«Se os jogadores pudessem falar mais livremente, o futebol seria mais alegre»

Joaquim Evangelista defende maior centralidade nos jogadores e reforço do papel social do Desporto

O presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, Joaquim Evangelista, defendeu esta sexta-feira que os jogadores devem estar no centro das políticas desportivas e da discussão pública sobre o futebol, considerando que continuam a ser pouco valorizados apesar de serem «o maior ativo do futebol português».

«Fala-se muito pouco dos jogadores e fala-se demasiado de outros agentes. Eles são os que fazem a história do nosso futebol e merecem mais respeito, não só dos adeptos, mas também dos clubes, das instituições e da comunidade nacional», afirmou, sublinhando que se ouve hoje «mais falar de árbitros do que de jogadores», situação que considera preocupante.

Para Evangelista, os futebolistas são também os agentes mais fáceis de comunicar com o público, mas estão muitas vezes condicionados por regras internas dos clubes. «Se os jogadores pudessem falar mais livremente, o futebol seria mais alegre, mais desempoeirado e até teria uma enorme vantagem comercial. Há dirigentes que querem o protagonismo para si, quando esse protagonismo devia ser do jogador», criticou.

O dirigente abordou ainda a situação de emergência vivida em várias zonas do país devido à tempestade Kristin, alertando para a responsabilidade social do Desporto. «Enquanto cidadão do Desporto, questiono-me sempre sobre o que posso fazer pelo país. O Desporto tem um papel fundamental na coesão social e os jogadores fazem a diferença», afirmou.

Nesse sentido, defendeu que os jogadores não devem limitar-se a seguir as políticas institucionais, podendo assumir causas sociais por iniciativa própria. «Numa sociedade cada vez mais polarizada, a voz do desporto tem de se ouvir mais. É o jogador que une as pessoas», frisou, destacando áreas de intervenção do sindicato como educação, saúde, futebol feminino, combate ao racismo, refugiados e empreendedorismo.

Relativamente à possibilidade de clubes serem afetados financeiramente pelas consequências da intempérie, Evangelista garantiu que o sindicato dispõe de mecanismos para proteger os jogadores. «Temos o Fundo de Garantia Salarial e o Fundo de Solidariedade e não deixaremos nenhum jogador em situação desfavorável por este motivo», assegurou, defendendo ainda a criação futura de estruturas e fundos específicos para responder a fenómenos climáticos extremos.

Sobre a recente jornada europeia positiva para os clubes portugueses, Evangelista considerou que, desta vez, o mérito foi atribuído aos jogadores, elogiando também a postura de vários treinadores. Ainda assim, deixou um aviso: «O respeito pelo jogador não pode existir apenas nos momentos de sucesso. Quem realmente faz a diferença é quem está ao lado do jogador nos momentos difíceis».

O líder sindical destacou ainda exemplos de reconhecimento público aos antigos atletas, defendendo que esta cultura de valorização deve ser mais transversal no futebol português.