Duro golpe na Argentina: confirmado julgamento do presidente da Federação
A justiça de Buenos Aires decidiu levar a julgamento o presidente da Federação Argentina de Futebol (AFA), Claudio Chiqui Tapia, juntamente com o seu tesoureiro, Pablo Ariel Toviggino.
O anúncio surge num momento em que o dirigente se encontra nos Estados Unidos, a acompanhar a seleção de Lionel Messi e companhia no Mundial — e a poucas horas do último jogo da fase de grupos contra a Jordânia.
No âmbito da investigação, que já dura há vários meses, os procuradores reuniram provas relativas a uma alegada evasão fiscal de contribuições no valor de mais de 19 mil milhões de pesos (aproximadamente 11 milhões de euros).
O presidente da AFA teve de solicitar uma autorização especial à justiça para poder deixar a Argentina e viajar para a América do Norte, mais precisamente para o Texas, onde a campeã mundial disputará o terceiro jogo, já com a qualificação assegurada para os oitavos de final (enfrentará a grande surpresa do torneio, Cabo Verde, a 3 de julho, na Flórida).
A justificação para o julgamento baseia-se na existência de «provas suficientes para demonstrar o crime de fraude fiscal agravada, cometido repetidamente (34 situações) e em efetiva conjugação com o crime de fraude fiscal agravada de contribuições para a segurança social, repetido em outras 17 ocasiões».
Dos Estados Unidos, Tapia respondeu às acusações judiciais, afirmando que, embora com atraso, «o pagamento voluntário das obrigações de segurança social foi efetuado antes do prazo».
A AFA e o presidente Tapia estão também a ser investigados noutro processo criminal por branqueamento de capitais e peculato, mas rejeitaram igualmente as acusações.
O chefe da federação alega que os procedimentos fazem parte de uma manobra política orquestrada pelo presidente Javier Milei, com o objetivo de transformar o futebol argentino, atualmente baseado num modelo de clubes de futebol sem fins lucrativos, num sistema de empresas privadas.