Ricardo Horta pintou a manta e o SC Braga venceu o Famalicão por 3-0 na 10.ª jornada da Liga — Foto: Hugo Delgado/LUSA
Ricardo Horta pintou a manta e o SC Braga venceu o Famalicão por 3-0 na 10.ª jornada da Liga — Foto: Hugo Delgado/LUSA

E tudo ficou mais (Ro)fino depois da magia do capitão (crónica)

Ricardo Horta abriu o ativo com uma obra de arte e esteve envolvido no lance do autogolo do central famalicense. Azuis e brancos muito longe do esperado

Ganhou quem fez por isso. Não é quem fez mais por isso, note-se. É mesmo quem fez por isso. Porque o Famalicão que se apresentou na Pedreira (muito) dificilmente poderia triunfar. Sem remates enquadrados fica tudo mais difícil. Há dias assim, percebe-se. De desinspiração. Foi o caso. Porque a qualidade existe, como já ficou devidamente comprovado esta época e, especialmente, nas últimas semanas — ainda na passada quinta-feira o emblema de Vila Nova tinha ganho com total justiça no reduto dos arsenalistas, em jogo dos quartos de final da Allianz Cup (o duelo decidiu-se nos penáltis, mas o conjunto famalicense até merecia ter vencido nos 90 minutos).

Mas disso não tem culpa o SC Braga, evidentemente. Ainda que a segunda parte tenha sido bastante melhor do que a primeira. É certo que os guerreiros assumiram desde cedo as despesas do dérbi, mas na etapa inicial não estiveram inspirados. Fran Navarro (8' e 36') não conseguiu acertar no alvo, o mesmo acontecendo com Mario Dorgeles (39'). Pelo meio, Víctor Gómez mergulhou para a felicidade, mas Lazar Carevic voou para a fotografia (34').

BANHO DE INSPIRAÇÃO

Tudo ficou (ainda) mais vermelho na etapa complementar. E com a assinatura do costume: Ricardo Horta. O capitão pode parecer, por vezes, aliado do jogo, mas os adversários já deviam estar mais do que avisados para tudo aquilo que o internacional português é capaz de fazer quando tem uma nesga de espaço. Vem magia pela certa...

Foi, pois, com a excelência da execução do 21 que os bracarenses festejaram pela primeira vez. Ao minuto 53', e na sequência de um belíssimo cruzamento de Adrian Barisic, da direita, Ricardo Horta puxou do pé esquerdo e, de primeira, atirou a contar. Que golaço!

O carrossel arsenalista começou, então, a andar a alta velocidade e Fran Navarro, pouco depois, deixou as luvas de Carevic a arder. Sentia-se que o segundo golo seria uma questão de tempo e... confirmou-se: incursão de Víctor Gómez pelo flanco, Ricardo Horta tentou o remate à entrada da pequena área, mas acabou por ser uma infelicidade de Víctor Rofino (que desviou para a própria baliza) a fazer descansar os adeptos presentes na Pedreira.

Com este ritmo e perante a inoperância do Famalicão — que mais frágil ficou após a expulsão de Rodrigo Pinheiro (70') — os guerreiros ainda dilataram a contenda: Pau Víctor aceitou a oferta (mais uma) de Víctor Gómez e selou o 3-0.

O dérbi saiu à casa e o SC Braga voltou a vencer na Liga após quatro jogos. Ricardo Silva sofreu o primeiro desaire ao leme do Famalicão.

O melhor em campo: Ricardo Horta (SC Braga)

São anos e anos de futebol de primeira água, são golos e golos de altíssimo gabarito. O capitão nunca se cansa. A idade vai passando, mas a excelência das ações do internacional português mantém-se. Se ainda não viu o golo do 21, caro leitor, aceite a sugestão e vá espreitar. Porque como se diz na gíria, é um bilhete com algum jeito. Mas Horta foi muito mais do que isso. Porque tudo o que faz... faz bem.

A figura: Tom van de Looi (Famalicão)

No meio de um deserto coletivo de ideias no que concerne ao processo ofensivo, o neerlandês foi segurando o barco como pôde no setor intermediário. Com um sentido posicional de alto nível, o que lhe permitiu cortar várias linhas de passe quando os bracarenses tentavam a rotura em jogo interior, o capitão nunca se negou a dar uma ajuda ao quarteto defensivo sempre que era necessário.

As notas dos jogadores do SC Braga:

As notas dos jogadores do Famalicão:

Franclim Carvalho (treinador do SC Braga)

Foi um jogo diferente do de quinta-feira. Hoje [ontem] fomos muito pacientes com e sem bola e muito consistentes. Ao intervalo pedi mais agressividade na frente para procurarmos o golo. Fizemos três golos, não sofremos e tudo isso deixa-me satisfeito.

Ricardo Silva (treinador do Famalicão)

É lógico que o resultado não é o que queríamos e tenho de dar os parabéns ao SC Braga, foi um justo e incontestado vencedor. Não conseguimos colocar tanto jogo em meio-campo adversário como queríamos. Faltou explorar os espaços.

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