Seleção vai ficar instalada num gigante parque desportivo durante a fase de grupos

Do circo de Ronaldo ao lago dos crocodilos: fomos ao 'bunker' de Portugal na Flórida

Reportagem em West Palm Beach, quartel-general da Seleção para o Mundial. Entre Mar-a-Lago, segurança máxima e Tim Ford a prometer as melhores condições, é aqui que começa o sonho português

WEST PALM BEACH — A Flórida é um postal ilustrado que engana o olho menos atento. Por trás das palmeiras alinhadas e do azul pacífico do Atlântico, esconde-se uma atmosfera pesada, densa, onde o oxigénio se mastiga e o termómetro esmaga qualquer pulmão europeu.

E é aqui, no relvado imaculado do The Gardens North District County Park, que a Seleção de Portugal vai assentar arraiais para tentar assaltar o trono do futebol mundial. O cenário está pronto, os cenários secundários também.

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Andar por estas latitudes em junho é compreender o significado de provação física. O real feel bate nuns asfixiantes 45 graus, misturando um bafo tropical com uma humidade que transforma qualquer corrida num teste de sobrevivência.

Será este o primeiro adversário da armada de Martínez na operação de adaptação, cujo tiro de partida está agendado para o próximo dia 13 de junho, às 18h45 locais (23h45 em Lisboa), hora de arranque do primeiro treino de Portugal em solo norte-americano e que será aberto, esperando-se cerca de 200 elementos da comunidade lusa local.

À espera dos internacionais portugueses estão dois tapetes verdes que parecem desenhados a régua e esquadro, prontos para a bola rolar sem sobressaltos.

Mas o quartel-general português é tudo menos um convento franciscano. O parque de treinos fica encostado a um lago idílico onde, nas últimas horas, foram avistados três crocodilos autóctones. Um aviso precoce de que, por aqui, convém não perder o foco nem falhar o passe.

Se a fauna local impõe respeito, a vizinhança política não lhe fica atrás. Estamos a curta distância de Mar-a-Lago, a célebre residência de férias de Donald Trump. O resultado prático? Um aparato de segurança digno de um filme de Hollywood, com perímetros apertados e agentes federais de óculos escuros que olham desconfiados até para as aves que cruzam o céu.

Quartel-general de Portugal fica a escassos quilómetros de Mar-a-Lago, residência de férias de Donald Trump - Foto: IMAGO

E a promessa é de que o cerco aperte ainda mais quando o autocarro da Federação Portuguesa de Futebol romper pelo complexo.

À porta, o formigueiro humano já mexe. Adeptos de várias nacionalidades — locais com camisolas de soccer, sul-americanos radicados e europeus em férias — vão rondando as vedações com uma única pergunta na ponta da língua: «Quando chega Cristiano Ronaldo?». O capitão continua a ser o íman planetário, o homem que transforma um treino de futebol num evento de massas.

Quem gere esta loucura com uma serenidade admirável é Tim Ford. O diretor do complexo abriu-nos as portas e não escondeu o orgulho pelo trabalho feito.

«Aprendemos muito com experiências anteriores, como a presença aqui do Real Madrid no Mundial de Clubes do ano passado, e posso dizer que Portugal tem aqui as melhores condições de treino deste Mundial», assegura, com a segurança de quem sabe o produto que tem em mãos.

Tim Ford é o diretor do complexo em Palm Beach onde Portugal se treinará durante a fase de grupos do Mundial - Foto: MIGUEL NUNES

Confrontado com o aparato que se avizinha, Ford sorri: «A segurança claro que será muita. Fomos vendo ao longo dos anos o que acontece, a loucura, o circo autêntico que se monta ao redor de onde está Cristiano Ronaldo. Estamos preparados.»

No final, o norte-americano desarma-nos com um desejo genuíno: «Agora, só espero que Portugal seja campeão do Mundo para que possa celebrar com vocês aqui e em Portugal, que visitarei após o Mundial

Das palavras de Ford ao asfalto quente da Flórida, fica a certeza: as condições são de elite, o calor é infernal e o circo está prestes a abrir as bancadas. Que comece o espetáculo!

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