passado recente entre ele e um jogador brasileiro. Mas, ao intervalo, eu falei com os jogadores e disse que vamos jogar o nosso futebol. O que aconteceu, com certeza, nós não apoiámos, mas estamos aqui para jogar contra o Benfica, para eles também treinarem bem, nós treinamos bem e para ter um vencedor com mérito no fim. Na segunda parte acalmamos um pouco e em relação à minha situação, não estou de acordo, porque não tive nada a ver com isso. Tem a ver com uma pessoa mal educada e mal formada que vai ter com outra pessoa e agride verbalmente e eu não estou para meias medidas, não é? Eu queria me aproximar para falar com ele, só que, como eu já disse, ele tão rápido se aproximou, que mais rápido fugiu. Talvez seja pela minha cara que não é muito bonita e ele fugiu.»

- Que balanço faz do estágio do Flamengo em Portugal?

«Eu acho que este grupo, em termos de trabalho, dedicou-se. Com certeza que nós estando juntos e trabalhando diariamente, existem sempre aspetos que nós melhoramos. E eu acho que é importante que nós tivéssemos aproveitado estes três jogos que fizemos para crescer, para ganhar ritmo de jogo, para que estejamos preparados para o segundo semestre. Com certeza que os jogos foram todos diferentes. Houve jogos em que tivemos mais a bola, outos mais equilibrados, outros em que houve mais transição. Mas acho que passamos por vários aspetos e é importante também saber jogar nos diferentes momentos do jogo que tem vários durante os seus 90 minutos. Estou satisfeito principalmente pelo comportamento e pela atitude.»

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