Fresneda transformou-se numa das peças intocáveis do atual plantel para 2026/2027 - Foto: IMAGO
Fresneda transformou-se numa das peças intocáveis do atual plantel para 2026/2027 - Foto: IMAGO

Sporting: o que Rui Borges viu e Ruben Amorim não conseguiu ver

De quase dispensado a peça intocável: o plano tático e mental que transformou Iván Fresneda num ativo blindado e cobiçado por vários gigantes europeus. A BOLA revela trabalho feito nos bastidores com um leão que fintou o próprio destino

Iván Fresneda conseguiu reescrever o próprio destino. O lateral-direito espanhol de 21 anos, que chegou ao Sporting com 19, rotulado de promessa mas que parecia condenado ao esquecimento, operou uma reviravolta digna de guião cinematográfico nos últimos meses. Dado como transferível e com a porta de saída entreaberta antes da entrada de Rui Borges (chegou a ser negociado com os italianos do Como), Fresneda é hoje um dos ativos mais valiosos, cobiçados e, acima de tudo, intocável, tal como A BOLA já tinha adiantado, na estrutura para a temporada 2026/2027.

Rui Borges teve um papel determinante no crescimento de Fresneda - Foto: MIGUEL NUNES
Rui Borges teve um papel determinante no crescimento de Fresneda - Foto: MIGUEL NUNES

Para perceber o fenómeno, é preciso olhar para o banco de suplentes. Se a história recente do Sporting está umbilicalmente ligada ao sucesso de Ruben Amorim, a verdade é que foi Rui Borges a conseguir ver no internacional sub-21 espanhol algo que o antecessor não decifrou.

A rota de Fresneda em Alvalade esteve longe de ser um mar de rosas. Nas primeira época em Portugal, o camisola 22 viveu num regime de intermitência: apenas 10 participações. No sistema de Ruben Amorim (3x4x3), as suas características marcadamente mais defensivas e posicionais chocavam com a exigência de alas de tração puramente ofensiva e vertiginosa. Fresneda simplesmente nunca encaixou no perfil. A viragem, essa, haveria de começar a ser desenhada com Rui Borges.

A derradeira afirmação deu-se na época transata. Devolvido a um papel de lateral-direito mais clássico, Fresneda estabilizou o seu futebol. À garra e agressividade que sempre demonstrou, juntou uma leitura de jogo exemplar e um posicionamento defensivo rigoroso. O reflexo prático é claro: tornou-se no 8.º jogador mais utilizado do plantel, assumindo o papel de camaleão tático dos leões.

Rúben Amorim foi quem contratou Fresneda para os leões mas sem o sucesso desejado - Foto: IMAGO

TRABALHO TÁTICO E MENTAL

A transformação de Fresneda assentou em vários pilares. O primeiro ligado ao trabalho tático e à intensidade. Rui Borges procurou canalizar a natureza voluntariosa do espanhol. O técnico deu-lhe liberdade para explorar o corredor, exigindo um preço no momento defensivo: agressividade máxima nos duelos individuais.

Rui Borges deu sempre enorme dose de confiança a Fresneda - Foto: MIGUEL NUNES
Rui Borges deu sempre enorme dose de confiança a Fresneda - Foto: MIGUEL NUNES

Foi, ainda assim, no plano psicológico que este impacto se fez sentir mais . Rui Borges percebeu que Fresneda precisava, acima de tudo, de sentir confiança desde o primeiro minuto. O treinador estimulou-lhe o espírito inconformado e a abnegação, desafiando-o a colocar a vigorosa capacidade física a favor do coletivo. E o resultado está à vista: Fresneda revelou-se um operário focado, humilde e trabalhador. O peso no balneário cresceu de tal forma que o seu nome integra um restrito lote de potenciais futuros capitães de equipa, dado o forte sentido de grupo.

A regularidade exibicional do espanhol começou a agitar o mercado e o nome do lateral tem sido insistentemente associado a colossos do futebol europeu, como Arsenal ou… Real Madrid. Contudo, a SAD mantém posição irredutível: Fresneda, protegido por uma cláusula de rescisão de €80 M, faz parte do núcleo duro a manter a todo o custo. Na cabeça de Rui Borges e da estrutura leonina, o outrora dispensado é hoje peça chave no Sporting do futuro.

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