Em Vila Nova há Amor(im) de perdição para futuros Dias europeus (crónica)
«Amor de perdição». Este é um dos slogans comunicacionais do Famalicão e Mathias fez jus à frase motivacional: o jovem internacional sub-21 português não se deixou ir abaixo depois de ver goradas três tentativas (22', 28' e 30') para marcar e, pouco depois (31'), faturou mesmo, com um remate subtil após assistência primorosa de Gil Dias.
Antes disso, já João Goulart tinha sido gigante perante (o aniversariante) Sorriso (5') e Jérémy Livolant ficara com as mãos na cabeça ao ver Osundina falhar por tão pouco (17').
A primeira parte foi morna em intensidade, mas rica do ponto de vista tático, ainda que essa vertente do jogo não seja tão apreciada quanto isso pelos adeptos. Que gostam mais de ver espetáculo. Mas houve muita dimensão qualitativa noutras variantes do encontro. Não havendo situações de finalização em catadupa, longe disso, houve um Famalicão à procura de desmontar a organização defensiva do Casa Pia, através da exploração dos flancos, e houve um Casa Pia a aplicar bem os timings de pressão para evitar males maiores para a baliza de Patrick Sequeira. Neste período, porém, os gansos ficaram demasiado curtos no terreno.
Algo que mudou no início da etapa complementar. A mensagem de Álvaro Pacheco ao intervalo passou, percebeu-se, e os lisboetas quiseram levar algo de território minhoto. Com mais capacidade de ter bola e de ferir o último reduto defensivo contrário, o setor atacante do emblema de Pina Manique foi assustando Lazar Carevic.
Mas a grande verdade é que Dailon Livramento (60'), Jérémy Livolant (66') e Abdu Conté (70') — este último na sequência de um canto direto que levou a bola a bater no poste esquerdo da baliza contrária antes de sair pela linha final, pelo que esteve à vista um golo olímpico (!) — não tiveram as coordenadas certas para bater o internacional montenegrino e os da casa foram aguentando a vantagem mínima.
O equilíbrio voltou, depois, a reinar em todo o seu esplendor, quando os comandados de Hugo Oliveira perceberam que tinham de aumentar a intensidade. Com e sem bola. E foi num desses lances, que começou num passe longo de Justin de Haas e cuja segunda bola sobrou para Gustavo Sá, que começou a desenhar-se a jogada do segundo golo: o criativo luso descobriu Gil Dias no flanco direito, o esquerdino fez (mais) um passe de morte (não seria para Simon Elisor?...) e Antoine Joujou, ao segundo poste, atirou a contar. de pé esquerdo.
O Famalicão volta ao 6.º lugar e continua a sonhar com a Europa, o Casa Pia volta a perder ao fim de quatro jogos (duas vitórias e dois empates), mas ainda está seguro.
As notas dos jogadores do Famalicão:
Lazar Carevic (5), Gustavo Garcia (5), Ibrahima Ba (5), Justin de Haas (6), Pedro Bondo (5), Tom van de Looi (6), Mathias de Amorim (7), Gil Dias (7), Gustavo Sá (6), Sorriso (5), Umar Abubakar (5), Rafa Soares (5), Antoine Joujou (7), Marcos Peña (-), Simon Elisor (-) e Pedro Santos (-).
As notas dos jogadores do Casa Pia:
Patrick Sequeira (5), João Goulart (6), Khaly (5), David Sousa (5), Kevin Prieto (5), Lawrence Ofori (5), Rafael Brito (5), Abdu Conté (5), Jérémy Livolant (6), Clau Mendes (5), Korede Osundina (5), Iyad Mohamed (5), Dailon Livramento (5), Seba Pérez (5), Tiago Morais (5) e João Marques (-).
Hugo Oliveira (treinador do Famalicão)
Vitória extremamente inteligente num jogo taticamente muito próximo daquilo que teria de ter sido. Ganhámos a uma equipa contra quem é muito difícil de jogar. Tivemos capacidade de ter bola e de encontrar espaços para fazermos os golos.
Álvaro Pacheco (treinador do Casa Pia)
Entrámos muito bem, a primeira oportunidade até é nossa, mas não fomos tão agressivos quanto desejávamos. A segunda parte foi completamente diferente e o Casa Pia conseguiu equilibrar o jogo. Penso que merecíamos mais.