Japão chegou ao empate já muito perto do final do jogo com os Países Baixos. Prémio justo - FOTO: Imago
Japão chegou ao empate já muito perto do final do jogo com os Países Baixos. Prémio justo - FOTO: Imago

Laranja doce e amarga na batalha de Dallas (crónica)

No melhor jogo do Campeonato do Mundo até ao momento o empate é prémio para a ambição de Países Baixos e Japão. A segunda parte foi louca, teve quatro golos e quando parecia que a formação europeia iria segurar a vitória os japoneses forçaram e chegaram ao empate bem perto do fim.

Se na primeira parte o Japão foi mais forte, os Países Baixos trouxeram intensidade para o segundo tempo e chegaram aos últimos minutos em vantagem por 2-1. Mas os nipónicos nunca se entregaram, Ito veio dar agressividade e com tantas ameaças Ronald Koeman foi lançando homens com características mais defensivas para guardar a vantagem. Mas não conseguiu e num jogo em que ninguém merecia perder bem se pode falar em justiça no momento do golo de Kamada.

Foi um jogo soberbo! Quando a bola começou a rolar no Dallas Stadium cedo se percebeu que seria uma batalha tática, com a formação europeia à procura do talento e os nipónicos com setores muito próximos, a defenderem com muitos jogadores e a partirem para o ataque igualmente com vários elementos.

E o que se viveu foi muito além das expectativas: assistimos, sem qualquer margem para dúvidas, ao melhor jogo do Mundial até agora. Foi uma autêntica ode ao futebol de ataque, à entrega total e à inteligência estratégica. No final, o marcador registou um emotivo 2-2, resultado justo que premeia a audácia e deixa uma certeza absoluta: nesta tarde mágica, ninguém merecia perder.

Nos primeiros 45 minutos houve mais Japão, que criou mais perigo e teve em Nakamura um motor que da mesma forma que era operário a recuperar bolas atrás de bolas, mostrou também o talento necessário para colocar em sentido a equipa de Ronald Koeman, que procurou ter mais bola e partir em transições rápidas, procurando dessa forma contrariar a disciplina coletiva irrepreensível. Mas foi na segunda parte que o jogo se tornou incrível. O capitão Virgil van Dijk inaugurou o marcador aos 50 minutos, fazendo os adeptos da Laranja Mecânica irem ao delírio. O que tinha sido tão complicado no primeiro tempo compunha-se no início do segundo.

O Japão acusou o toque? Não. Pelo contrário. Respondeu de imediato e Nakamura (que jogo incrível!!) restabeleceu a igualdade logo aos 57'.

Por essa altura, o ritmo era alucinante e rapidamente a seleção europeia voltou à condição de vencedora graças a um trabalho fantástico de Summerville, que veio da direita para o centro e rematou cruzado e semn hipótese para Suzuki. A onde laranja voltava a crescer.

Mas estes nipónicos com espírito de Samurai não se entregam e com a entrada de Ito a equipa ganhou agressividade e nunca perdeu a crença de que poderia sair de Dallas com pelo menos um ponto. E foram subindo, subindo…

Ronald Koeman começava a sentir que era preciso segurar a vitória. O técnico mexeu na estrutura, refrescou o miolo e colocou Nathan Aké para fechar caminhos, tentando congelar o ímpeto adversário.

Contudo, este Japão recusa vergar-se. Num exemplo perfeito da sua famosa resiliência, os nipónicos acreditaram e chegaram ao empate. Rompendo com o bloco neerlandês, a armada asiática lançou-se com tudo e, aos 88 minutos, Kamada marcou e deu justiça ao marcador.

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