Noite bem amarelada permite aos lobos respirarem um pouco melhor na tabela classificativa - Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA
Noite bem amarelada permite aos lobos respirarem um pouco melhor na tabela classificativa - Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA

De 0-2 para Trezza(dois) com uma ida ao... Barbero (crónica)

Saviolo e Camara deram alto conforto aos vitorianos. Segunda parte de luxo dos lobos selou a reviravolta

Em noite de tempestade, começou por ser a massa associativa do Vitória a grande protagonista. Conhecidos por serem uns adeptos que nunca (mas nunca) deixam a equipa caminhar sozinha, lá estavam os vitorianos a puxarem a plenos pulmões pelos seus conquistadores em plena Serra da Freita. Vento? Frio? Chuva? Isso não é nada para quem tanto ama um clube...

Nestes instantes iniciais, o espetáculo era mesmo apenas nas bancadas. Porque os primeiros minutos no relvado deixaram muito (mas mesmo muito) a desejar — e nessa altura seria humanamente impossível ousar pensar no que estava por vir...

Foi Oumar Camara que deu um pontapé na monotonia. Aos 25 minutos, o jovem extremo francês rematou cruzado e obrigou Arruabarrena a intervenção de recurso. A bola sobrou para Nélson Oliveira, com o ponta de lança a rematar de pronto e a deparar-se com... dois cortes: Javi Sánchez, primeiro, e Tiago Esgaio, depois, negaram o golo ao camisola 7.

Aproveitando a onda (e até porque o vento estava, por essa altura, favorável aos vimaranenses), Noah Saviolo deu uma primeira alegria aos simpatizantes dos minhotos: Diogo Sousa rematou ao poste, na sequência de um pontapé de canto cobrado por Tony Strata, e, na recarga, o extremo belga teve cabeça para abrir o ativo (26').

E apenas quatro minutos volvidos, mais sotaque vimaranense: passe de rotura de Samu e desvio subtil de Oumar Camara. Que vantagem confortável para o Vitória.

Nélson Oliveira até ousou aumentar a contenda, mas Arruabarrena estava atento à meia distância do internacional português (32').

Os lobos pareciam (completamente) adormecidos, mas talvez tenham acordado com o barulho do (forte) vento e da (muita) chuva. Nais Djouahra aqueceu as luvas a Charles (44'), mas, pouco depois, Alfonso Trezza não perdoou: passe longo de Jose Fontán, o avançado uruguaio ganhou as costas à defensiva contrária e reduziu. O Vitória já tinha desaparecido do jogo...

E para uma boa noite de gala... uma ida ao Barbero: canto de Djouahra e cabeceamento fulminante do ponta de lança espanhol para o empate (56'). Tudo em aberto!

O bolo da festa estava pronto e a trinca pertenceu... ao aniversariante: Lee Hyunju (em noite comemorativa dos 23 anos de idade), aproveitou uma defesa incompleta de Charles a remate de Alfonso Trezza e sentenciou a reviravolta.

Estar a perder por 0-2 e virar para Trezza(dois) não é para todos. Mas os lobos uivaram bem alto.

O melhor em campo: Alfonso Trezza (Arouca)
O avançado uruguaio foi o convidado de honra da festa de aniversário de Lee Hyunju e levou a melhor prenda ao jovem médio. Foi do camisola 19 o remate exterior que permitiu ao coreano consumar a reviravolta dos lobos da Serra da Freita. Antes disso, porém, já o sul-americano tinha fugido em alta velocidade para relançar a sua equipa na discussão pelo resultado (45+1'). E correu quilómetros...
A figura: Oumar Camara (Vitória de Guimarães)
O primeiro momento de grande perigo dos vimaranenses teve a assinatura do jovem extremo francês. A esse remate, defendido com dificuldade por Arruabarrena, seguiu-se um lance em que Nélson Oliveira quase marcava. Foi sempre um perigo à solta durante toda a primeira parte e inscreveu o seu nome na lista de marcadores da partida, ao aceitar o convite de Samu para ser feliz (30').

As notas dos jogadores do Arouca:

Arruabarrena (6), Tiago Esgaio (6), Javi Sánchez (6), Jose Fontán (6), Bas Kuipers (5), Espen van Ee (6), Taichi Fukui (6), Alfonso Trezza (7), Lee Hyunju (7), Nais Djouahra (6), Iván Barbero (6), Dylan Nandín (5), Pablo Gozálbez (-), Brian Mansilla (-), Miguel Puche (-) e Yellu Santiago (-).

As notas dos jogadores do Vitória de Guimarães:

Vasco Seabra (treinador do Arouca):

A equipa confia, são um grupo de jogadores extraordinários e virámos o jogo. Vencemos pela primeira vez o Vitória em casa na Liga, e também pela primeira vez vencemos um jogo na Liga após desvantagem de dois golos. Isto é aura. É alma de equipa. Foi uma vitória com dimensão e penso que somos uns justos vencedores.

Luís Pinto (treinador do Vitória de Guimarães):

Houve muito mérito do Arouca e houve muito demérito nosso. Jogámos 40 minutos. Os últimos cinco minutos da primeira parte já não estávamos a jogar, estávamos só dentro do campo. É um crescimento que temos de ter, já não é o primeiro jogo em que fazemos coisas muito boas e depois não temos consistência.