Diogo Salgado Braz, presidente da FADU Portugal
Diogo Salgado Braz, presidente da FADU Portugal

Desporto universitário: FADU propõe fundo de 50 euros por estudante

Diogo Salgado Braz, presidente da FADU Portugal, explica proposta de financiamento sem custos acrescidos para os alunos

A Federação Académica do Desporto Universitário (FADU) apresentou esta quarta-feira uma proposta para a criação de um fundo destinado a financiar o desporto e o bem-estar no ensino superior.

A medida, denominada Fundo Campus +Ativo, sugere a afetação de 50 euros anuais por cada estudante, verba que seria retirada das receitas de propinas já existentes, sem custos adicionais para os alunos.

Esta iniciativa visa combater o que a FADU considera ser um «subfinanciamento estrutural» do setor, procurando estabelecer um mecanismo de financiamento mais estável e previsível.

A proposta foi entregue ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação, ao Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, bem como às entidades representativas das universidades, politécnicos e ensino superior privado. Foram também solicitadas audiências aos partidos com assento parlamentar.

Quatro milhões de euros num ciclo de quatro anos

Segundo as projeções da FADU, este modelo permitiria a uma instituição com 20.000 estudantes arrecadar um milhão de euros por ano, o que totalizaria quatro milhões de euros num ciclo de quatro anos. Numa universidade com 35.000 alunos, o valor anual poderia atingir 1,75 milhões de euros.

A proposta surge na sequência de um estudo divulgado pela FADU no início do ano, que revelou um cenário preocupante: 61% das instituições de ensino superior não possuem instalações desportivas próprias e 89,5% dependem de parcerias externas. Além disso, 56,6% dos responsáveis consideram as infraestruturas existentes insuficientes para a procura.

Diogo Salgado Braz, presidente da FADU Portugal, defende a urgência da medida. «Com 50 euros por estudante podemos transformar os nossos campus, democratizar o acesso à prática desportiva e assumir uma ideia muito simples: no Ensino Superior, o saber e a saúde têm de caminhar lado a lado», afirmou em comunicado.

«Precisamos de deixar de olhar para o desporto como uma atividade periférica da vida universitária. Uma Universidade não pode avaliar a sua qualidade apenas pelo ensino, pela investigação ou pelas suas instalações académicas; tem também a responsabilidade de criar condições para que os estudantes sejam mais ativos, mais saudáveis, mais integrados e tenham melhores condições para alcançar o sucesso académico», refere ainda.

A verba angariada pelo fundo seria distribuída por quatro áreas: 40% para infraestruturas e modernização, 30% para desporto informal e saúde mental, 20% para a competição e 10% para o associativismo estudantil. Entre as ações previstas estão a requalificação de pavilhões, a criação de circuitos de corrida, o apoio aos Campeonatos Nacionais Universitários e a articulação com serviços de apoio psicológico.

A FADU argumenta que o financiamento atual é fragmentado e vulnerável a oscilações orçamentais, o que prejudica a manutenção de infraestruturas, a contratação de técnicos e o apoio aos estudantes-atletas.

A proposta, que é não vinculativa e respeita a autonomia das instituições, inclui mecanismos de transparência, como comissões de acompanhamento e relatórios públicos de execução. A FADU, que organiza o desporto universitário em Portugal e envolve mais de 10 mil estudantes-atletas anualmente, está aberta a projetos-piloto e a diferentes modelos de aplicação.

O documento pode ser consultado AQUI

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