José Gabriel com a esposa na praia de Palm Beach, ali ao lado de onde a Seleção montou quartel - Foto: MIGUEL NUNES
José Gabriel com a esposa na praia de Palm Beach, ali ao lado de onde a Seleção montou quartel - Foto: MIGUEL NUNES

PALM BEACH — Quem anda nestas lides de cobrir a Seleção Nacional ou os grandes clubes além-fronteiras conhece bem o guião da saudade. Onde há uma bandeira das quinas, há um emigrante pronto a abrir o coração. 

Ontem mesmo, o ritual cumpriu-se através do José Gabriel e da esposa, almas lusas que há 46 anos trocaram Portugal pelos Estados Unidos e que agora gozam a reforma em Palm Beach. O «se precisarem de alguma coisa, liguem» ou o inevitável «venham jantar a nossa casa um destes dias» são património afetivo da nossa diáspora, pequenos milagres em forma de café ou prato quente.

O que nenhum jornalista espera por estas paragens é que este código de acolhimento genético seja replicado, com a mesma intensidade, por quem nasceu no coração do império americano.

Na Florida, a simpatia desarmante não fala português, mas tem o mesmo sotaque de partilha. Sentimo-lo na pele logo na praia, com um grupo de jovens norte-americanas que, ao ver-nos perdidos, desenhou um roteiro minucioso no Maps com os locais obrigatórios da região. 

Mas o verdadeiro queixo caído aconteceu num restaurante local. A meio de um jantar de trabalho, com as acreditações do Mundial em cima da mesa, fomos abordados pelas diretoras da área desportiva da Câmara Municipal de Palm Beach. A Michelle e a Shelley quiseram saber quem éramos, o que fazíamos e, num ápice, ofereceram-se para ser nossas guias oficiais. A conversa terminou, espante-se, com um convite formal para jantarmos com as respetivas famílias.

É o reverso da medalha da América fria e impessoal. No meio da opulência XL, há uma urgência genuína em partilhar o território.

A famosa tarte de limão do Old Key Lime House

Entretanto, pela quinta vez desde que aterrámos, insistiram para não falharmos o mítico Old Key Lime House, mesmo ao lado do hotel de Portugal, onde a lenda jura que servem a melhor tarte de limão do planeta. Se a Seleção procura a glória no relvado, nós já fomos conquistados pelo calor das gentes e, se o futebol não nos alimentar o ego, a América já nos garantiu a mesa posta.

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