«Enchiam as cuecas com quilos de plasticina»: novas revelações após escândalo
No início de janeiro, um escândalo abalou o mundo do esqui, depois de o jornal Bild ter revelado que alguns atletas estariam a usar ácido hialurónico para aumentar o tamanho do pénis, de modo a garantir um fato mais largo e, consequentemente, vantagem competitiva. Uma semana e meia depois, Mika Vermeulen fez declarações que parecem confirmar que os atletas procuram vários métodos tendo em vista essa finalidade.
Considerando as vantagens que um fato demasiado largo ou demasiado curto oferece aos esquiadores, a Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS) começou a utilizar um scanner 3D para medir os membros dos esquiadores e preparar fatos adequados a cada um. O ponto mais baixo da zona genital é usado como referência para as medições efetuadas, no entanto, segundo o Bild, os esquiadores recorreriam a um truque para alterar artificialmente este ponto de referência.
O esquiador de fundo Mika Vermeulen falou num podcast norueguês sobre estas suspeitas: «As pessoas estavam constantemente a fazer batota. Enchiam as cuecas com quilos de plasticina para obter uma zona inguinal maior. Quando tive de fazer as primeiras medições, os saltadores mais velhos e experientes vieram ter comigo e disseram-me: 'É muito importante prender o pénis com fita adesiva, porque assim a dimensão entre as pernas será um ou dois centímetros menor'.»
«Nenhum destes atletas está ativo na Taça do Mundo. Posso dizer com 100% de certeza: todos os que são desqualificados no salto de esqui e na combinada nórdica fazem batota intencionalmente. E justificam-se dizendo: 'Sim, mas todos os outros também o fazem'», acrescentou o esquiador austríaco, citado pelo Bild.
De acordo com as novas regras de cartões, os atletas são suspensos por duas competições após duas infrações relacionadas com o fato. No entanto, Vermeulen continuou a alertar para a situação deste desporto.
«Não estou a dizer que toda a gente faz batota. Estou apenas a dizer que se cria uma cultura má quando a fraude não é severamente punida. E esta é uma cultura perigosa. Cria-se uma cultura em que é aceitável procurar brechas. Se fores apanhado a fazer batota, deves ser suspenso por um período mais longo. Não devia haver cartões. Fizeste batota», defendeu o esquiador de 26 anos.
«No esqui de fundo, respeitamos 100% as regras, incluindo as listas de doping da WADA e tudo o resto. Mas no salto de esqui, prefere-se assumir conscientemente um risco ou mover-se no limite extremo, pensando que a dada altura algo vai correr mal, mas que isso é perfeitamente aceitável», juntou.
Matthias Hafele, chefe do departamento de equipamentos da FIS, não comentou os rumores relacionados com os métodos pelos quais os atletas tentam fazer batota, no entanto deixou garantia: «Atualmente, não estão planeadas outras medições. No entanto, já estamos a trabalhar em métodos para melhorar este problema complexo.»
Uma das propostas é que, no futuro, as medições tenham mais em conta a estrutura óssea, e não os tecidos moles.
Nascido a 26 de junho de 1999, Mika Vermeulen é um esquiador de fundo que participou nos Campeonatos Mundiais de 2021 e nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022. Competiu em 77 etapas da Taça do Mundo, terminando quatro vezes no pódio. Vermeulen participa em provas de 15 km individual, 30 km skiathlon, 50 km clássico Mass Start, e também em provas de sprint.