Avançado espanhol pinta os céus de Vila do Conde a verde e branco: quatro golos em seis jogos - Foto: Hugo Delgado/LUSA
Avançado espanhol pinta os céus de Vila do Conde a verde e branco: quatro golos em seis jogos - Foto: Hugo Delgado/LUSA

De onde apareceu o hélio para a máquina dos balões? (crónica)

Jalen Blesa continua a ter pulmões para... dar e vender: mais dois golos a selarem a conquista de três pontos importantíssimos para o emblema da Caravela. Reação dos tricolores foi bastante positiva, mas não chegou

Nascido em Espanha (ainda que tenha também nacionalidade norte-americana), Jalen Blesa chegou a Vila do Conde à mesma velocidade — foi apresentado a 2 de fevereiro, tendo assinado contrato de longa duração (até 2030) — com que logrou lugar entre os preferidos dos adeptos do emblema da Caravela.

O avançado, natural de Barcelona, tem sido um verdadeiro globetrotter e já passou por meio mundo — depois de deixar os espanhóis do Masnou, passou por Inglaterra, Kosovo, Roménia, Geórgia e Itália —, sendo que as infindáveis viagens que já fez podem ser uma (ou a) justificação para o pulmão que apresenta. Não só dentro das quatro linhas, mas também a... encher balões. Afinal, é desta forma que o (agora) dono da camisola 11 do Rio Ave festeja os seus golos.

E celebrar é coisa que Blesa tem feito desde que chegou ao futebol português: seis jogos... quatro tentos. E tudo isto numa equipa que passava por um período extremamente negativo. O avançado aportou bastante ao coletivo, começou a faturar, e este domingo, diante dos tricolores, voltou a emergir: dois golos e selo decisivo nos três pontos.

Os estrelistas até entraram melhor, mas Rodrigo Pinho (5') e Max Scholze (9') não foram felizes. Acordaram os vila-condenses e Diogo Bezerra (15'), Dario Spikic (19') e Andreas Ntoi (21') deram o aviso para o que haveria de acontecer pouco depois: Spikic fugiu pela direita, assistiu Jalen Blesa e... 1-0.

Não satisfeito, o atacante rioavista quis bisar, aos 33 minutos, mas o remate foi devolvido pela barra.

Ianis Stoica ainda tentou reduzir, de livre direto (41'), mas a bola saiu perto do poste direito. Na resposta, valeu aos forasteiros a atenção de Luan Patrick, após remate de Dario Spikic, já no interior da área (45+1').

A etapa complementar não poderia começar melhor para os da casa: Jalen Blesa (quem mais?) voltou a ser o melhor parceiro de Spikic e reforçou a vantagem.

Reagiu o conjunto de João Nuno, que subiu linhas, pressionou alto e passou a dominar, jogando a toda a largura. Depois das ameaças, o golo: Robinho assistiu, Rodrigo Pinho faturou. Mas não chegou...

O Rio Ave — que tem agora um produtor de hélio a garantir o bom funcionamento da máquina de encher balões — chegou aos 27 pontos e passa a respirar melhor na tabela classificativa. Já o Estrela da Amadora continua nos 25 pontos e ainda precisa de somar para manter a margem para a zona (mais) baixa. Convém não haver descuidos...

O melhor em campo: Jalen Blesa (Rio Ave)
É um ponta de lança, mas não é um 9. Porque ainda que tenha os devidos posicionamentos de homem de área, também joga bem em apoios e cai nos flancos em busca dos desequilíbrios. Mas sendo, como se dizia antigamente, um avançado-centro, tem golo. E muito. Marcou (mais) dois e só não fez o terceiro porque a barra não deixou. Se continuar assim, o Rio Ave bem pode esfregar as mãos...
A figura: Rodrigo Pinho (Estrela da Amadora)
Voltou aos golos mais de três meses depois e fê-lo como tão bem sabe: à ponta de lança. Estava no sítio certo para corresponder ao cruzamento açucarado de Robinho. Além desse momento, teve outras movimentações que ajudaram ao crescimento da equipa na etapa complementar, apesar de o esforço não ter sido recompensado com os desejados (e necessários) pontos.

As notas dos jogadores do Rio Ave:

As notas dos jogadores do Estrela da Amadora:

Sotiris Silaidopoulos (treinador do Rio Ave):

Foi a segunda vitória consecutiva, ainda para mais em nossa casa, o que é muito bom. Dominámos na primeira parte e chegámos à vantagem, mas nem sempre podemos ter o domínio total. Mas ficámos com os três pontos e temos de continuar.

João Nuno (treinador do Estrela da Amadora):

Estávamos a ser passivos e eu não estava a gostar nada disso. Voltámos do intervalo com outra atitude, mas sofremos logo um golo. Depois tivemos a nossa melhor fase, temos bola e fazemos um golo. Mas não chegou e por culpa nossa.