Bacher teve asas para o canário fugir e ficar inalcançável (crónica)
Um golo madrugador de Bacher (8’) foi suficiente para o Estoril conquistar os três pontos na Madeira e continuar a sonhar com um lugar europeu. Uma diferença mínima, mas que foi máxima – e em largos momentos até pareceu inalcançável… - para o Nacional, que continua em espiral negativa e não vence há sete jogos na Liga.
Ian Cathro montou o Estoril em 4x4x2 em losango, com Begraoui e Marqués abertos na frente e João Carvalho, o vértice mais adiantado do desenho, a surgir muitas vezes no meio dos centrais, na posição de ponta-de-lança. A pressionar alto e a obrigar os madeirenses ao erro, os canarinhos criaram muito perigo nos primeiros minutos e foram letais na primeira oportunidade, com Bacher a desviar de cabeça um canto de João Carvalho, para adiantar os estorilistas.
E, pouco depois, Begraoui desperdiçou uma boa oportunidade para elevar a contagem, quando surgiu solto na área para atirar ao lado. Sempre mais perigoso, o Estoril poderia ter ido para o intervalo com maior vantagem, num cabeceamento de Marqués que passou perto do travessão.
Em 4x3x3, o Nacional recuava Matheus Dias em momento defensivo para formar uma linha de cinco atrás e sentiu muitas dificuldades em soltar-se da pressão e das marcações do adversário, para atacar a baliza adversária. Além de falta de inspiração generalizada, com vários passes errados. A baliza de Robles foi ficando distante e só depois da meia hora é que o guarda-redes do Estoril teve oportunidade para sacudir o pó das luvas, num tiro de muito longe de Zé Vítor, voltando a parar um remate de Baeza, em cima do intervalo.
Tiago Margarido adicionou depois mais vontade ofensiva aos seus jogadores, foi introduzindo também unidades de maior pendor atacante e o Nacional conseguiu incomodar, principalmente por Paulinho Bóia, que bem tentou, mas a pontaria não estava afinada. Na luta dos madeirenses para evitar a derrota, Jesús Ramírez foi o primeiro a dar o mote num cabeceamento defendido por Robles, com Bóia a ficar com a missão de artilheiro, atirando à malha lateral e acertando de seguida num poste, mas estava em posição irregular. Pelo meio, Matheus Dias, na sequência de canto, ainda introduziu a bola na baliza do Estoril, mas o lance já estava anulado com o árbitro a indicar que no cruzamento tinha ultrapassado a linha de fundo.
Todos estes lances ocorreram até aos 73 minutos e daí para a frente o Estoril controlou as operações sem correr grandes riscos defensivamente, face à pouca lucidez dos madeirenses no ataque.
As notas dos jogadores do Nacional (4x3x3): Kaique (5), Alan Nuñez (6), Léo Santos (5), Zé Vitor (6), Lenny Vallier (5), Miguel Baeza (6), Matheus Dias (5), Joel Silva (5), Gabriel Veron (5), Jesús Ramírez (5), Paulinho Bóia (6), Laabidi (5), Lucas João (5), Pablo Ruan (5), André Sousa (-) e Daniel Júnior (-)
As notas dos jogadores do Estoril (4x4x2): Robles (6), Pedro Carvalho (6), Ferro (6), Bacher (6), Ricard (6), Jandro Orellana (5), Tsoungui (7), Holsgrove (5), João Carvalho (6), Begraoui (5), Alejandro Marqués (5), Xeka (5), Rafik Guitane (5), André Lacximicant (5), Pedro Amaral (-) e Pizzi (-)
Tiago Margarido, treinador do Nacional
«O golo deixou-nos intranquilos e deitou por terra a nossa ideia inicial. A equipa, de seguida, teve momentos de circulação curta, de tentar fazer o nosso jogo, mas hoje as coisas não estavam a sair. Esse golo foi decisivo naquilo que foi daí para a frente. Procuramos tornar o jogo mais simples e na 2.ª parte pouco se jogou, porque sempre que havia um cruzamento ou uma disputa havia falta e os jogadores do Estoril ficavam no chão algum tempo e essas com quedas sucessivas fez com que não mantivéssemos o nosso elan ofensivo durante o tempo que desejávamos. Mais uma vez foi o detalhe da bola parada, na 2.ª parte tentamos de outra forma. Mas foi mais com o coração do que com a cabeça.»
Ian Cathro, treinador do Estoril
«Sabíamos que íamos jogar contra uma equipa que tem agressividade, sabe defender bem com várias ‘caras’ nesse momento e que precisa de pontos e que sabe muito bem pressionar forte. Consegue pôr muita intensidade no jogo. Entramos equilibrados e o golo tem um grande impacto. Talvez na 1.ª parte não conseguimos ter tantas vezes a nossa dinâmica com bola, e fomos aprendendo, durante ela, qual teria de ser. O objetivo não é jogar bem, é ganhar, e os jogadores fizeram um bom trabalho.»