Marco Silva, treinador do Benfica, tenta acalmar Leonardo Jardim, homólogo do Flamengo, que discute com o árbitro Fábio Veríssimo. Foto LUÍS FORRA/LUSA
Marco Silva, treinador do Benfica, tenta acalmar Leonardo Jardim, homólogo do Flamengo, que discute com o árbitro Fábio Veríssimo. Foto LUÍS FORRA/LUSA

Marco Silva pede reforços, mas sabe que vão demorar

Treinador do Benfica fez a análise à derrota com o Flamengo e às duas primeiras semanas de trabalho

Em flash-interview à BTV, Marco Silva, treinador do Benfica, analisou a derrota (1-2) no jogo particular com o Flamengo mas também as duas primeiras semanas de trabalho no clube, com a estreia oficial, frente ao St. Gallen, na segunda pré-eliminatória da UEFA Europa League, a apenas 12 dias de distância.

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— Foi um bom teste para o Benfica, frente a uma equipa que está noutro contexto da temporada?

— Acabou por ser um bom teste para nós. Esse era o objetivo, com poucos dias de trabalho, temos de dar passos em frente. Teremos um jogo oficial muito em breve, iremos jogá-lo com quatro semanas de preparação… Um pouco diferente do habitual, não há que escondê-lo, mas o objetivo é chegar a esse jogo nas melhores condições possíveis, mesmo com alguns jogadores que não estarão presentes. Com tudo aquilo que acarreta esta pré-época diferente do Benfica, teremos de estar no nosso melhor para sermos competitivos ao máximo para passarmos à próxima eliminatória. E por isso mesmo temos de dar passos em frente naquilo que é a nossa preparação, aumentando o nível dos adversários. Foi um jogo que teve algumas características muito específicas, características quase de jogo oficial em alguns aspetos, algum teatro também, também faz parte do jogo oficiais, pelos vistos… Mas é o que é. Preparámos da melhor forma, primeira parte um pouco lenta, não fomos a equipa que teremos de ser e que vamos ser, com pouca velocidade, com pouca decisão claramente para agredirmos o adversário. Após o segundo golo fomos um pouco mais agressivos no últimos terço, demorámos um pouco a chegar lá com a mudança da linha de quatro, não encontrámos bem os espaços. Quando chegámos lá fomos um pouco mais agressivos no último terço, é verdade, e por isso mesmo tivemos duas/três claras oportunidades para igualar o jogo. Perdemos, não é aquilo que queremos, mesmo na pré-temporada, não sendo o mais importante, somos Benfica e não gostamos de ter este feeling no final de um jogo que não ganhámos, mas a realidade é que a equipa tem que se ir preparando, temos de ir preparar a equipa para os jogos que aí vêm, o próximo na próxima semana com o Vilarreal para darmos mais passos em fente quer física como tecnicamente e taticamente, para demos estarmos preparados.

— Que balanço é que se pode fazer destas duas semanas de trabalho, tendo em vista, também, a estreia oficial na Liga Europa?

— Estamos a fazer aquilo que nos compete. É uma equipa técnica nova, neste caso nem há muitos jogadores novos, chegou o terceiro jogador, aos poucos vamos incorporando os jogadores que chegam. Esperar também pelos jogadores que estão no Mundial, não há que esconder, são jogadores fundamentais para nós. E depois continuar atentos àquilo que vai ser o mercado. Queremos realmente reforçar a equipa em posições que nós precisamos claramente, e vamos fazê-lo. É óbvio que não será tão rápido como todos nós queríamos, mas faz parte. O que importa agora é olharmos para os jogadores que temos, para os jogadores com quem estamos a trabalhar nestas duas semanas, e fazer com que eles percebam claramente aquilo que é a nossa ideia o mais rápido possível. Implementarmos aquilo que são as novas ideias que naturalmente a nova equipa técnica traz para o clube. Da parte dos jogadores tenho visto uma abertura total para aprenderem, para rapidamente assimilarem aquilo que são todos os processos que nós queremos ver na equipa. A atitude tem sido muito boa nesse aspeto, nada a apontar para isso. Hoje tivemos alguns momentos em que claramente vimos aquilo que vamos conseguir fazer, ainda a uma velocidade muito baixa, não com intensidade com que o podemos fazer, mas a equipa vai dar passos em frente, não tenho dúvida.

Tem observado alguns jovens da formação do Benfica. Tem ficado impressionado com o que tem visto?

— É sempre importante ter os jovens jogadores da nossa formação com o plantel do Benfica. Este era um momento muito particular nesse aspeto por todas as razões de que já falei, pelas ausências que temos nalgumas posições. Antes de chegar o Kaminski não tínhamos sequer uma solução para as alas para jogar no primeiro jogo, por exemplo. Colocando lá o Rafa pode ser uma solução. Com o castigo do Prestianni e com os jogadores que estão no Mundial não tínhamos, foi uma boa oportunidade para vermos alguns jogadores da formação naquelas posições. E vermos jogadores que têm estado cá e lá na equipa do Benfica durante a época passada e que neste momento estão mais integrados naquilo que será o plantel principal do Benfica. Não queremos dizer nomes, mas alguns vão ficar connosco para a temporada, sem dúvida.

Palhinha sem comentários

À CNN, o treinador das águias também falou da importância de preparar a equipa para a estreia oficial, que está para breve. «Não é o primeiro, é o terceiro jogo. Nós sabíamos [da dificuldade], nós temos de dar passos em frente naquilo que é a nossa preparação, aumentar o nível. É uma equipa que está com mais tempo de preparação do que nós, num contexto de jogo quase oficial, muitas características de jogo oficial para dizer a verdade, em todos os aspetos. Não estamos contentes com o resultado, como é lógico, somos o Benfica, entramos em todos os jogos para ganhar e este jogo não foge à regra. Alguns bons momentos, a equipa ainda presa, especialmente no último terço não fomos a equipa que queremos e vamos ser. A reação na segunda parte, os dois golos que sofremos temos de fazer melhor.»

Sobre o que faltou para o Benfica poder chegar à vitória, foi evasivo: «O que faltou vai ficar para nós trabalharmos para que não aconteça nos outros jogos quando chegar a competição. O nosso objetivo nesta pré-temporada é muito claro, é uma pré-temporada diferente, não só por não termos alguns jogadores que estão no Mundial, mas por começar muito mais cedo, vamos começar a competir com quatro semanas. Tudo isso torna-a um pouco diferente, mas sem desculpas, o objetivo é estarmos no primeiro jogo oficial na Suíça em condições de disputar e passar à próxima fase. E depois pouco a pouco ir recebendo os jogadores do Mundial, que serão fundamentais para nós. Claramente isto é só o começo, aquilo que terá de ser o Benfica terá de ser e vai ser diferente deste.»

A nova titularidade de Jaden Umeh também mereceu uma reação: «Vocês estão bem informados, é sinal de que a informação também sai bem para fora. Essa é uma das questões que o Benfica tem de passar a ser Benfica de vez, mas essa é uma questão para o futuro. Se vai ser aposta ou não, as oportunidades estão lá para os jogadores a agarrarem, nós acreditamos, como todos da formação que estão connosco. Temos de tomar decisões, é um jogador que tem dado boas respostas, tem características importantes e diferentes. Vamos ser como é a sua evolução, infelizmente estava muito triste ao intervalo. Teve uma lesão que pode travar um pouco a preparação dele para a época, mas como todos os outros tem todo o nosso apoio para o fazer crescer.»

Finalmente, questionado sobre o interesse do Benfica em João Palhinha, Marco Silva não quis comentar: «Jogadores do Benfica estiveram aqui hoje, jogadores do Benfica estão no Mundial também, todos os outros aspetos, rumores, mercado, não vou falar de nenhum jogador que não seja do Benfica.»

É preciso ter calma

Mas Marco Silva falou também à DAZN, outro dos canais que transmitiram a partida em direto. «Queríamos dar passos em frente na nossa preparação. Quando os queremos dar, temos de criar um contexto competitivo um pouco diferente. Queremos gradualmente ir aumentando a dificuldades dos adversários. É uma pré-época atípica de um clube da nossa dimensão. Foi um jogo com muitas características quase de um jogo oficial em todos os aspetos, muitos deles também surpreendentes, mas é para eu me ir adaptando. Fomos crescendo ao longo do nosso. Faltou-nos no último terço aquilo que temos de ser e vamos ser. Faltou o segundo e terceiro passe, a criação para chegar a zonas de finalização. Precisamos de trabalho e jogadores com outras características, os nossos jogadores a chegar a um nível bom.»

Sem se comprometer com a escolha do capitão — «têm de esperar mais para saber quem será» —, apesar de ter sido António Silva a surgir com a braçadeira, Marco Silva falou também da tática: «O sistema base será sempre a partir de um 4x3x3, depois podemos ter ou não dois médios mais baixos ou só um. Depende das características dos jogadores que teremos no plantel.»

Quanto às primeiras impressões deixadas junto dos benfiquistas — este foi o terceiro jogo da pré-temporada, mas o primeiro à porta aberta: «A mim interessa-me deixar boas impressões aos adeptos quando chegar o final de maio. Os adeptos têm de ficar satisfeitos com o Benfica no final de maio. Com maiores ou menores dificuldades, com muita coisa que se vai falar, é preciso que muita gente tenha calma e em maio falamos.»

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