António Silva partiu da sua defesa para 'oferecer' a Leandro Barreiro o primeiro golo do encontro — Foto: IMAGO
António Silva partiu da sua defesa para 'oferecer' a Leandro Barreiro o primeiro golo do encontro — Foto: IMAGO

E os pés de António Silva, será que alguém viu? (crónica)

Central lançou-se para o ataque e abriu caminho à vitória do Benfica, que só esteve sob ameaça depois de erro de Dahl. Barreiro marcou e assistiu, tal como Ríos. 'Bis' de Ivanovic lança questão do 9 titular

Seja ou não pela proximidade do Mundial, ainda se jogava o segundo minuto e já António Silva se inspirava em Beckenbauer. Ao fim de três passos era líbero, depois box to box e, por fim, número 10, no passe para a tapinha de Barreiro, inteligente na forma como se libertou da vigilância dos centrais e ficou na cara de André Ferreira.

O caminho estava desbravado para um triunfo tranquilo dos encarnados, mas os Cónegos não se atemorizaram. Valeu Trubin três vezes ao minuto 8. Desviou para canto o tiro de Kiko Bondoso e opôs-se na sequência a Gilberto Batista e Alanzinho. Já nada conseguiria fazer peranto o isolado Travassos, depois de Dahl cometer erro grosseiro após pontapé do guarda-redes André Ferreira. Jogava-se o minuto 28.

Entre os dois momentos, a equipa de José Mourinho criou sobretudo perigo na bola parada, com a referência agora a ser António Silva (e menos Otamendi) e o central luso ainda acertou no poste, numa jogada anulada por falta ofensiva. Se na construção, os encarnados sentiam problemas com a igualdade numérica (centrais contra os dois rápidos avançados Alanzinho e Rodri Alonso), o que se atenuava por vezes com Aursnes a baixar ou a equipa a encontrar rota à esquerda, através de Dahl, assim que a bola chegava ao meio-campo e estava descoberta era procurado o espaço nas costas da defesa dos minhotos, em diagonais de Lukebakio ou acelerações de Pavlidis. Ao mesmo tempo, as águias começaram a chegar mais cedo à pressão e foi por aí que voltaram à vantagem.

Três minutos depois do 1-1, Lukebakio cruzou em balão, André Ferreira não segurou a bola e, quando tentava sair, o Moreirense esbarrou em Aursnes. Ríos dividiu a bola com Assis, esta chegou a Barreiro, que a colocou de novo para o colombiano, agora ao jeito do pé direito. O remate foi forte, porém de novo pareceu que André Ferreira poderia ter feito mais.

O 'STATEMENT' DE IVANOVIC

Até ao fim da primeira parte, o Moreirense criou ainda um momento em que Assis poderia ter cabeceado melhor, após livre de Alanzinho, no entanto, foi sobretudo no segundo tempo que os Cónegos voltaram a ter bola no meio-campo encarnado. Ainda que algo estéril.

Mourinho sentiu e mexeu: tirou Bah, Rafa e Lukebakio — e teve de lidar com a insatisfação do belga, que parece ter o ego bem mais acima do que o registo exibicional faria crer — e fez entrar Dedic, Prestianni e Schjelderup. A equipa reagiu, mas ainda não o suficiente para tornar o segundo tempo melhor do que o primeiro. E já este tinha sido algo pobre.

Pavlidis, de costas voltadas para o golo, também sairia, com Ivanovic a tentar aproveitar a oportunidade. E viria daí o último fôlego. O croata ainda teve um primeiro momento, numa diagonal preparada para ser fechada com o pé esquerdo, na área, todavia o tiro saiu ao lado. Dedic, de cabeça, aos 74', tinha antes acertado no ferro, com André Ferreira a controlar.

Vasco Botelho da Costa também lançou fisicalidade para a frente (Hemir e Yan), porém chegar perto de Trubin só com pontapé de guarda-redes para o lateral Travassos (sim, ele outra vez!).

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Chegaram os erros, e Ivanovic estava de faro apurado (e também esfomeado). Maracás falhou o passe, Prestianni recuperou, Ríos assistiu e o croata fez o 3-1. Logo a seguir, o bis. Com Prestianni em grande e Dedic a assistir. Era a goleada! Inesperada e pesadíssima para os cónegos.