José Mourinho no Boavista-Benfica que marcou a estreia como treinador principal - Foto: A BOLA
José Mourinho no Boavista-Benfica que marcou a estreia como treinador principal - Foto: A BOLA
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Do Bessa ao eterno 'Special One': há 26 anos, nascia a lenda de Mourinho

A 23 de setembro de 2000, José Mourinho estreava-se como treinador principal no banco do Benfica, frente ao Boavista. Vinte e seis anos depois, continua a escrever novos capítulos ao mais alto nível

Há noites que ficam para sempre na memória. E há outras que, sem que ninguém o saiba no momento, anunciam o nascimento de uma lenda. Há precisamente 26 anos, a 23 de setembro de 2000, José Mourinho atravessava o relvado do Estádio do Bessa para se sentar, pela primeira vez, num banco como treinador principal. Tinha 37 anos, vestia as cores do Benfica e estava prestes a dar o primeiro passo de uma caminhada que o levaria ao topo do futebol.

O início, porém, esteve longe de ser perfeito. Num jogo duro, o Benfica perdeu por 0-1 frente ao Boavista — golo de Duda, aos 2' — e Mourinho teve de esperar três jogos pela primeira vitória, que chegou diante do Belenenses, com um golo de Carlos Marchena. Mas aquela derrota no Porto não conseguiu apagar o mais importante: começava ali a carreira de um treinador que viria a marcar uma era.

Mourinho no Bessa, na estreia como treinador principal. Foto: A BOLA

Mourinho chegara à Luz apenas três dias antes, escolhido para suceder a Jupp Heynckes, à quinta jornada. Tinha passado pelo Sporting, FC Porto e Barcelona, onde trabalhara ao lado de Bobby Robson e Louis van Gaal, e há muito que sabia que queria deixar de ser adjunto para assumir o comando de uma equipa. A oportunidade surgiu em Lisboa, num contexto difícil, em que ficou apenas três meses e saiu antes do ano 2000 terminar, depois de uma vitória no dérbi com o Sporting. A partir daí, tudo mudou.

Após 11 jogos nas águias, rumou à UD de Leiria — onde esteve na primeira metade de 2001/02 —, mas foi no FC Porto que Mourinho começou verdadeiramente a transformar promessa em realidade. Em 2002/03 conquistou a Taça UEFA e o campeonato português. Um ano depois, repetiu o título nacional e levou os dragões à conquista da Liga dos Campeões, numa das maiores noites da história do clube. Foi aí que o futebol europeu percebeu, definitivamente, que aquele treinador português tinha algo de diferente.

Mourinho beija o troféu da Liga dos Campeões conquistado em 2004 pelo FC Porto (A BOLA)
Mourinho beija o troféu da Liga dos Campeões conquistado em 2004 pelo FC Porto (A BOLA)

À conquista da Europa

Com tudo o que havia para conquistar no Dragão já conquistado, rumou ao Chelsea, onde deu o salto definitivo para o estrelato internacional e consolidou o mito do Special One. Em Inglaterra, Mourinho conquistou dois campeonatos nas primeiras três temporadas e construiu uma equipa que dominou a Premier League. A personalidade, a confiança (a roçar a arrogância) e a capacidade de alimentar a relação com os jogadores e adeptos fizeram dele uma figura impossível de ignorar.

Depois vieram o Inter, o Real Madrid, o regresso ao Chelsea, o Manchester United, o Tottenham, a Roma, o Fenerbahçe e mais um regresso: ao Benfica. Pelo caminho, Mourinho continuou a colecionar títulos e momentos inesquecíveis. Nos nerazzurri, em 2009/10, alcançou novamente a Liga dos Campeões e completou um histórico triplete, juntando o título italiano e a Taça de Itália.

2014/15 - no regresso ao Chelsea, José Mourinho conquistou a terceira Premier League da carreira (foto: IMAGO)
2014/15 - no regresso ao Chelsea, José Mourinho conquistou a terceira Premier League da carreira (foto: IMAGO)

Em Madrid, enfrentou um dos maiores desafios da carreira e conduziu os merengues ao título espanhol em 2011/12, numa época de 100 pontos e 121 golos, além da conquista da Taça do Rei na primeira temporada.

Voltou, em 2013, a Stamford Bridge para conquistar mais uma Premier League e Manchester United, Tottenham e Roma acrescentaram novos capítulos. Em Old Trafford, conquistou a Liga Europa em 2017. Na capital italiana, tornou-se o primeiro treinador a conquistar a Liga Conferência, juntando mais um troféu europeu a uma carreira que já tinha passado por quase todas as grandes competições. A aventura na Turquia e a segunda etapa no Benfica terminaram sem títulos, mas com momentos para recordar.

Agora, 26 anos depois daquela estreia no Bessa, a história ganhou um daqueles círculos perfeitos que parecem escritos num guião. Mourinho está novamente no Real Madrid. O clube anunciou em junho o seu regresso ao Santiago Bernabéu, com contrato até 2029, e o português voltou a sentar-se no banco de um dos maiores clubes do mundo.

É, portanto, no presente que se olha para o passado. Aquele jovem de 37 anos que começou a carreira principal com uma derrota diante do Boavista transformou-se no treinador português com uma das carreiras mais impressionantes de sempre: duas Ligas dos Campeões, títulos nacionais em Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha e troféus europeus por três clubes diferentes. 26 títulos no total. Tremendo.

Mudaram os clubes, os jogadores, os estádios e o próprio futebol. Mourinho também mudou. Mas há algo que atravessa estes 26 anos: a ambição, a personalidade e a obsessão por competir e vencer. Tudo começou com uma derrota. O resto, é uma história... especial.

2004/05 - na primeira época na Premier League, José Mourinho mudou imediatamente o paradigma (Foto: IMAGO)
2004/05 - na primeira época na Premier League, José Mourinho mudou imediatamente o paradigma (Foto: IMAGO)

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