Carlos Brito, a dedicar a vitória sobre o Sporting, orientou o Rio Ave em 366 jogos  (Foto A BOLA)
Carlos Brito, a dedicar a vitória sobre o Sporting, orientou o Rio Ave em 366 jogos (Foto A BOLA)

Deu 4-0 ao Sporting e no final pensou: «Mas, afinal, o que se passou aqui?»

Treinador Carlos Brito relembra o 4-0 em março de 2004 e a sensação estranha com que ficou no final da partida e a pergunta que lhe assolou o espírito: «Mas, afinal, o que se passou aqui?»...

Estávamos em março de 2004, o Euro em Portugal estava aí à porta e o Sporting ainda acalentava esperanças de chegar ao título na Liga, embora à jornada 27, com sete pontos de atraso para o FC Porto de José Mourinho, a tarefa fosse complicada.

Numa noite fria de um sábado em Vila do Conde, a equipa do Rio Ave, orientada por Carlos Brito, aqueceu o coração dos adeptos vila-condenses e gelou por completo o dos leões. A vitória por 4-0 é ainda hoje a maior do emblema da caravela sobre o verde e branco.

A primeira página de A BOLA a assinalar a estrondosa derrota do leão
A primeira página de A BOLA a assinalar a estrondosa derrota do leão

No final dessa partida, o técnico sportinguista Fernando Santos praticamente entregou o título aos dragões, embora estes só tenham jogado três semanas depois por terem adiado o encontro com o Nacional, devido à participação na Champions — disputavam os quartos de final com o Lyon.

Se no final Fernando Santos não ficou com dúvidas, do outro lado Carlos Brito ficou com uma a bailar-lhe na cabeça: «Fiquei com uma sensação estranha. Pensei: mas, afinal, o que se passou aqui? Não digo que não houvesse hipóteses de bater o Sporting, mas por 4-0 foi surpreendente. Não é todos os dias que se goleia um grande por números destes…», conta a A BOLA o homem que orientou os rioavistas em impressionantes 366 jogos. «E é preciso ter em atenção que no Sporting jogavam o Pedro Barbosa, o João Vieira Pinto, o Liedson e o Niculae, entre outros. Tinha uma senhora equipa», recorda.

Jaime bate Ricardo e marca o quarto golo do Rio Ave
Jaime bate Ricardo e marca o quarto golo do Rio Ave

Recuando na fita do tempo, o técnico recorda a estratégia: «Tínhamos uma matriz clara em 4x3x3. A nossa equipa era composta por futebolistas de valia como Mora, Zé Gomes, Miguelito, Mozer, Niquinha ou Jacques. Fechámos os caminhos da baliza, apostámos na robustez tática do meio-campo e partíamos em contra-ataque. Foi assim que chegámos aos golos de Paulo César, de Evandro, que bisou e era potentíssimo, e de Jaime já na reta final», detalha.

Carlos Brito, hoje comentador televisivo, lembra que nessa época o Rio Ave «apenas não foi à Europa devido a um golo». «Acabámos em igualdade pontual com o Marítimo e no confronto direto contavam os golos fora. Perdemos 0-1 na Madeira e em casa vencemos por 2-1. Foi um golo do Dinda que decidiu tudo», recorda. «O Rio Ave não tinha as condições de hoje. Lutava apenas pela manutenção e teria sido fantástico ir às provas europeias», junta. «Sem falsas modéstias, estou na história do clube, tal como o clube está na minha. Esse foi um feito e recordo-me, por exemplo, que em 2004/05 o Benfica do Trapattoni que foi campeão, na Liga, só não nos ganhou a nós», solta entre sorrisos.

Evandro, na foto com Enakarhire, bisou e foi a figura da partida
Evandro, na foto com Enakarhire, bisou e foi a figura da partida

Para o duelo de sexta-feira, perspetiva um jogo complicado para o Sporting. «O Rio Ave vem moralizado após vencer no Estoril e nesta fase inicial os grandes, por vezes, deslizam pois ainda não estão afinados», finaliza.

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