E tudo ficou mais (Ro)fino depois da magia do capitão (crónica)
Ganhou quem fez por isso. Não é quem fez mais por isso, note-se. É mesmo quem fez por isso. Porque o Famalicão que se apresentou na Pedreira (muito) dificilmente poderia triunfar. Sem remates enquadrados fica tudo mais difícil. Há dias assim, percebe-se. De desinspiração. Foi o caso. Porque a qualidade existe, como já ficou devidamente comprovado esta época e, especialmente, nas últimas semanas — ainda na passada quinta-feira o emblema de Vila Nova tinha ganho com total justiça no reduto dos arsenalistas, em jogo dos quartos de final da Allianz Cup (o duelo decidiu-se nos penáltis, mas o conjunto famalicense até merecia ter vencido nos 90 minutos).
Mas disso não tem culpa o SC Braga, evidentemente. Ainda que a segunda parte tenha sido bastante melhor do que a primeira. É certo que os guerreiros assumiram desde cedo as despesas do dérbi, mas na etapa inicial não estiveram inspirados. Fran Navarro (8' e 36') não conseguiu acertar no alvo, o mesmo acontecendo com Mario Dorgeles (39'). Pelo meio, Víctor Gómez mergulhou para a felicidade, mas Lazar Carevic voou para a fotografia (34').
BANHO DE INSPIRAÇÃO
Tudo ficou (ainda) mais vermelho na etapa complementar. E com a assinatura do costume: Ricardo Horta. O capitão pode parecer, por vezes, aliado do jogo, mas os adversários já deviam estar mais do que avisados para tudo aquilo que o internacional português é capaz de fazer quando tem uma nesga de espaço. Vem magia pela certa...
Foi, pois, com a excelência da execução do 21 que os bracarenses festejaram pela primeira vez. Ao minuto 53', e na sequência de um belíssimo cruzamento de Adrian Barisic, da direita, Ricardo Horta puxou do pé esquerdo e, de primeira, atirou a contar. Que golaço!
O carrossel arsenalista começou, então, a andar a alta velocidade e Fran Navarro, pouco depois, deixou as luvas de Carevic a arder. Sentia-se que o segundo golo seria uma questão de tempo e... confirmou-se: incursão de Víctor Gómez pelo flanco, Ricardo Horta tentou o remate à entrada da pequena área, mas acabou por ser uma infelicidade de Víctor Rofino (que desviou para a própria baliza) a fazer descansar os adeptos presentes na Pedreira.
Com este ritmo e perante a inoperância do Famalicão — que mais frágil ficou após a expulsão de Rodrigo Pinheiro (70') — os guerreiros ainda dilataram a contenda: Pau Víctor aceitou a oferta (mais uma) de Víctor Gómez e selou o 3-0.
O dérbi saiu à casa e o SC Braga voltou a vencer na Liga após quatro jogos. Ricardo Silva sofreu o primeiro desaire ao leme do Famalicão.
São anos e anos de futebol de primeira água, são golos e golos de altíssimo gabarito. O capitão nunca se cansa. A idade vai passando, mas a excelência das ações do internacional português mantém-se. Se ainda não viu o golo do 21, caro leitor, aceite a sugestão e vá espreitar. Porque como se diz na gíria, é um bilhete com algum jeito. Mas Horta foi muito mais do que isso. Porque tudo o que faz... faz bem.
No meio de um deserto coletivo de ideias no que concerne ao processo ofensivo, o neerlandês foi segurando o barco como pôde no setor intermediário. Com um sentido posicional de alto nível, o que lhe permitiu cortar várias linhas de passe quando os bracarenses tentavam a rotura em jogo interior, o capitão nunca se negou a dar uma ajuda ao quarteto defensivo sempre que era necessário.
As notas dos jogadores do SC Braga:
Bernardo Fontes (5), Víctor Gómez (8), Adrian Barisic (7), Sergio Barcia (6), Diogo Travassos (6), Vítor Carvalho (5), João Moutinho (7), Mario Dorgeles (6), Ricardo Horta (8), Gabri Martínez (6), Fran Navarro (5), Gorby (6), Diego Rodrigues (5), Flinto Costa (5), Pau Víctor (6) e Denis Huseinbasic (—).
As notas dos jogadores do Famalicão:
Lazar Carevic (5), Rodrigo Pinheiro (4), Víctor Rofino (4), Léo Realpe (4), Gustavo Garcia (4), Pedro Santos (5), Tom van de Looi (6), Mathias de Amorim (5), Roméo Beney (4), Georgios Koutsias (4), Sorriso (4), Finn van Breemen (5), Óscar Aranda (5), Pedro Bondo (4), Gil Dias (4) e Juvenal Correia (4).